
Talvez você se lembre do seu pai ou avô, sentado em silêncio no canto da casa ou no quintal, com aquele radinho velho ao lado. Quando as coisas apertavam, ele não falava muito, não pedia ajuda. Apenas ligava o rádio, ouvia suas músicas e, às vezes, segurava um copo de bebida como se fosse a única companhia capaz de entender o peso que ele carregava. Era ali, no som do rádio e no silêncio de suas dores, que ele buscava alguma paz. Mas a verdade é que aquilo nunca foi solução — era apenas uma forma de esconder as feridas que ele não sabia como curar.
Homens como ele, da nossa família, da nossa comunidade, muitas vezes não tiveram as ferramentas para lidar com os próprios sentimentos. Foram ensinados a segurar tudo dentro, a não mostrar fraqueza, e o resultado disso muitas vezes foi um isolamento emocional, uma raiva silenciosa, que às vezes se voltava contra si mesmos ou contra aqueles que mais amavam.
Talvez você também tenha testemunhado isso — essa tristeza disfarçada de silêncio, essa dor que transbordava em olhares distantes ou gestos duros. E agora, pensando nisso, fica a reflexão: o que faltou para eles? O que poderíamos ter oferecido para que não precisassem se afogar em mágoas solitárias?
Hoje, temos a chance de olhar para trás com compaixão e entender que esses homens, nossos pais, avôs, tios, precisavam de algo que nunca lhes foi dado: ferramentas para lidar com suas emoções. Precisamos reconhecer o peso que carregaram em silêncio e, ao mesmo tempo, garantir que nossos meninos de hoje não precisem repetir esse ciclo. Ensinar que sentir não é fraqueza, que falar é libertador, e que buscar ajuda é sinal de força.
Lembrar do homem com seu radinho pode trazer saudade, mas também deve nos fazer pensar em como podemos criar novos caminhos. Caminhos onde o peso não precise ser carregado sozinho, onde a dor seja compartilhada, onde o cuidado com a saúde mental seja prioridade. E, assim, garantir que as próximas gerações cresçam mais livres e seguras, sem precisar esconder suas emoções.
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