Ou eles também não são ausentes?

Que você já questionou a licença paternidade de 5 ou 20 dias, a gente já sabe. Que você já viu pessoas criticando a divisão igualitária de cargas no puerpério, a gente também sabe. Talvez essa discussão pudesse parar por aí, mas tenho pensado muito em uns pontos que me incomodam desde sempre.

Como essa discussão vai chegar até o mano que é motorista de aplicativo, ou o que entrega de bike, ou o que nem trabalho tem e precisa sair todos os dias para por a cara no Sol e conseguir trazer comida para casa? Ou esses também não são ausentes?

Como a gente vai discutir com um sistema capitalista neoliberal que cria em série mão de obra barata a partir da má distribuição de renda e faz com que homens Pretos tenham que trabalhar muito mais para conseguir a remuneração mais próxima o POSSÍVEL de uma pessoa branca com o mesmo nível de instrução?
Ou eles também não são ausentes?

Como a gente vai ficar aqui na internet com os nossos celulares na mão julgando as pessoas por um par de curtidas, comentários ou compartilhamentos sabendo que apenas nós, os privilegiados, temos acesso à essa discussão? Cadê as pessoas citadas acima pra gente poder sentar e conversar sobre divisão igualitária de cargas?
Ou eles também não são ausentes?

Falar da ausência paterna seja física ou no trato com as crias é um negócio muito lucrativo na internet hoje. Pessoas estão fazendo DINHEIRO com isso. Com essa crítica desmedida à paternidade (sem o S) como se todos estivessem aqui para ter a condição de discutir isso.

Sabe aquele ditado que fala que se você repetir uma mentira muitas vezes ela vira verdade? Pois é, já chegou o tempo em que falar que o pai (sem o S) é ausente, continua trazendo lucro pro sistema. Hoje ele faz isso no aplicativo, no irmão da bike, da moto, do presídio, do necrotério, da baixa escolaridade.

Esse sistema, para sua própria manutenção, precisa que o homem esteja fora de casa para normalizar a ausência pra próxima geração entender que é esse o fluxo.
Uma coisa é julgar quem tem condições de fazer e opta pelo contrário, mas esses são a minoria. Enquanto isso, tem gente falando mal daqueles outro caras.
Mas eles são só pais ausentes.

Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.

Ouça podcast [parenta].

{mergulho} pt10 – do direito de sentir à paternidade PRETA – Isaías Paixão Parentalidade Preta

No {mergulho} pt. 10 — Do direito de sentir à Paternidade Preta,converso com o psicólogo Isaías Paixão (@psicologo.isaiasnbp)sobre paternidade preta, masculinidade negra, trabalho, afetividade, racismo,saúde mental, cuidado e formação de crianças negras.A conversa atravessa a brutalização do corpo pelo trabalho, os limites de um modelo únicode pai negro, comunidade, representatividade, medo, cidade e o direito de homens negrosexistirem para além da força e da sobrevivência.Material expandidoTextos, dados, referências bibliográficas e outros materiais relacionados ao episódio:Acesse o material expandido do {mergulho} pt. 10.Apoie o Parentalidade PretaO Parentalidade Preta é uma iniciativa independente.Com o valor de até duas bebidas por mês, você já ajuda a manter podcasts, pesquisas,textos, rodas e outras ações em circulação.Conheça as formas de apoio.QUINTAL — 29 de agostoEncontro para homens negros que exercem cuidado.Cinco horas de roda, escuta e presença, sem gravação.Conheça o QUINTAL e faça sua inscrição.Conheça o Parentalidade PretaPodcast, textos, pesquisas e outras conversas sobrepaternidade negra, masculinidades negras, educação parental racializadae criação de crianças negras.Acesse parentalidadepreta.com.Se você acompanha o programa pelo Spotify, siga o Podcast Parentalidade Pretae deixe sua avaliação. Isso ajuda novas pessoas a encontrarem essas conversas.
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