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Maternidade preta: criar ou sobreviver?
Maternidade é, para muitas mulheres, um processo de descoberta, crescimento e construção de um futuro para seus filhos. Mas, para as mães pretas, essa jornada se torna algo muito mais complexo: além de criar, é preciso garantir a sobrevivência. Como é ser mãe em um país onde seu filho pode não voltar para casa simplesmente por existir? Como se equilibrar entre o desejo de proporcionar uma infância plena e a urgência de prepará-los para um mundo que não os quer vivos?
Essa não é uma questão abstrata. É uma realidade cotidiana para milhares de mulheres negras. Em suas rotinas, elas enfrentam desafios que vão muito além da maternidade tradicional: a vigilância constante, o medo das violências raciais e a necessidade de fortalecer seus filhos desde cedo contra um sistema que os marginaliza. Criar ou sobreviver? Essa escolha existe, ou ela já foi feita por elas?
No episódio [parenta] #17 – “Maternagem Preta”, Sarah Carolina nos leva para dentro dessa experiência. Em um dos momentos mais marcantes da conversa, ela diferencia o que significa ser mãe preta e ser mãe branca: enquanto as mães brancas podem focar no desenvolvimento emocional e na autonomia dos filhos, as mães pretas carregam a responsabilidade de prepará-los para um mundo que os vê como ameaça.
Já no episódio [parenta] #28 – “Maternidade Preta Pt.2”, Beatriz Martins reforça esse pensamento. Em sua fala, fica evidente como o peso da maternidade negra ultrapassa o cuidado e a criação, tornando-se um ato político. Para muitas mães pretas, cada escolha – desde a escola até a forma de falar com seus filhos – é feita sob a sombra de uma sociedade que, historicamente, as negligencia e os rejeita.
Se a maternidade branca se preocupa em criar, a maternidade preta precisa garantir que seus filhos não sejam lidos como perigosos, que saibam como se comportar para não serem alvo, que tenham uma chance de simplesmente existir. Como equilibrar tudo isso sem sufocar a infância? Como proteger sem limitar? Como amar sem endurecer?
O que significa ser um pai preto?
Espero, de coração, que esse conteúdo tenha somado à experiência do podcast. Obrigado!

Diego Silva
Homem Preto não retinto;
Esposo de Tatiane e
Pai de Benjamin e Aurora.

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