Joel Rufino dos Santos foi um dos intelectuais negros mais relevantes da história recente do Brasil. Nascido no Rio de Janeiro em 1941, viveu intensamente os embates políticos e sociais de seu tempo. Atuou como historiador, romancista, professor e militante, sendo preso durante a ditadura militar por sua participação na Ação Libertadora Nacional. Essa experiência o aproximou ainda mais das lutas por justiça social, democracia e memória, temas que permearam toda a sua produção intelectual e literária.
Após a Anistia, em 1979, Joel retomou sua trajetória acadêmica e política. Presidiu a Fundação Palmares, estreitando o diálogo com comunidades quilombolas e promovendo o reconhecimento de suas identidades culturais. Também coordenou as celebrações dos 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares, marcando simbolicamente o papel da história negra na construção do Brasil. Sua atuação se estendeu por diversas frentes, do magistério à gestão pública, sempre pautada pelo compromisso com os marginalizados.
Sua obra é vasta, transitando entre a literatura infantil, o romance, a dramaturgia e o ensaio histórico. Com linguagem acessível e provocadora, Joel produziu textos fundamentais para repensar a história do Brasil sob a ótica dos oprimidos. Publicou títulos como Zumbi, O que é racismo, Abolição e História política do futebol brasileiro, além de contos e crônicas voltados ao público infantojuvenil, que continuam a formar leitores críticos até hoje.
Como escritor, foi diversas vezes premiado. Recebeu dois prêmios Jabuti e o Orígenes Lessa, além de ser indicado três vezes ao Hans Christian Andersen, considerado o “Nobel” da literatura infantil. Sua escrita afetiva, repleta de imaginação e compromisso político, dialogava com crianças e adultos de maneira potente, permitindo que temas como racismo, desigualdade e ancestralidade fossem tratados com sensibilidade e firmeza.
Até seus últimos dias, manteve-se fiel a seus princípios. Pouco antes de falecer, em 2015, salvou um jovem negro de um linchamento em Copacabana, reafirmando sua prática cotidiana de luta contra o racismo. Sua morte não interrompeu sua voz: deixou inéditos dois romances que mergulham em territórios simbólicos e históricos da negritude, publicados postumamente pela Editora Pallas.
Joel Rufino dos Santos é um nome que inspira ação, leitura e resistência. Seu legado ultrapassa a bibliografia extensa: vive no gesto de cada educador que luta por uma escola antirracista, em cada criança que se vê representada em seus livros, e em cada brasileiro que compreende a importância de conhecer a história a partir das vozes silenciadas. Conhecer sua obra é um passo essencial para formar novas gerações comprometidas com um país mais justo.
Roteiro de Atividades – “Joel Rufino: palavras que libertam”
Criação Coletiva – História com Consciência
Em pequenos grupos, as crianças criam uma história curta inspirada nos temas que Joel abordava: respeito às diferenças, resistência, coragem para mudar o mundo. As histórias podem ser ilustradas e virarem um “livrinho coletivo” da turma.
Apresentação Afetiva
Inicie a atividade com uma roda de conversa apresentando quem foi Joel Rufino dos Santos. Mostre imagens, leia pequenos trechos de suas obras infantis e conte que ele foi preso por lutar contra as injustiças, mas nunca deixou de escrever e acreditar na educação.
Leitura Compartilhada
Escolha um dos livros infantojuvenis de Joel Rufino, como “O presente de Ossanha” ou “Quando eu voltei, tive uma surpresa”, e faça a leitura em grupo. Para os pequenos, pode ser em formato de contação; para os maiores, leitura guiada com perguntas de interpretação crítica.
Linha do Tempo Ilustrada
Crie uma linha do tempo no mural da sala destacando momentos importantes da vida de Joel: nascimento, prisão, prêmios, livros, Fundação Palmares, etc. Peça para cada criança desenhar um momento e colar no mural.
Oficina de Cartas ou Bilhetes
Inspirado em “Quando eu voltei, tive uma surpresa”, convide as crianças a escreverem uma carta fictícia para alguém importante em suas vidas, contando como se sentem ou o que desejam para o futuro. Quem ainda não escreve pode ditar e ilustrar.
Árvore da Resistência
Monte uma árvore simbólica com papel kraft. Cada folha será uma palavra ou valor que Joel defendeu: liberdade, coragem, memória, livros, quilombo, criança, leitura, justiça, etc. As crianças podem criar essas folhas após uma discussão sobre esses conceitos.
Você conhece Joel Rufino dos Santos? Aqui vão 10 curiosidades para despertar sua consciência:
- Foi preso durante a ditadura por lutar contra a injustiça e a desigualdade racial.
- Escreveu cartas ao filho de 8 anos enquanto estava encarcerado — que viraram livro premiado.
- Presidiu a Fundação Palmares e iniciou o reconhecimento oficial dos quilombos no Brasil.
- Escreveu mais de 50 livros — de história, ficção, teatro, literatura infantil e infantojuvenil.
- Ganhou dois prêmios Jabuti e foi indicado três vezes ao Hans Christian Andersen.
- Salvou um jovem negro de um linchamento dias antes de falecer, mesmo com a saúde frágil.
- Criou livros didáticos para recontar a história do Brasil do ponto de vista dos oprimidos.
- Publicou romances póstumos sobre o exílio africano e a ditadura brasileira.
- Foi também autor de peças de teatro e minisséries de TV.
- Defendia que a literatura deve emocionar, libertar e formar consciência crítica desde cedo.
Joel Rufino é leitura urgente. E viva.
Aqui estão as referências utilizadas para a construção do texto e das atividades sobre Joel Rufino dos Santos:
Fontes biográficas e bibliográficas:
- DUARTE, Eduardo de Assis (Org.) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Vol. 2 – Consolidação. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
- COUTINHO, Afrânio. Enciclopédia de Literatura Brasileira. São Paulo: Global Editora, 2001.
- OLIVEIRA, Eduardo de. Quem é Quem na Negritude Brasileira. São Paulo: Edição do autor, 1998.
- FONSECA, Maria Nazareth Soares. Poesia Afro-brasileira – vertentes e feições. In: O Eixo e a Roda, Vol. 15, Jul.-Dez. 2007.
- Informações de obras e trajetória publicadas nos sites:
- Portal G1 – Entrevistas e perfis sobre Joel Rufino
- Geledés – Instituto da Mulher Negra
- Literafro – Portal da Literatura Afro-Brasileira (UFMG)
- Editora Pallas, responsável pelas obras póstumas do autor.
Obras mencionadas:
- Zumbi (1985)
- Quando eu voltei, tive uma surpresa (2000)
- O presente de Ossanha (2000)
- O barbeiro e o judeu da prestação… (2008)
- O amor e o nada (2023, póstumo)
- O rio das almas flutuantes (2023, póstumo)

Deixe um comentário