O Império Ashanti, fundado no século XVII na atual Gana, destacou-se como uma das civilizações mais influentes da África Ocidental. Com um sistema político centralizado e uma economia próspera baseada no comércio de ouro, os Ashanti construíram um legado de riqueza e força. Seu símbolo máximo de unidade, o Trono Dourado (Sika Dwa Kofi), representava a alma coletiva do povo, consolidando a identidade e a coesão entre os diferentes clãs. A capital Kumasi tornou-se o coração pulsante do império, abrigando mercados movimentados, templos sagrados e um exército disciplinado pronto para defender sua soberania.
A ascensão dos Ashanti teve início com a unificação dos clãs Akan sob a liderança visionária de Osei Tutu e seu conselheiro espiritual, Okomfo Anokye. Osei Tutu não apenas fortaleceu a organização política, mas também estabeleceu um sistema judicial coeso e uma administração eficiente. Seu exército, altamente organizado, permitiu que o império expandisse suas fronteiras, impondo tributos a territórios conquistados. Além disso, a diplomacia foi essencial para consolidar o domínio regional, garantindo alianças estratégicas com povos vizinhos.
A economia Ashanti girava em torno do comércio de ouro, um recurso abundante em suas terras. Osei Tutu decretou que todas as minas pertenciam ao rei, e o pó de ouro tornou-se a moeda oficial do império. Essa riqueza atraiu o interesse de potências europeias, como portugueses, holandeses e britânicos, que buscavam estabelecer rotas comerciais lucrativas. Além do ouro, os Ashanti investiram em exportações agrícolas e na produção de tecidos e esculturas refinadas, ampliando sua influência econômica.
Ao longo dos séculos, o império enfrentou diversos desafios, incluindo conflitos com estados vizinhos e a crescente interferência britânica. As Guerras Anglo-Ashanti marcaram a luta pela soberania do reino. Em algumas batalhas, os Ashanti saíram vitoriosos, capturando até mesmo o crânio de um general britânico como troféu. No entanto, a resistência enfraqueceu diante do poderio britânico, que, após sucessivas ofensivas, conseguiu anexar o território Ashanti à Colônia da Costa do Ouro em 1902.
Apesar da derrota militar, a cultura Ashanti permaneceu viva e influente. Atualmente, o Reino Ashanti ainda existe como uma monarquia tradicional dentro de Gana, com o Asantehene como sua figura central. A economia local continua a se beneficiar do comércio de ouro, cacau e outros produtos agrícolas. Os rituais ancestrais, a arte e os valores da sociedade Ashanti seguem sendo preservados, reafirmando a identidade do povo que um dia governou uma das civilizações mais prósperas da África Ocidental.
O legado do Império Ashanti ultrapassa fronteiras e resiste ao tempo, servindo como um símbolo de poder, cultura e resiliência. Sua história nos lembra da riqueza das civilizações africanas e de sua capacidade de enfrentar desafios, preservar tradições e inspirar novas gerações. O brilho do ouro Ashanti ainda reluz na memória do povo, mantendo viva a grandiosidade de um império que se recusou a ser apagado.
Roteiro de Atividades para Crianças sobre o Império Ashanti
Aquecimento e Introdução
- Apresentação lúdica sobre o Império Ashanti: mostrar imagens de arte, mapas e símbolos culturais.
- Perguntar às crianças o que elas imaginam quando pensam em um “império” e explicar de forma acessível o que foi o Império Ashanti.
- Contar uma breve história sobre Osei Tutu e o Trono Dourado, destacando valores como união e resistência.
Atividades Lúdicas e Criativas
🔸 Construindo um Trono Dourado
- Confeccionar pequenos tronos com papelão, tintas douradas e materiais recicláveis.
- Explicar a importância do Trono Dourado como símbolo de união do povo Ashanti.
- Pedir que as crianças criem seus próprios símbolos de força e coletividade.
🔸 Caça ao Ouro Ashanti
- Criar uma caça ao tesouro com “pó de ouro” (glitter dourado ou pedrinhas pintadas).
