Ou eles também não são ausentes?

Que você já questionou a licença paternidade de 5 ou 20 dias, a gente já sabe. Que você já viu pessoas criticando a divisão igualitária de cargas no puerpério, a gente também sabe. Talvez essa discussão pudesse parar por aí, mas tenho pensado muito em uns pontos que me incomodam desde sempre.

Como essa discussão vai chegar até o mano que é motorista de aplicativo, ou o que entrega de bike, ou o que nem trabalho tem e precisa sair todos os dias para por a cara no Sol e conseguir trazer comida para casa? Ou esses também não são ausentes?

Como a gente vai discutir com um sistema capitalista neoliberal que cria em série mão de obra barata a partir da má distribuição de renda e faz com que homens Pretos tenham que trabalhar muito mais para conseguir a remuneração mais próxima o POSSÍVEL de uma pessoa branca com o mesmo nível de instrução?
Ou eles também não são ausentes?

Como a gente vai ficar aqui na internet com os nossos celulares na mão julgando as pessoas por um par de curtidas, comentários ou compartilhamentos sabendo que apenas nós, os privilegiados, temos acesso à essa discussão? Cadê as pessoas citadas acima pra gente poder sentar e conversar sobre divisão igualitária de cargas?
Ou eles também não são ausentes?

Falar da ausência paterna seja física ou no trato com as crias é um negócio muito lucrativo na internet hoje. Pessoas estão fazendo DINHEIRO com isso. Com essa crítica desmedida à paternidade (sem o S) como se todos estivessem aqui para ter a condição de discutir isso.

Sabe aquele ditado que fala que se você repetir uma mentira muitas vezes ela vira verdade? Pois é, já chegou o tempo em que falar que o pai (sem o S) é ausente, continua trazendo lucro pro sistema. Hoje ele faz isso no aplicativo, no irmão da bike, da moto, do presídio, do necrotério, da baixa escolaridade.

Esse sistema, para sua própria manutenção, precisa que o homem esteja fora de casa para normalizar a ausência pra próxima geração entender que é esse o fluxo.
Uma coisa é julgar quem tem condições de fazer e opta pelo contrário, mas esses são a minoria. Enquanto isso, tem gente falando mal daqueles outro caras.
Mas eles são só pais ausentes.

Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.

Ouça podcast [parenta].

Quando a Casa Respira: Encerramento 2025 Parentalidade Preta

Este episódio especial encerra o ciclo 2025 do Parentalidade Preta com uma aula magna sobre tudo que compõe este território: história, cura, ancestralidade, masculinidades negras, paternidade e construção comunitária. Um convite para quem chega agora entender o universo completo da iniciativa e começar a escuta pelo episódio 1.Aqui você encontra um panorama profundo das principais iniciativas:[parenta] — Entrevistas, narrativas e conversas documentais sobre temas de grande impacto social.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0eIohbdm7bFplgcWOp6hxs?si=FIbRKan7Q96z0PryKBWGSw&nd=1&dlsi=7fea58be88b2431b(RESENHA) — Trocas francas e bem-humoradas entre pais pretos sobre desafios, afetos e cotidiano.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/7b8J4Keoet4IlFARYkFcxO?si=UF1XEBj4Rw-Y6s3ld9ISbA&nd=1&dlsi=bec5390599194b4c{mergulho} — Encontros íntimos sobre masculinidades pretas e cura emocional.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0QGKb9H0QoqxpFCdVK5yYJ?si=81a8f86890814b2c&nd=1&dlsi=f856631bce7c42ccRodas de Conversa Virtuais — Espaço de troca e comunidade entre pais de diferentes regiões.Séries Documentais em Áudio, que unem história, afeto e memória:• Diop: Estrelas Negras no Céu do Egito: https://parentalidadepreta.com/2023/12/29/diop-estrelas-negras-no-ceu-do-egito/• Frantz Fanon: Irredutivelmente Negro• Travessia: A Escola de Escuta Afrocentrada do Parentalidade Pretahttps://parentalidadepreta.com/2025/10/30/travessia-escola-de-escuta-afrocentrada-do-parentalidade-preta/Este episódio é também um guia de escuta para novos ouvintes, apresentando o Currículo de Escuta Afrocentrada e explicando como cada série, conversa e especial foi construído para formar consciência, afeto e responsabilidade a partir de uma perspectiva preta, afrocentrada e comunitária.Ao final, compartilho o porquê de um hiato necessário: tempo de memória, estudo, fé e recomposição para preparar a próxima travessia da iniciativa.Se você está chegando agora, este é o seu ponto de partida.Se você já caminha conosco, é a casa acendendo uma última vela antes de descansar.Apoie a iniciativa : 🔗⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://apoia.se/parenta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Não deixe de compartilhar suas impressões aqui nos comentários.Acompanhe a página⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@Parentalidade_Preta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ .Bora pra mais uma?Esse podcast é produzido pela⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠+3dB Áudio!
  1. Quando a Casa Respira: Encerramento 2025
  2. TRAVESSIA #5 – ORGULHO PRETO
  3. Jairo Pereira – a travessia dos homens pretos
  4. TRAVESSIA #4 – Afrocentricidade Pt.2
  5. Omoloji Àgbára — quando o sentimento é também resistência

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