Afrocentricidade em 12 Passos #99 -Junho/25 – Semana 4 – Lúcia Xavier

Lúcia Xavier é um dos grandes nomes quando falamos em luta por justiça social no Brasil. Assistente social formada pela UFRJ, começou sua militância ainda na adolescência, ao se engajar em grupos de estudo sobre marxismo em sua escola. Filha de uma trabalhadora doméstica e órfã de pai desde os dois anos, Lúcia encontrou na política uma forma de transformar a realidade de meninas e mulheres negras como ela. Desde então, sua trajetória se confunde com a história das mobilizações negras nas últimas quatro décadas.

Nos anos 1980, ela participou ativamente da fundação do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro e integrou coletivos como o AcordaCriola e o Instituto de Pesquisa de Cultura Negra. Essa fase foi marcada por articulações em bailes soul e nos espaços periféricos, onde o movimento negro pulsava com força. Em 1992, Lúcia fundou a ONG Criola, voltada ao enfrentamento do racismo, do sexismo e da LGBTfobia. A partir daí, sua atuação ganharia dimensão nacional e internacional, chegando à Organização das Nações Unidas.

Com Criola, Lúcia articulou políticas públicas que tocam em temas urgentes: saúde da mulher negra, justiça climática, combate à violência de gênero e racial. A ONG tornou-se referência por produzir dados, pressionar instituições e fortalecer redes de apoio em territórios onde o Estado é ausente. Ela também liderou projetos como o “Cartas do Cárcere” e iniciativas em parceria com o Fundo Elas e o Global Fund for Women, sempre com foco na vida das mulheres negras cis e trans.

Seu trabalho ultrapassa os limites da assistência social tradicional. Lúcia enxerga o cuidado como ato político e transforma cada ação em denúncia e proposta. Ao discursar na ONU e liderar comitês internacionais, leva consigo a experiência de quem conhece o chão da favela e os corredores da política institucional. Ela defende que lutar contra o racismo não é apenas um dever moral, mas uma questão de saúde pública e sobrevivência coletiva.

Outro ponto de destaque é sua atuação na Marcha das Mulheres Negras. Em 2015, ajudou a fundar esse movimento histórico que reúne vozes femininas negras de todo o Brasil. Agora, em 2025, prepara-se para mais uma edição da marcha em Brasília, levantando bandeiras como reparação histórica, combate ao racismo patriarcal cisheteronormativo e direito ao Bem Viver. Segundo ela, essas ações não são apenas protestos, mas afirmações de existência e dignidade.

Ao estudarmos a vida de Lúcia Xavier, entendemos que transformar o mundo exige mais que boas intenções — exige organização, coragem e continuidade. Seu legado mostra como é possível usar o saber, a escuta e o afeto como ferramentas de mobilização. Lúcia nos ensina que toda vez que uma mulher negra ocupa um espaço, ela não está só: leva com ela gerações inteiras de luta e esperança.

Roteiro para atividades com crianças inspirado na trajetória de Lúcia Xavier
(voltado para escolas, centros culturais ou espaços educativos comunitários)

Roda de conversa: “Quem cuida da gente?”
Inicie com uma conversa aberta sobre quem são as pessoas que cuidam e protegem nossa vida no dia a dia. Incentive a escuta e valorize falas espontâneas. Use isso como gancho para falar sobre o que é lutar por justiça e por um mundo melhor.

Contação de história baseada na vida de Lúcia Xavier
Adapte a biografia de Lúcia para uma narrativa acessível, com linguagem lúdica. Apresente sua infância, sua curiosidade por justiça, a fundação da Criola e a importância das mulheres negras. Use imagens, fantoches ou dramatizações para dar vida à história.

Atividade artística: “Retrato de uma heroína”
Peça que as crianças desenhem ou pintem como imaginam Lúcia Xavier ou outras mulheres negras que lutam por direitos. Estimule que expressem em cores, símbolos ou palavras o que entenderam da trajetória dela.

Jogo simbólico: “Missão Justiça”
Monte uma brincadeira em que as crianças percorrem desafios simbólicos (respeito, coragem, solidariedade, escuta, empatia) até formar uma rede de proteção. Cada etapa representa um valor defendido por Lúcia e por outras ativistas.

Painel coletivo: “Palavras que mudam o mundo”
Com cartolina ou mural, estimule os pequenos a escrever ou colar palavras e frases que representem transformação e cuidado com os outros, como “escuta”, “respeito”, “igualdade”, “força”, “comunidade”. As mais novas podem usar desenhos ou adesivos.

Atividade intergeracional: “Quem são as Lúcias do nosso bairro?”
Proponha que as crianças conversem com mulheres da família ou da comunidade para descobrir histórias de luta, trabalho e cuidado. Depois, compartilhem em forma de cartinha, desenho ou vídeo o que aprenderam com essas mulheres.

Essas atividades não apenas celebram a trajetória de Lúcia Xavier, mas também criam oportunidades para cultivar empatia, consciência social e valorização da luta das mulheres negras desde cedo.


Curiosidades sobre Lúcia Xavier que você precisa conhecer!

  1. Lúcia começou a militar com apenas 14 anos, quando criou um grupo de estudos sobre marxismo na escola.
  2. Antes de ser ativista, foi frequentadora assídua dos bailes de soul music nos subúrbios do Rio — onde o movimento negro se encontrava e se organizava.
  3. É fundadora da ONG Criola, uma das mais importantes organizações brasileiras no combate ao racismo e ao sexismo.
  4. Já representou o Brasil em eventos da ONU, incluindo a Conferência de Durban e o Conselho de Direitos Humanos.
  5. Participou da criação do Disque Defesa Homossexual, um dos primeiros serviços públicos para acolher pessoas LGBTQIAPN+.
  6. Liderou projetos sobre saúde das mulheres negras, articulando ações com mais de 26 comunidades do Rio.
  7. Foi assessora parlamentar e ajudou a redigir políticas de enfrentamento ao racismo institucional.
  8. Recebeu homenagens como a Medalha Chiquinha Gonzaga, por sua atuação em direitos humanos.
  9. É uma das idealizadoras da Marcha das Mulheres Negras, que acontece em Brasília desde 2015.
  10. Lúcia Xavier acredita que lutar por justiça é um ato de cuidado coletivo — e segue firme aos 65 anos, inspirando novas gerações.

Referências principais:

  1. Wikipédia – Lúcia Xavier
    Página biográfica com dados sobre sua formação, militância, trajetória política e atuação na ONG Criola.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Lúcia_Xavier
  2. Alma Preta Jornalismo – Lúcia Xavier: 32 anos de combate ao racismo contra mulheres e meninas cis e trans
    Reportagem publicada em 9 de março de 2025, com destaque para as ações atuais da ativista e sua atuação na ONU.
    https://almapreta.com (conteúdo acessado diretamente no corpo da pergunta)
  3. Geledés – Instituto da Mulher Negra
    Artigo: Lúcia Xavier recebe homenagem por valorização e defesa dos Direitos Humanos, 26 de março de 2018.
    https://www.geledes.org.br
  4. Revista Em Pauta (UERJ)
    Artigo de Joilson Santana Marques Júnior: Lúcia Xavier: uma “pegada” radical contra as violações de direitos, publicado no segundo semestre de 2015, v. 13, n. 36, p. 333–345.
  5. Câmara Municipal do Rio de Janeiro
    Requerimento Nº 407/2014 – homenagem a Lúcia Xavier pela atuação em direitos humanos.
    http://www.camara.rj.gov.br

Espero que esse conteúdo te ajude! Até a próxima!

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