Material expandido do Podcast [parenta].
Assista um trecho

[parenta]#35
Saudações!
Há conversas que não servem para informar.
Servem para deslocar.
A troca com Ingrid Sateré Mawé, no episódio #35 do [parenta], não é uma entrevista no sentido comum. É um ajuste de eixo. Um chamado para revisar o ponto de partida a partir do qual falamos de política, democracia, infância e futuro.
Ingrid não começa do poder institucional. Ela começa da origem. Do fato incômodo de que o Brasil aprendeu a se narrar ignorando quem estava aqui antes. E de como essa negação não é apenas histórica, mas cotidiana, pedagógica, transmitida geração após geração.
Quando Ingrid fala de mulheres indígenas na política, ela não está reivindicando representatividade simbólica. Está falando de reconfiguração do chão. De como a presença indígena, especialmente a presença feminina, desmonta estereótipos, expõe o racismo estrutural e exige algo maior do que inclusão: um pacto civilizatório.
A conversa atravessa temas que raramente são colocados juntos com honestidade. Parentalidade, masculinidades, infância indígena, violência colonial, democracia racial e responsabilidade coletiva. Tudo isso sem pressa de concluir. Sem slogans. Sem transformar dor em espetáculo.
Um dos pontos mais potentes do episódio é quando a parentalidade aparece não como técnica de criação, mas como gesto político. Criar crianças indígenas no Brasil, diz Ingrid, é fortalecer autoestima em um país que vigia corpos não brancos desde cedo. É ensinar silêncio como saber. Presença como herança. Continuidade como forma de resistência.
O [parenta] existe para esse tipo de escuta. Um espaço onde o pensamento não é reduzido a opinião rápida e onde ouvir não é consumir conteúdo, mas atravessar uma conversa que continua reverberando depois que o áudio termina.
Esse episódio não entrega respostas prontas sobre o Brasil. Ele exige algo mais difícil: que a gente reveja de onde fala, quem escuta e quem foi sistematicamente silenciado para que a ideia de país se sustentasse.
Se você sente que só ler sobre isso não basta, o episódio está disponível nas plataformas. Ouvir Ingrid Sateré Mawé é aceitar que não dá para seguir pensando igual depois.
O [parenta] segue.
Como campo de escuta.
Nunca como vitrine.
Sobre a convidada:
Ingrid Sateré Mawé é mulher indígena do povo Sateré Mawé, nascida em Manaus, ativista e liderança política. Atua na defesa dos direitos dos povos originários, com foco na participação de mulheres indígenas nos espaços de poder, no enfrentamento ao racismo estrutural e à violência colonial, e na construção de políticas públicas a partir da ancestralidade e da coletividade.
Sua trajetória articula política institucional, formação de juventudes e fortalecimento de mulheres indígenas, sempre recusando a folclorização e a representação isolada. Ingrid defende o reconhecimento dos povos indígenas como sujeitos políticos plenos e a necessidade de um pacto civilizatório que reposicione a origem indígena no centro da democracia brasileira.
No [parenta], sua presença reafirma que política não é apenas disputa de cargos, mas transmissão de mundo, responsabilidade com a infância e compromisso com o futuro coletivo.
Material Expandido do Podcast
Episódios que você deve ouvir:
Aqui está uma breve lista dos episódios referenciados no [parenta]#35 que ampliam essa construção:
1. Prólogo — O Berço Fala
A origem da humanidade volta a pulsar. Do coração da África, o primeiro grito do mundo ecoa através dos séculos. É o início de uma jornada que desafia narrativas coloniais e devolve ao continente o papel de autor da própria história.
Episódio 1 – Memórias Perdidas
A Martinica não era uma ilha. Era uma extensão do império.
Entre flores tropicais e canhões franceses, nasce um menino negro que estranha a homenagem a um branco.
É o começo da alienação.
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Nos vemos na Próxima! Se cuide!
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Deixei esse fórum aqui pra gente poder trocar mais a respeito do episódio, caso queria registrar algo aqui, fique à vontade.
Espero, de coração, que esse conteúdo tenha somado à experiência. Obrigado!
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Diego Silva
Educador Parental certificado pela Positive Discipline Association, Escritor, Ensaísta, e Produtor Executivo do Parentalidade Preta.
