Afrocentricidade em 12 Passos #90 -Fevereiro/25 – Semana 3 – Nilma Lino Gomes

Nilma Lino Gomes é uma referência no campo da educação, das relações étnico-raciais e das políticas de inclusão no Brasil. Pedagoga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trilhou uma trajetória acadêmica sólida, conquistando o título de mestra em Educação pela mesma instituição, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, além de um pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Sua formação acadêmica reflete o compromisso com a compreensão das dinâmicas sociais e educacionais no país, sempre com um olhar atento às questões de diversidade e equidade.

Como professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG, Nilma tem dedicado décadas ao ensino, pesquisa e extensão, atuando também na pós-graduação em Educação, Conhecimento e Inclusão Social. Desde 2019, mesmo aposentada, continua contribuindo voluntariamente com a universidade, compartilhando seu conhecimento e experiência na formação de novas gerações de educadores. Durante sua trajetória, coordenou o Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Ações Afirmativas na UFMG entre 2002 e 2013, um marco na implementação de políticas de acesso e permanência de estudantes negros no ensino superior.

Além de sua atuação acadêmica, Nilma Lino Gomes também teve papel fundamental na construção de políticas públicas voltadas para a igualdade racial. Foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e posteriormente ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos no governo Dilma Rousseff. Sua passagem pelo poder público reforçou sua capacidade de articular conhecimento acadêmico e ação política na busca por um Brasil mais justo e inclusivo.

Seu trabalho tem sido amplamente reconhecido, sendo agraciada com prêmios de grande relevância, como o Prêmio Magda Soares de Pesquisa em Educação (2020), o Prêmio Carolina Bori, Ciência Mulher, na área de humanidades (2022) e a medalha Roquete Pinto pela sua contribuição à Antropologia Brasileira. Também recebeu a medalha Reitor Mendes Pimentel por sua dedicação à UFMG, instituição onde construiu boa parte de sua trajetória acadêmica e profissional.

Os temas que norteiam suas pesquisas incluem diversidade cultural, formação de professores, desigualdades raciais e sociais, políticas educacionais e o papel dos movimentos sociais na transformação da educação. Nilma tem uma produção intelectual vasta, com livros e artigos que dialogam com a construção de uma educação antirracista. Seu livro “Infâncias Negras, vivências e lutas por uma vida justa”, coorganizado com Marlene de Araújo, foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2024, destacando-se como uma importante contribuição ao debate sobre infância e equidade.

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação e a luta contra o racismo, Nilma Lino Gomes segue sendo uma inspiração para educadores, pesquisadores e ativistas. Seu legado evidencia a importância de políticas afirmativas e de uma formação docente que valorize a diversidade e a inclusão, elementos essenciais para a construção de um país mais igualitário e consciente de sua pluralidade cultural.

Roteiro de Atividades para Crianças de Todas as Idades – Inspirado na Trajetória de Nilma Lino Gomes

Introdução ao Tema

  • Apresentação breve sobre Nilma Lino Gomes, destacando sua trajetória como educadora e pesquisadora.
  • Discussão sobre diversidade, equidade racial e inclusão na educação, de forma acessível e lúdica para as crianças.
  • Exibição de imagens e pequenos vídeos sobre a importância da representatividade negra na escola e na sociedade.

Atividades Lúdicas para a Primeira Infância (0 a 6 anos)

  • Contação de Histórias Afrocentradas: Narrativas sobre crianças negras protagonistas, valorizando a diversidade estética e cultural.
  • Brincadeiras Tradicionais Africanas e Afro-Brasileiras: Jogo da amarelinha, brincadeiras com cantigas africanas, parlendas e adivinhas.
  • Exploração Sensorial: Uso de tecidos, penteados e adereços para que as crianças experimentem diferentes texturas e formas culturais.

Atividades para Crianças da Segunda Infância (7 a 12 anos)

  • Jogo da Identidade: Dinâmica onde cada criança cria um “escudo” com símbolos que representam sua cultura e ancestralidade.
  • Ateliê de Beleza e Identidade: Reflexão sobre os diferentes tipos de cabelo e beleza negra, com confecção de bonecas de tecido e ilustrações.
  • Linha do Tempo das Políticas de Igualdade Racial: Atividade com recortes e colagens para entender momentos importantes da história da inclusão no Brasil.

Atividades para Adolescentes (13 anos ou mais)

  • Roda de Conversa: Reflexão sobre desigualdade racial e inclusão na educação, usando trechos de textos de Nilma Lino Gomes como base.
  • Sarau da Resistência: Apresentação de poesias, músicas e performances que abordam a identidade negra e a importância da ancestralidade.
  • Criação de Fanzines Antirracistas: Oficina para que os adolescentes produzam materiais informativos e artísticos sobre temas relacionados à educação e equidade racial.

Encerramento e Reflexão

Celebração com música e dança afro-brasileira, reforçando a importância da cultura na construção de identidade e autoestima.

Exposição dos trabalhos produzidos pelas crianças e adolescentes.

Compartilhamento de aprendizados em um mural coletivo.

10 Curiosidades sobre a Trajetória e a Contribuição de Nilma Lino Gomes

Nilma integra diversas entidades acadêmicas e científicas, como a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), sempre promovendo o debate sobre diversidade e inclusão.

Nilma Lino Gomes foi a primeira mulher negra a comandar uma universidade pública no Brasil, assumindo a reitoria da UNILAB em 2013.

Além de pedagoga, ela é doutora em Antropologia Social pela USP e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra.

Seu trabalho acadêmico e político sempre esteve ligado à luta contra o racismo e à defesa da educação inclusiva e antirracista.

Durante sua gestão no Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, ela ajudou a formular políticas de promoção da equidade racial no Brasil.

Como professora e pesquisadora, Nilma coordenou o Programa de Ações Afirmativas da UFMG, essencial para a implementação das cotas raciais na universidade.

Seu livro “Infâncias Negras, Vivências e Lutas por uma Vida Justa” foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2024.

Ela foi uma das principais vozes na defesa da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas.

Recebeu o Prêmio Carolina Bori, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), por sua contribuição às humanidades.

Seu doutorado teve como tema a identidade negra e a importância do cabelo crespo na construção da autoestima.

Referências Utilizadas

  • GOMES, Nilma Lino. Ações afirmativas na educação: experiências brasileiras. Autêntica Editora, 2010.
  • BRASIL. Lei 10.639/2003. Disponível em: www.planalto.gov.br
  • SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves. Educação para as relações étnico-raciais no Brasil. Revista Brasileira de Educação, 2004.

Espero que esse conteúdo te ajude! Até a próxima!

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