- Esconder pistas que revelem curiosidades sobre a economia e cultura Ashanti.
- Enfatizar a importância do ouro na sociedade Ashanti e como ele era usado como moeda.
🔸 História e Teatro Ashanti
- Contar a história das Guerras Anglo-Ashanti de forma teatralizada.
- Pedir que as crianças dramatizem momentos da resistência do povo Ashanti.
- Refletir sobre a importância de preservar a cultura diante dos desafios.
🔸 Música e Ritmos da África Ocidental
- Apresentar sons e ritmos tradicionais Ashanti.
- Convidar as crianças a criar batidas rítmicas com tambores e instrumentos improvisados.
- Falar sobre a conexão da música com a identidade e comunicação cultural.
Atividades de Reflexão e Expressão
🔹 Círculo da Ancestralidade
- Criar um espaço para que as crianças compartilhem o que aprenderam.
- Estimular a conexão entre o passado e o presente, falando sobre a importância da ancestralidade.
- Perguntar: “Se você fosse um líder como Osei Tutu, o que faria para unir seu povo?”
🔹 Mapa Interativo Ashanti
- Construir um mapa do Império Ashanti em um grande papel ou no chão com giz.
- Identificar territórios e explicar como funcionavam os estados tributários e as rotas comerciais.
- Usar bonecos ou figuras para representar personagens históricos.
🔹 Artesanato e Adornos Ashanti
- Produzir pulseiras e colares inspirados nas joias Ashanti.
- Conversar sobre a importância dos adornos como símbolos de identidade e status.
- Encorajar a personalização das peças com significados individuais.
Encerramento e Celebração
Reforçar a mensagem de que a história africana é rica, vibrante e cheia de lições para o presente.
Reunião final para compartilhar aprendizados e exibir criações.
Dança coletiva com ritmos africanos para celebrar a cultura Ashanti.
10 Curiosidades Impressionantes sobre o Império Ashanti
Ouro por toda parte! O Império Ashanti era tão rico em ouro que até o pó do metal precioso era usado como moeda no dia a dia.
Um trono vindo dos céus? Segundo a lenda, o Trono Dourado, símbolo máximo do império, teria descido do céu diante dos líderes Ashanti.
Resistência feroz! Os Ashanti lutaram contra os britânicos em cinco guerras e, em uma delas, capturaram o crânio de um general inglês e o transformaram em um cálice dourado.
História e espiritualidade unidas! Okomfo Anokye, sacerdote e conselheiro de Osei Tutu, foi um dos responsáveis pela unificação dos Ashanti, combinando estratégia política e crenças espirituais.
Mais que Gana! No auge do império, os Ashanti controlavam territórios que hoje pertencem a Gana, Costa do Marfim e Togo.
Economia poderosa! Além do ouro, os Ashanti também prosperaram no comércio de cacau, castanhas de cola e tecidos luxuosos.
Um império organizado! Osei Tutu criou um sistema de governo com leis bem definidas e um tribunal central, garantindo ordem e justiça no reino.
Dança e identidade! A cultura Ashanti tem danças tradicionais que representam batalhas, rituais de passagem e celebrações reais.
Coração da floresta! A região de Kumasi, capital do império, fica em uma floresta tropical, o que ajudou a proteger os Ashanti de invasores externos por muito tempo.
O Império ainda vive! Apesar da colonização britânica, o Reino Ashanti ainda existe como um estado tradicional dentro de Gana, e seu rei, o Asantehene, continua sendo uma figura de grande influência.
Referências Utilizadas
- Referências Utilizadas
- “Ashanti Empire” – Wikipedia, última modificação em 2 de abril de 2023. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Ashanti_Empire
- “Asante Empire” – Encyclopædia Britannica, última modificação em 15 de fevereiro de 2022. Disponível em: https://www.britannica.com/place/Asante-empire
- “Ashanti Empire/Asante Kingdom (18th to late 19th Century)” – BlackPast, acesso em 4 de abril de 2023. Disponível em: https://www.blackpast.org/global-african-history/ashanti-empire-asante-kingdom-18th-late-19th-century/

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