Show de REPRESENTATIVIDADE?

Segundo o Dicio (https://www.dicio.com.br/representatividade/)
REPRESENTATIVIDADE é um substantivo feminino
Qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome. / Qualidade de uma amostra constituída de modo a corresponder à população no seio da qual ela é escolhida.

Muito se tem falado a respeito do engajamento de pessoas brancas na causa dita Antirracista, na mudança de paradigmas e na criação de novas perspectivas para uma população (ou parte dela) subrepresentada? Eis que a imagem em destaque descontextualizada da apresentação da rainha do pop temos um grupo subrepresentado de maneira representativa: homens Negros hipersexualizados.

Acho chato quando as pessoas trazem falas de Frantz Fanon ou inventam coisas que ele não disserem. Para você que não está acostumado(a) com o intelectual martinicano ou vê seus pensamentos em discussões esvaziadas, trago o trecho copiado e colado do Pele Negra, Máscaras Brancas que infelizmente, repito aqui sempre e vou ter que trazer mais uma vez:

“Para a maioria dos brancos, o negro representa o instituto s3xual (não educado). O preto encarna a potência g3nital acima da moral e das interdições. As brancas, por uma verdadeira indução, sempre percebem o preto na porta impalpável do
reino dos sabás, das b4canais, das sensações sexuais alucinantes[…] O branco que atribui ao negro uma influência maléfica regride no plano intelectual pois, como o demonstramos, ele se inteirou desses conteúdos com a idade mental de oito anos (periódicos ilustrados).[…]Passividade que se explica pelo reconhecimento da
superioridade do negro em termos de virilidade s3xual?”

Ora, o mesmo espetáculo (incontestável?) que foi assertivo em mostrar figuras proeminentes da cultura negra brasileira, em outro momento de destaque remontou 3 homens negros nessas condições. O palco que poderia ter sido um altar à diversidade e à representatividade (pois não teve protagonismo NEGRO) foi cenário mais uma vez da manutenção do imaginário de boa parte da população.

Foi mostrada ao mundo mais uma vez a imagem que ditos progressistas querem tanto apagar: a do homem Negro viril, s3xualizado e subserviente aos prazeres da branquitude. Ainda que falemos de representatividade, torna-se preocupante quem quer se ver representado na figura. Se o intuito é se reconhecer em algo, te pergunto: você ficou feliz em ver seu pai, seu irmão, seu filho, seu sobrinho ou você mesmo(a/e) naquela imagem? Se sim, me desculpe. Para longe de direitas e esquerdas, continuo conservador e ainda por cima, um homem Negro subrepresentado.

A quem essa agenda atende?

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