FRANTZ FANON: IRREDUTIVELMENTE NEGRO | Série do Parentalidade Preta

Série documental em áudio · 13 episódios

Frantz Fanon:
Irredutivelmente
Negro

100 anos de Fanon.
A ferida ainda aberta.

Uma travessia pela Martinica, pela guerra, pela psiquiatria, pela Argélia e pelas obras de um homem que recusou o lugar preparado pelo colonialismo.

Pesquisa, roteiro, narração, montagem e produção: Diego Silva · Parentalidade Preta.

Escolha uma porta

Treze episódios não precisam virar uma barreira.

A série foi construída como uma espiral. Você pode seguir desde a origem ou entrar pela pergunta que estiver mais viva.

O que sustenta a travessia

Fanon não aparece isolado da história.

A vida e a obra são atravessadas pelos territórios, pelas instituições e pelas disputas que as produziram.

01

Os povos Taíno, Kalinago e a história anterior à Martinica francesa.

02

A escravidão, a assimilação e o mito francês da liberdade universal.

03

A Segunda Guerra e o momento em que a cidadania francesa revela sua cor.

04

A sociogenia e os efeitos do racismo sobre corpo, linguagem e subjetividade.

05

A psiquiatria institucional, a clínica anticolonial e a experiência na Argélia.

06

A libertação nacional, suas contradições e a urgência de inventar outro mundo.

A travessia completa

Treze episódios.
Sem Fanon de frase pronta.

As playlists reúnem a série inteira. Escolha a plataforma e, depois, consulte as sinopses de cada capítulo.

Escuta direta

Ouça sem sair daqui.

Dê o primeiro passo pela série agora. O player abaixo começa pelo prólogo e mantém você dentro desta página.

01 Memórias Perdidas 26 min 29 s · Origem

Antes de Fanon, havia uma ilha indígena atravessada pela invasão, pela escravidão e pela disputa sobre quem teria concedido liberdade. O percurso passa pelos Taíno, Kalinago, Anacaona e pela abolição martinicana até chegar ao menino que estranha as homenagens feitas ao suposto salvador branco.

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02 Indefensável 30 min 33 s · Guerra e assimilação

A França proclama liberdade enquanto mantém colônias escravizadas. Décadas depois, Fanon veste a farda francesa contra o nazismo e encontra dentro do próprio exército a hierarquia racial que a república dizia ter superado. A guerra desmonta a ficção da assimilação e empurra o jovem veterano em direção à medicina, à psiquiatria e à sociogenia.

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03 As Ilhas 17 min 27 s · Argélia e FLN

Da antiga Numídia à ocupação francesa, o episódio situa a Argélia antes de acompanhar Fanon dentro da Frente de Libertação Nacional. Entre diplomacia, disputa interna e risco permanente, uma missão na fronteira termina num acontecimento que deixa sua própria origem envolta em silêncio.

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04 A Cidade Eterna 16 min 56 s · Corpo e conspiração

Gravemente ferido, Fanon é transferido para Roma enquanto rumores atravessam a FLN, os serviços franceses e os próprios aliados. A cidade que deveria protegê-lo se torna parte de uma trama difícil de separar entre acidente, atentado e conveniência política. O corpo do emissário revela o preço de ocupar uma luta por dentro.

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05 COLONIALISMO Pt. 1 25 min 57 s · Ciência e dominação

O colonialismo não se sustentou apenas por armas. Jalecos, universidades e organismos internacionais também fabricaram o africano como ser incompleto. Fanon, Césaire e Deivison Faustino ajudam a desmontar a linguagem científica usada para converter racismo em diagnóstico, inferioridade e destino.

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06 COLONIALISMO Pt. 2 18 min 01 s · Antilhanos e africanos

A guerra faz o antilhano descobrir que sua proximidade cultural com a França não o protege da racialização. O episódio atravessa as tensões entre antilhanos e africanos, o nascimento de um orgulho negro urgente e a metamorfose política de quem percebe que o inimigo também pode viver dentro da imagem que fez de si.

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07 A Trindade Profana 27 min 44 s · Mente, fé e território

Religião, psicanálise e geografia formam três campos de legitimação do domínio colonial. Da ontologia fabricada sobre povos africanos às teorias que atribuíam ao colonizado desejo de dependência, o episódio mostra como o poder não apenas ocupa territórios: ele busca ensinar ao dominado como interpretar a própria existência.

