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O que significa ser um Pai Preto?
A paternidade preta, desde sempre, foi atravessada por narrativas de ausência. Mas quem determina essa ausência? E quem se beneficia dela? No Brasil, o homem preto foi afastado da estrutura familiar desde a escravidão, impedido de ser referência para seus filhos e sequestrado pelo trabalho exaustivo ou pela violência do Estado. Mesmo assim, a paternidade preta resiste e se reconstrói. Mas o que significa, afinal, ser um pai preto presente?
Homens pretos que escolhem estar ao lado de suas crias são muitas vezes vistos como exceções. No episódio #23 do [parenta], KL Jay reflete sobre esse atravessamento, falando sobre o peso da responsabilidade de ser pai e de como a sociedade ainda trata isso como um fenômeno raro. Ricardo Jaheem, no episódio #24, aprofunda essa discussão ao relatar como a sua ausência paterna moldou sua identidade e como o matriarcado negro o acolheu. Já no episódio #3, Jairo Pereira nos convida a pensar como a paternidade pode ser exercida sem reproduzir o patriarcado, sem apenas ocupar um lugar de provedor, mas sim um espaço de construção de afeto e presença.
A paternidade preta está sempre no centro de uma disputa. De um lado, uma estrutura que afasta homens negros de suas famílias; de outro, uma luta diária para se manter presente, reescrever histórias e criar novas referências para as próximas gerações. A ausência é um projeto, e a presença, um ato de resistência. Mas que presença é essa? Como ela pode ser exercida para além do simples “estar lá”?
A vivência de cada um desses convidados aponta para um ponto em comum: a paternidade preta não pode ser apenas um modelo copiado da branquitude, mas sim uma construção baseada na coletividade, no afeto e no compromisso real com as crias. KL Jay, Ricardo Jaheem e Jairo Pereira trazem perspectivas que se cruzam e revelam o desafio de ser um pai preto em uma sociedade que não espera — e muitas vezes nem permite — que essa paternidade aconteça plenamente.
Neste episódio, voltamos a esses encontros para entender como a paternidade preta pode ser pensada para além da sobrevivência e para além da ausência. O que significa, de fato, ser um pai preto presente? Como esse lugar pode ser exercido de maneira ativa, sem que a presença seja apenas um reflexo da culpa, mas sim um compromisso genuíno com a construção de um futuro mais justo?
O que significa ser um pai preto?
Espero, de coração, que esse conteúdo tenha somado à experiência do podcast. Obrigado!

Diego Silva
Homem Preto não retinto;
Esposo de Tatiane e
Pai de Benjamin e Aurora.

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