Matriarcado e Matrigestão – Luiza Mandela

O matriarcado é um modelo de gestão baseado na força, na potência e na centralidade da mulher, que atua como líder em uma comunidade.

Em uma comunidade matriarcal, não há concepção de gênero para o avanço do bem comum, pois o coletivo funciona e progride em torno da presença das duas partes: o homem e a mulher.
As sociedades matriarcais são pautadas no poder da criação e têm origem na mulher, tendo essa figura um poder maior que o da dominação.

Já a teoria dos dois berços, do Doutor e Professor Cheikh Anta Diop, parte do princípio de que a linhagem materna pode ser rastreada até o Ancestral Comum Mais Recente (MRCA), que seria a mulher mais antiga da qual a linhagem dos humanos viventes descende, e é transmitida apenas pela linhagem feminina.

A Eva Mitocondrial, grupo relativamente pequeno de mulheres que viveram na África há cerca de 200 mil anos, é o grupo do qual todos os humanos descendem.
A história da origem da humanidade pode ser rastreada até o deserto de Afar, na Etiópia, onde há cerca de quatro milhões de anos caminhava Lucy, nossa ancestral mais antiga registrada.

“As falésias do vale do Omo guardam registros da civilização em seu berço inicial, de como, a partir do domínio do fogo e do consumo de carne cozida, a sociedade evoluiu até o que é hoje. “

A teoria dos dois berços

De acordo com Diop, seria possível conjecturar em que bases comportamentais estariam suscetíveis os povos provindos de cada berço, tendo como elemento de análise a reconstrução das organizações políticas e sociais, de acordo com acesso aos recursos naturais e o clima de cada região.

Diop afirma que:   

O berço meridional confinado ao continente africano em particular caracteriza-se pela família matriarcal, pela criação do Estado-territorial, por oposição à Cidade-Estado ariana, pela emancipação da mulher na vida doméstica, pela xenofilia, pelo cosmopolitismo, por uma espécie de coletivismo social tendo como corolário a quietude, chegando até à despreocupação em relação ao futuro,  por uma solidariedade material de direito para cada indivíduo, e que faz com que a miséria material ou moral seja desconhecida até aos nossos dias; existem pessoas pobres, mas ninguém se sente só, ninguém está angustiado. No domínio moral, um ideal de paz, justiça, bondade, de um otimismo que elimina qualquer noção de culpa ou de pecado original nas criações religiosas ou metafísicas. 

O berço nórdico confinado à Grécia e a Roma caracteriza-se pela família patriarcal, pela Cidade-Estado (entre duas cidades existia, afirma Fustel de Coulanges, algo de mais intransponível do que uma montanha) percebe-se facilmente que é no contato com o mundo meridional que os nórdicos expandiram a sua concepção estatal para se erguer ao nível da ideia de um Estado territorial e de um império. O caráter particular destas Cidades-Estado, no exterior quais se era um fora da lei, desenvolveu o patriotismo no seu interior, bem como a xenofobia. O individualismo, a solidão moral e material, a repugnância pela existência, toda a matéria da literatura moderna que, mesmo sob os seus aspectos filosóficos, não representa outra coisa senão a expressão da tragédia de uma vida, cujo estilo remonta aos antepassados, constituem o apanágio deste berço.

Um ideal de guerra, de violência, de crime, de conquistas, herdado da vida nómada, tendo por corolário um sentimento de culpabilidade ou de pecado original que representa o fundamento dos sistemas religiosos ou metafísicos pessimistas são o apanágio do mesmo.

A importância do resgate das potências ancestrais negras para o empoderamento das meninas negras está diretamente relacionada à teoria dos dois berços de Cheikh Anta Diop.

Juntando os temas:

Ao resgatar as ancestrais negras, como as rainhas Nzinga Mbande e Amina, o Podcast Parentalidade Preta está trazendo à tona exemplos de liderança, resistência e luta que criaram para a construção de uma identidade positiva e fortalecida para meninas negras.

Essas referências ajudam a mostrar que as mulheres negras têm uma história de conquistas e superações, e que essa história deve ser valorizada e celebrada.Além disso, o resgate das potências ancestrais negras também ajuda a combater estereótipos e preconceitos que cercam a imagem da mulher negra.

Ao conhecer a trajetória de suas antepassadas, meninas negras podem se sentir parte de uma história de luta e resistência que vai além das questões relacionadas a cabelo e pele, e que engloba temas como a representatividade e o avanço em grupo, tendo raça como abordagem primária.

Portanto, o resgate das potências ancestrais negras é essencial para a construção de uma identidade positiva e empoderada para meninas negras, garantida para o fortalecimento da autoestima e para a luta contra o racismo e o sexismo.

O Podcast Parentalidade Preta é um exemplo de iniciativa que busca promover esse resgate, trazendo à tona histórias de mulheres negras que inspiram e empoderam. Não passe o mês da mulher sem ouvir essa conversa potente.

Te esperamos lá.

Ouça mais sobre o tema no Podcast Parentalidade Preta. você encontra no Spotify, no deezer, no Amazon Music e no Google Podcasts .

Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.

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{mergulho} pt10 – do direito de sentir à paternidade PRETA – Isaías Paixão Parentalidade Preta

No {mergulho} pt. 10 — Do direito de sentir à Paternidade Preta,converso com o psicólogo Isaías Paixão (@psicologo.isaiasnbp)sobre paternidade preta, masculinidade negra, trabalho, afetividade, racismo,saúde mental, cuidado e formação de crianças negras.A conversa atravessa a brutalização do corpo pelo trabalho, os limites de um modelo únicode pai negro, comunidade, representatividade, medo, cidade e o direito de homens negrosexistirem para além da força e da sobrevivência.Material expandidoTextos, dados, referências bibliográficas e outros materiais relacionados ao episódio:Acesse o material expandido do {mergulho} pt. 10.Apoie o Parentalidade PretaO Parentalidade Preta é uma iniciativa independente.Com o valor de até duas bebidas por mês, você já ajuda a manter podcasts, pesquisas,textos, rodas e outras ações em circulação.Conheça as formas de apoio.QUINTAL — 29 de agostoEncontro para homens negros que exercem cuidado.Cinco horas de roda, escuta e presença, sem gravação.Conheça o QUINTAL e faça sua inscrição.Conheça o Parentalidade PretaPodcast, textos, pesquisas e outras conversas sobrepaternidade negra, masculinidades negras, educação parental racializadae criação de crianças negras.Acesse parentalidadepreta.com.Se você acompanha o programa pelo Spotify, siga o Podcast Parentalidade Pretae deixe sua avaliação. Isso ajuda novas pessoas a encontrarem essas conversas.
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