Começar pelo presente
Episódio atual do Podcast Parentalidade Preta
[parenta] #43 – Saúde? – Leo Sobral
Entenda como racismo, trabalho precário, paternidade e masculinidade afetam a saúde do homem negro e dificultam o direito de reconhecer o adoecimento.
O que está acontecendo no quintal
Eventos da comunidade
Rodas, encontros e percursos construídos para sustentar presença, escuta e comunidade.
Manifesto
Veja Luz em Homens Escuros.
Homens negros não são ausência.
Não são ameaça.
Não são silêncio sem história.
Há cuidado. Há criação. Há memória. Há homens negros sustentando casas, filhos, afetos e comunidade.
Este trabalho existe para que essa luz não seja apagada.
Ler o manifesto completo
“Veja Luz em Homens Escuros” é uma reflexão que carrego pensando não apenas no presente, mas em toda a trajetória de vida do homem preto. Quando falo sobre essa luz, penso nos nossos ancestrais, aqueles que vieram antes de nós, aqueles que resistiram para que hoje estivéssemos aqui. Homens e mulheres pretos que foram arrancados das suas terras, que foram brutalizados, silenciados, mas que, mesmo assim, carregaram em si uma força incomparável. A luz deles nunca se apagou, apesar de toda a escuridão imposta. Eles nos ensinaram que, mesmo nas situações mais desumanas, a dignidade, o amor e a resistência são possíveis. A luz deles brilha em nós, hoje.
E é a partir desse legado que eu olho para os meninos pretos de hoje. Esses meninos que correm, brincam, sonham, mas que, desde cedo, enfrentam as sombras de um mundo que tenta diminuir seu valor. A sociedade já começa a colocar sobre eles o peso de estereótipos, de expectativas injustas, de uma masculinidade que muitas vezes é forjada na dureza e na falta de afeto. Mas eu vejo luz nesses meninos. Eu vejo a mesma luz que nossos ancestrais carregavam. Uma luz que, se for bem cuidada, pode iluminar caminhos que a escuridão do racismo tenta bloquear.
Esses meninos, que muitas vezes são ignorados ou vistos como ameaça, precisam de nosso cuidado, nosso amor. Eles vão crescer. Eles vão se tornar jovens homens, tentando entender seu lugar no mundo, tentando encontrar suas próprias formas de resistir e brilhar. E é aí que entra a importância de cultivarmos a luz desde cedo. De mostrar a esses meninos que eles não precisam se conformar aos moldes de uma masculinidade que não lhes pertence. Eles podem ser homens sensíveis, carinhosos, criativos, fortes de alma e de coração, sem medo de mostrar quem realmente são. Se dermos a eles o apoio e o espaço necessário, eles podem romper com as amarras que tentam apagá-los.
Eu vejo luz nos nossos velhos. E é importante lembrar que, desde o início, desde os meninos que um dia serão homens velhos, existe uma continuidade. A luz que começa nos ancestrais é a mesma que brilha nos meninos de hoje, que vai continuar nos homens adultos e, eventualmente, nos anciãos que guiarão os próximos. A nossa responsabilidade é garantir que essa luz nunca seja apagada, que ela continue a iluminar o caminho de todos nós. Seja na infância, na juventude, na vida adulta ou na velhice, essa luz precisa ser vista, reconhecida e protegida.
Ver luz em homens escuros é ver essa continuidade. É saber que, em cada etapa da vida, a potência desses corpos pretos é real, é transformadora. E ela está presente desde o começo até o fim. Porque, no fundo, a escuridão que tentam nos impor só serve para fazer brilhar ainda mais a luz que carregamos.
Quando esses meninos se tornam adultos, eles carregam consigo tanto as marcas de uma sociedade que ainda insiste em marginalizá-los quanto a força que adquiriram ao longo do caminho. Eu vejo luz nesses homens. Homens pretos que, apesar de todas as barreiras, continuam a resistir, a criar, a amar. Eles enfrentam as dificuldades com uma coragem que só quem vive sob a sombra do racismo pode entender. Mas não podemos esquecer que, assim como os meninos, esses homens também precisam de apoio. Eles precisam de espaço para ser vulneráveis, para amar e cuidar, para brilhar sem medo.
E então, depois de uma vida de lutas e conquistas, esses homens vão envelhecer. Vão se tornar os homens velhos, os anciãos, os que trazem nas rugas a história de resistência e resiliência de todo um povo. São eles que carregam a sabedoria acumulada, os ensinamentos que passam para as próximas gerações. Homens que, mesmo depois de tanto tempo sob a pressão de um mundo que tenta apagá-los, ainda brilham com uma luz que nunca se apagou.
Quem zela esta casa
Eu sou Diego Silva.
Educador parental, pesquisador de relações raciais e criador do Parentalidade Preta.
Sou homem negro, esposo, pai e comunicador. Falo de dentro das relações que pesquiso e das responsabilidades que exerço.
Cuido do podcast, dos audiodocumentários, dos textos, das rodas e dos encontros que formam esta casa. O Parentalidade Preta nasce desse trabalho contínuo de escuta, pesquisa, criação e cuidado com a memória de famílias negras.
Conhecer meu trabalhoLeituras
Textos para permanecer um pouco mais.
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Ainda sobre o podcast
COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER
O Podcast Parentalidade Preta não começa quando o convidado fala.
Ele começa quando uma pergunta ainda não encontrou forma.
Antes da conversa
Escuta também se prepara.
Há pesquisa, escrita, arquivo, trilha, montagem e silêncio antes de cada encontro. No [parenta], esse caminho ganha forma em um AudioDocumentário que abre a conversa e reposiciona a pergunta.
Depois, a pessoa convidada chega. Não para responder a um roteiro fechado, mas para atravessar a questão com memória, experiência e contradição.
A pergunta
O ponto de partida não é um tema genérico. É uma questão que precisa ser sustentada.
A escavação
Pesquisa, documentos, referências, memória sonora e escrita organizam o chão.
A partilha
A conversa encontra uma vida concreta. O episódio deixa de explicar de fora.
A permanência
O áudio vira acervo. A escuta pode ser retomada quando outra pergunta chegar.
Escolha uma porta
Cada programa organiza a escuta de um jeito.
Você não precisa começar pelo primeiro episódio. Entre pela forma que mais se aproxima da pergunta que trouxe você até aqui.
Financiamento coletivo
Esta casa é sustentada por quem acredita que ela precisa continuar.
O apoio mensal mantém o podcast, os audiodocumentários, os textos, a pesquisa, a edição, a hospedagem, as ferramentas de produção e os encontros da comunidade.
Não se trata de comprar acesso ou recompensas. Trata-se de dividir a sustentação de um trabalho autoral comprometido com famílias negras, memória, cuidado e continuidade.
Apoiar mensalmenteA casa continua
Entre. Escute. Permaneça.
O Parentalidade Preta não termina nesta página. A conversa segue no podcast, nos textos, nas rodas e nos encontros da comunidade.