Depois do Sol – aftersun

Há umas semanas, @umthiagoteixeira sugeriu que eu assistisse o #aftersun , que narra a viagem de um pai com sua filha. Os dois apenas. Eu confesso que fui meio reticente. Quase ignorei a sugestão por se tratar de uma narrativa desprovida da “boa e velha militância” que aparentemente focaria em uma relação de um pai branco e uma filha branca. O que realmente é.

O problema é que aftersun não é um filme. Ele é um convite à reflexão. Não no sentido de pensamento, mas a se enxergar enquanto filho e depois, pai.

Para olhares mais treinados pela mágoa com pais, logo se percebe que o filme não é sobre conexão, é sobre contrário: A desconexão. E isso me pegou logo de começo.

Muito rapidamente você percebe que aftersun não é uma narrativa que regista as férias de um pai e uma filha que não moram juntos. Ele retrata como a filha (que vive naquele local entre a infância e a adolescência e que ninguém sabe o nome) enxerga um pai lutando para se conectar com essa nova pessoa. Ele, o filme, fala dos descompassos.

Somente isso, seria suficiente para entender a falta de acertos nas tentativas de acessar os nossos e como é tão desastroso quando a gente erra. Tudo parece um erro RUDE, GROTESCO.

Eu pensava que aftersun seria um filme sobre lembranças e sobre como a gente deve aproveitar os momentos juntos. O que me pegou de novo, pois me levou pras férias da infância, quando todos viajavam exceto nós ou quando íamos, era unicamente estranho, pois eu não me sentia em casa e muito menos em famíla. Eu me sentia errado.

Ele (o filme) logo se mostrou cruelmente interessante, pois na verdade não é sobre uma filha que viaja com o pai. Ele é um filme sobre um pai que está em uma fase difícil da vida (depressão talvez) e não possui ferramentas para se conectar com a filha que está deixando de ser criança. Umas horas ela entende, outras em outras, se confunde mas em todas, observa.

Aftersun é um chamado para nós pais sobre a necessidade de entendermos que não estar emocionalmente bem pode ser ruim não só pra nós, mas também pra muita gente em volta. Sophie (como nossas crias) ainda não tem idade para entender o que acontece com o pai, mas uma coisa é certa: ela sente.

Assista.

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Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.

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CRIANDO CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL DE 2026 – ANA IMANI Parentalidade Preta

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