O QUINTAL é o encontro anual da comunidade do Parentalidade Preta.
Sua primeira edição, chamada Fundação, acontece online no dia 29 de agosto de 2026, das 13h às 18h. Serão cinquenta lugares destinados a homens negros que exercem cuidado com crianças, adolescentes, famílias e comunidades.
O encontro nasce de uma percepção construída ao longo dos anos de podcast, rodas online, textos e conversas: uma comunidade pode surgir sem proximidade geográfica, mas precisa de um lugar para onde possa voltar.
O QUINTAL começa a construir esse lugar.
Um encontro de homens negros, paternidade e cuidado
O público do QUINTAL não é definido apenas pela paternidade biológica.
Podem participar pais biológicos, adotivos e trans, além de homens negros que assumem responsabilidade permanente na criação de crianças e adolescentes ou no cuidado de suas comunidades.
O critério é o cuidado exercido.
Essa escolha amplia a conversa sobre paternidade negra. Nem todo homem que cuida possui o título formal de pai. Ainda assim, sua presença pode organizar casas, acompanhar infâncias, proteger adolescentes e sustentar vínculos comunitários.
O QUINTAL reúne esses homens para falar sobre o que o cuidado produziu em suas vidas, seus corpos, suas relações e seus projetos de futuro.
Por que o nome QUINTAL?
O quintal ocupa um lugar particular na memória de muitas famílias brasileiras.
É onde crianças brincam enquanto os adultos conversam. Onde a comida circula. Onde conflitos aparecem sem cerimônia. Onde pessoas chegam, permanecem e voltam.
A casa protege a intimidade familiar.
O quintal permite que a vida comunitária aconteça.
Por isso, o Parentalidade Preta não se apresenta como uma instituição que organiza um evento. Ele abre sua casa e prepara uma roda.
Diego Silva ocupa o lugar de zelador. Seu papel é abrir o portão, organizar o ambiente, proteger a escuta e cuidar para que o encontro possa continuar existindo.
O centro permanece na comunidade.
Como será a Fundação do QUINTAL
A primeira edição possui duas grandes rodas.
A primeira parte da pergunta:
O que a paternidade fez com o homem que eu era?
Conduzida por Diego Silva, a roda olha para as transformações provocadas pelo exercício do cuidado.
Paternidade não altera apenas rotina, orçamento e disponibilidade. Ela pode reorganizar a relação de um homem com o próprio passado, com o corpo, com a masculinidade e com a maneira como aprendeu a oferecer proteção.
A segunda roda pergunta:
E quando nossos filhos crescerem?
Conduzida por Elânia Francisca, a conversa desloca o olhar para o futuro.
Grande parte do debate sobre parentalidade concentra-se na infância. Pouco se fala sobre a adolescência, a autonomia dos filhos, as mudanças nos vínculos e a identidade de homens que organizaram anos de suas vidas em torno do cuidado diário.
O que permanece quando os filhos deixam de depender dos pais da mesma forma?
A pergunta não exige uma resposta pronta. Ela exige tempo.
O que é o Tempo de Casa
Entre as duas rodas, o QUINTAL será interrompido durante trinta minutos.
Nesse intervalo, não haverá palestra, exercício, conteúdo extra ou atividade paralela.
Cada homem será convidado a voltar para sua própria casa.
Brincar com a cria.
Conversar com quem está perto.
Preparar um café.
Respirar.
Depois, a roda recomeça.
O nome desse intervalo é Tempo de Casa.
Ele afirma um princípio metodológico: o QUINTAL não deve competir com a família para falar sobre família.
O encontro precisa caber na vida real de quem cuida.
Por que o QUINTAL terá apenas cinquenta lugares?
A Fundação terá cinquenta participantes.
O número não foi definido por limitação da plataforma. Ele responde à metodologia do encontro.
Uma roda de escuta depende da possibilidade de presença. Quando cresce demais, parte da comunidade deixa de ocupar a conversa e passa apenas a assistir.
O QUINTAL não pretende construir grandes plateias.
Seu crescimento precisa preservar intimidade, confiança e participação.
Isso exige limites.
A roda do QUINTAL será gravada?
Não.
As conversas realizadas nas rodas não serão gravadas nem disponibilizadas posteriormente.
Podem existir registros da abertura e do encerramento, mas a palavra compartilhada pelos participantes permanecerá protegida.
Homens negros costumam calcular as consequências de cada gesto e de cada fala. Em muitos espaços, uma vulnerabilidade pode ser usada como prova de incapacidade, fraqueza ou perigo.
A ausência de gravação reduz esse risco.
Algumas conversas precisam existir apenas entre quem esteve presente.
O QUINTAL e a manutenção financeira do Parentalidade Preta
O Parentalidade Preta é uma iniciativa independente.
Produzir episódios, manter o site, contratar hospedagem, pagar plataformas, pesquisar, preparar rodas e desenvolver novos trabalhos exige recursos durante todo o ano.
Durante muito tempo, parte expressiva dessa estrutura foi sustentada pelo trabalho pessoal de quem zela pela iniciativa.
O QUINTAL participa da construção de outra relação financeira com a comunidade.
O valor da inscrição garante a participação na Fundação e contribui para a continuidade do Parentalidade Preta. Ajuda a manter o podcast, os conteúdos gratuitos, as rodas de conversa, as pesquisas e os próximos encontros.
Essa dimensão não fica escondida atrás de linguagem publicitária.
Sustentabilidade financeira é uma condição concreta para a continuidade de qualquer iniciativa independente.
Quem entra no QUINTAL ocupa um lugar na roda e participa da manutenção da casa.
Quando acontece o QUINTAL?
A Fundação será realizada em:
Data: 29 de agosto de 2026
Horário: 13h às 18h
Formato: online
Público: homens negros que exercem cuidado
Número de lugares: 50
A partir de 2027, o QUINTAL acontecerá anualmente no último sábado de julho.
A continuidade da data transforma o encontro em ritual comunitário.
A comunidade sabe quando poderá voltar.
Como fazer a inscrição
Todas as informações sobre o encontro estão reunidas na página oficial:
parentalidadepreta.com/quintal
A landing page apresenta a proposta, a programação, as pessoas que conduzem as rodas e as respostas para as principais dúvidas.
O Sympla será utilizado apenas para concluir a inscrição.
Dia 29 de agosto, a gente se encontra pela primeira vez.
Depois, todo julho, a gente volta para o QUINTAL.

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