Material expandido do (RESENHA)
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No (RESENHA) nº30, a escuta virou ferramenta de travessia. O ponto de partida foi o álbum HASOS, de Baco Exu do Blues, mas a conversa rapidamente deixou de ser sobre música. O disco foi tratado como território sensível. Cada faixa abriu uma possibilidade de leitura sobre identidade, masculinidade, dor e reconstrução. Não foi crítica musical. Foi encontro. Foi leitura de si a partir do outro.
A estética do álbum puxou o grupo para um lugar de contraste. Luz e sombra. Exposição e proteção. Referências visuais e simbólicas que dialogam com obras como as de Caravaggio apareceram como chave de leitura. Mas o que ficou mesmo foi a percepção de que esse jogo não está só na arte. Ele está na vida de quem escuta. No corpo de quem tenta se manter inteiro enquanto atravessa o mundo.
HASOS foi entendido como um processo terapêutico em voz alta. Um homem preto narrando suas contradições sem pedir licença. E isso mexe. Porque rompe com a ideia de que masculinidade preta precisa ser sempre firme, sempre resolvida, sempre impenetrável. O disco mostra rachaduras. E ao mostrar, convida. Nem todo mundo aceita esse convite.
A faixa “Gladiadores de Areia” abriu uma das conversas mais importantes da noite. Nem toda luta precisa ser travada. Nem todo confronto precisa ser vencido. Existe um saber em escolher onde colocar energia. Existe um limite entre resistência e desgaste. E reconhecer isso não é fraqueza. É estratégia de permanência.
No fim, o (RESENHA) nº30 deixou claro que a música é só o meio. O que está em jogo é outra coisa. É a possibilidade de homens pretos se escutarem sem armadura. De elaborarem suas histórias sem precisar performar dureza. HASOS ofereceu o espelho. A roda fez o resto.

O (RESENHA) nº 29 é esse território. Um espaço onde indignação não basta, mas também não é silenciada. Onde o hip hop é visto como linguagem de construção e não apenas de denúncia. Onde a pergunta “Quanto vale o show?” volta como espelho e não como slogan.
Não há conclusão definitiva. Há continuidade.
O episódio marca o retorno da roda em 2026. Número 29. Não como espetáculo. Como permanência. A conversa segue aberta porque a arte segue viva. E nós também.
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Diego Silva
Educador Parental certificado pela Positive Discipline Association, Escritor, Ensaísta, e Produtor Executivo do Parentalidade Preta.