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08 Pele Negra, Máscaras Brancas 41 min 20 s · Sociogenia e alienação

Aos 27 anos, Fanon transforma um trabalho recusado pela academia em uma obra que interroga linguagem, desejo, reconhecimento e experiência vivida. O racismo deixa de aparecer como preconceito isolado e passa a ser lido como estrutura que produz corpo, subjetividade e máscaras. Reconhecer a armadilha é parte do caminho de desalienação.

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09 A Nau dos Loucos 24 min 52 s · História da psiquiatria

A sociedade primeiro expulsa quem nomeia como louco e depois ergue instituições para confiná-lo. Pinel, Juliano Moreira e François Tosquelles permitem acompanhar mudanças e permanências nessa história. O caminho chega a Saint-Alban, onde Fanon encontra uma psiquiatria capaz de relacionar sofrimento, instituição, cultura e transformação social.

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10 Uma Viagem Sem Volta 29 min 11 s · Clínica e revolução

Fanon deixa a Martinica pela última vez, passa pela experiência institucional de Tosquelles e segue para a Argélia. Em Blida, a clínica encontra pacientes atravessados pela ocupação, pela tortura e pela guerra. Já não é possível tratar o sofrimento sem confrontar a ordem que o produz. Medicina e libertação passam a caminhar juntas.

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11 CONTRADITÓRIO 27 min 05 s · Identidade e compromisso

Um homem martinicano e negro entrega a vida à libertação de uma Argélia árabe e amazigue. Essa escolha é lida como solidariedade continental por alguns e como contradição por outros, sobretudo diante das marcas do tráfico transaariano. O episódio não procura absolver a tensão. Coloca Fanon dentro dela.

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12 Sobre a Violência 27 min 37 s · Terra e descolonização

A cidade do colono e a cidade do colonizado não pertencem ao mesmo mundo. Fanon aproxima espaço, fome, polícia, terra e dignidade para mostrar que a violência colonial antecede a reação do colonizado. Em diálogo com vozes negras do Brasil e da diáspora, o episódio recusa a leitura que reduz Os Condenados da Terra a uma defesa abstrata da violência.

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13 1961 25 min 43 s · Último fôlego

Com o tempo se estreitando, Fanon transforma experiência clínica, guerra e pensamento em Os Condenados da Terra. A obra atravessa violência, espontaneidade, consciência nacional, cultura e trauma. O episódio acompanha a urgência de quem sabia que talvez não visse a independência argelina, mas ainda precisava deixar aos povos colonizados uma ferramenta para o que viria depois.

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Uma obra feita por dentro

A série não nasceu de uma encomenda.

Frantz Fanon: Irredutivelmente Negro foi integralmente pesquisada, escrita, roteirizada, narrada, editada, montada, desenhada e publicada por Diego Silva através do Parentalidade Preta.

O trabalho percorre história, clínica, filosofia, política, literatura e memória sem transformar Fanon em autoridade intocável. A série acompanha escolhas, deslocamentos, contradições e rupturas.

Diego Silva é educador parental certificado pela Positive Discipline Association, pesquisador de relações raciais, comunicador, autor, roteirista, produtor e zelador do Parentalidade Preta.

Autoria e roteiro original
Pesquisa e curadoria
Narração e captação
Edição e montagem
Design e edição gráfica
Produção e distribuição
Conhecer o Parentalidade Preta

Livros que sustentaram a pesquisa

A referência aparece como chão.

Vida e trajetória

  • Frantz Fanon: um retrato, Alice Cherki.
  • Dossiês e registros sobre a luta de libertação argelina.

Obras de Fanon

  • Pele Negra, Máscaras Brancas.
  • Por uma Revolução Africana.
  • Os Condenados da Terra.

Chaves de leitura

  • Deivison Faustino.
  • Aimé Césaire.
  • Michel Foucault, Juliano Moreira e François Tosquelles.

O documento integral da série reúne as referências utilizadas capítulo por capítulo. A página apresenta apenas o núcleo principal para não interromper o percurso de escuta.

Sustentação comunitária

Esta obra existiu porque alguém decidiu não deixá-la sozinha.

Pesquisa, escrita, gravação, edição, hospedagem e distribuição exigem tempo e estrutura. O apoio recorrente mantém esta série disponível e permite que outras travessias sejam construídas sem entregar a direção da casa.

Continue dentro da casa

A escuta pode seguir por outros caminhos.