Eu sou mais pai do que filho.

Tava pensando aqui com esse #tbt de Benja bebezuco em como as crias mudam tanto quando passam a interagir mais conosco e nos trazer devolutivas.

Eu lembro de como eu acreditava que ia ser o melhor pai do mundo e entregar a ele todas as soluções pras necessidades das faltas que eu tive enquanto filho e as estratégias que criei pra isso.

Nesse processo passei por vários grupos de paternidade(sem o S) e sempre percebi a mesma coisa: a competitividade e a falta de conexão. Esse fator me fez sentir cada vez mais solitário na minha paternidade e demorou anos pra eu entender que o problema não era eu. Eu não era o pai chato.

Pude perceber como o sistema (patriarcal, colonial e todos os males advindos) nos coloca em um local de provação, de mostrar como somos invulneráveis e autossuficientes, de como acabamos nos isolando para tentar não sermos questionáveis enquanto as nossas faltas de capacidade de lidar com a paternidade de uma maneira real: a de quem não dá conta emocionalmente desse atravessamento.

Quero dizer aqui é que o sistema nos faz querer performar uma paternidade que não condiz com a nossa condição enquanto homens PR3T05 e que a gente via de regra, acha que vai resolver esse B.O. sozinho e ainda curar as nossas feridas causadas pelos nossos Pais.

Eu busco constantemente me por no lugar onde fui atravessado pelo patriarcado, o de Filho e entender como, enquanto Pai posso quebrar esse ciclo de abandono, autoabandono, sabotagem e autossabotagem.

Tenho percebido que para mim só existe uma solução: a conexão com outros Pais, que também foram filhos e também entendem o que essas faltas causam. Tenho percebido, no fim das contas que agora é a minha vez de barrar isso pra próxima geração de homens da minha família.

Entendamos agora que dá tempo de resolver o que nos atravessou no passado, pois os nossos futuros já estão aí conosco.

Hoje, eu sou mais Pai do que Filho.

Quais são as suas faltas? Bora trocar uma idéia?

Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.

Ouça podcast [parenta].

{mergulho} pt10 – do direito de sentir à paternidade PRETA – Isaías Paixão Parentalidade Preta

No {mergulho} pt. 10 — Do direito de sentir à Paternidade Preta,converso com o psicólogo Isaías Paixão (@psicologo.isaiasnbp)sobre paternidade preta, masculinidade negra, trabalho, afetividade, racismo,saúde mental, cuidado e formação de crianças negras.A conversa atravessa a brutalização do corpo pelo trabalho, os limites de um modelo únicode pai negro, comunidade, representatividade, medo, cidade e o direito de homens negrosexistirem para além da força e da sobrevivência.Material expandidoTextos, dados, referências bibliográficas e outros materiais relacionados ao episódio:Acesse o material expandido do {mergulho} pt. 10.Apoie o Parentalidade PretaO Parentalidade Preta é uma iniciativa independente.Com o valor de até duas bebidas por mês, você já ajuda a manter podcasts, pesquisas,textos, rodas e outras ações em circulação.Conheça as formas de apoio.QUINTAL — 29 de agostoEncontro para homens negros que exercem cuidado.Cinco horas de roda, escuta e presença, sem gravação.Conheça o QUINTAL e faça sua inscrição.Conheça o Parentalidade PretaPodcast, textos, pesquisas e outras conversas sobrepaternidade negra, masculinidades negras, educação parental racializadae criação de crianças negras.Acesse parentalidadepreta.com.Se você acompanha o programa pelo Spotify, siga o Podcast Parentalidade Pretae deixe sua avaliação. Isso ajuda novas pessoas a encontrarem essas conversas.
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