[parenta] #33 – Paternidade Preta? – Henrique Restier

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Saudações!

A Paternidade Preta é um conceito que vai além do simples ato de criar filhos; ela é uma abordagem consciente e racializada que reconhece as especificidades e os desafios enfrentados por pais negros em um mundo moldado por estruturas de desigualdade e racismo. A Paternidade Preta busca proporcionar uma criação respeitosa e fortalecer as crianças negras, preparando-as para enfrentar e transformar a realidade em que vivem. Essa abordagem é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, onde as experiências e vozes das famílias negras são valorizadas e respeitadas.

Dentro desse contexto, a presença de uma Criança Preta na comunidade é de extrema importância. Crianças negras não são apenas membros da sociedade, mas também carregam consigo o potencial de transformar a comunidade e de contribuir para a preservação e valorização da cultura negra. Elas representam o futuro e, ao mesmo tempo, uma ligação com as tradições ancestrais que sustentam a identidade negra. O cuidado e a valorização dessas crianças são essenciais para garantir que elas cresçam com uma autoimagem positiva e com a capacidade de enfrentar os desafios do racismo estrutural.

A paternidade, para muitos homens negros, é uma experiência profundamente transformadora. Ela não apenas redefine as prioridades e valores, mas também oferece uma oportunidade única de contribuir diretamente para a criação de uma nova geração que possa desafiar as narrativas negativas frequentemente associadas à masculinidade negra. Os homens pretos, ao assumirem plenamente seu papel como pais, têm o poder de moldar a vida de seus filhos de maneira positiva, criando um ambiente que valoriza o respeito, a dignidade e o amor.

É crucial que os homens pretos encarem a paternidade como um compromisso sério e contínuo. Ser pai vai além da provisão material; trata-se de ser um modelo de comportamento, de transmitir valores e de estar emocionalmente presente. Ao abraçar a paternidade de maneira integral, os homens negros contribuem para a estabilidade emocional e social de suas famílias e, por extensão, de suas comunidades.

O papel da família na construção da comunidade não pode ser subestimado. A família é a unidade fundamental da sociedade, e é dentro dela que os valores e as tradições são transmitidos de geração em geração. Para a comunidade negra, que historicamente tem enfrentado a fragmentação familiar devido ao racismo e à desigualdade, fortalecer os laços familiares é essencial para a resistência e a sobrevivência cultural. Uma família unida e consciente de sua identidade é uma força poderosa na luta contra as opressões estruturais.

Hoje em dia, falar sobre paternidade é mais importante do que nunca. Em um mundo em constante mudança, onde os papéis de gênero e as estruturas familiares estão sendo questionados e redefinidos, discutir a paternidade permite que os homens repensem suas responsabilidades e contribuam para uma sociedade mais equilibrada e justa. Para os homens negros, em particular, essa discussão é vital, pois aborda as realidades únicas que enfrentam e as maneiras pelas quais podem resistir e superar os desafios impostos pelo racismo.

O colonialismo, sem dúvida, deixou uma marca profunda no conceito de Paternidade Preta. As políticas coloniais frequentemente visavam desmantelar as estruturas familiares nas comunidades negras, desvalorizando o papel do homem negro como pai e provedor. Essa herança continua a influenciar as percepções e as experiências da paternidade entre homens negros hoje. No entanto, reconhecer esse legado é o primeiro passo para desconstruí-lo e construir novas narrativas que celebram e fortalecem a Paternidade Preta.

Finalmente, é essencial que os homens negros defendam a Paternidade. Não apenas como um dever ou responsabilidade, mas como um ato de resistência e empoderamento. Ao assumir o papel de pai com orgulho e consciência, os homens negros podem desafiar estereótipos negativos e contribuir para a construção de uma sociedade onde a paternidade é vista como uma força positiva e transformadora, capaz de criar uma nova realidade para as futuras gerações.

Sobre o convidado:

Henrique Restier é Sociólogo, Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP/UERJ), e uma referência no estudo das dinâmicas sociais que impactam as comunidades negras no Brasil. Como professor, palestrante e escritor, ele tem se dedicado a explorar as complexidades da #MasculinidadeNegra e o papel transformador da #PaternidadePreta. Pai de meninas, Henrique utiliza sua experiência pessoal para enriquecer suas reflexões sobre a importância da paternidade consciente e racializada. Seu trabalho destaca a necessidade de desconstruir as heranças do #Colonialismo e de promover um fortalecimento cultural que valorize as tradições e a resistência da #ComunidadeNegra. Com uma abordagem engajada e sensível, Henrique Restier é uma voz fundamental na luta por uma sociedade mais justa e equitati

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Analisando os Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024: O Foco nas Pessoas Negras

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 apresentou dados alarmantes sobre a violência letal e a criminalização de pessoas negras no Brasil. A pesquisa demonstra de forma contundente como a raça continua sendo um fator determinante na experiência com a segurança pública no país.

Principais Pontos:

  • Vítimas de Intervenção Policial: A pesquisa revela que a maioria das vítimas de intervenções policiais que resultaram em morte são pessoas negras, representando mais de 80% do total. Essa taxa de letalidade é significativamente maior quando comparada à população branca, evidenciando um problema sistêmico de racismo e violência policial.
  • Perfil das Vítimas: O anuário demonstra que as vítimas de intervenções policiais são predominantemente jovens, do sexo masculino e residem em áreas periféricas, onde a presença policial é mais intensa e as desigualdades sociais são mais acentuadas.
  • Racismo Institucional: Os dados do anuário reforçam a existência de racismo institucional nas forças policiais brasileiras. A superrepresentação de pessoas negras entre as vítimas de violência policial é um sintoma claro desse problema, que se manifesta em práticas discriminatórias e violentas por parte de agentes do Estado.
  • Encarceramento: O anuário também aponta para a alta taxa de encarceramento de pessoas negras no Brasil. A população negra representa uma parcela desproporcional da população carcerária, o que indica a existência de desigualdades raciais no sistema de justiça criminal.
  • Crimes de Racismo: Os dados sobre crimes de racismo revelam um aumento significativo nos últimos anos, demonstrando a persistência do racismo como um problema social grave no país.

Implicações:

Os dados do anuário evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas que visem combater o racismo e a violência policial no Brasil. Algumas medidas que podem ser adotadas incluem:

  • Reforma da Polícia: É fundamental promover uma reforma profunda das polícias brasileiras, com o objetivo de combater o racismo institucional e garantir a profissionalização e a responsabilização dos agentes de segurança.
  • Investigação e Puneção: É preciso investigar e punir com rigor os casos de violência policial e de crimes de racismo, garantindo que os responsáveis sejam responsabilizados por seus atos.
  • Políticas de Promoção da Igualdade Racial: É necessário implementar políticas públicas que promovam a igualdade racial e o combate à discriminação, como ações afirmativas, programas de educação racial e políticas de inclusão social.

Conclusão:

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 apresenta um quadro alarmante sobre a situação das pessoas negras no Brasil em relação à segurança pública. Os dados revelam a necessidade urgente de ações para combater o racismo e a violência policial, garantindo a segurança e a justiça para todos os cidadãos.

Observação:

Para uma análise mais detalhada dos dados, sugiro que você consulte o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 na íntegra. O documento completo pode ser encontrado no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Gostaria de explorar algum desses pontos com mais profundidade? Posso fornecer mais informações sobre um tema específico ou apresentar dados mais detalhados.

Possíveis tópicos para aprofundamento:

  • Comparação entre as taxas de letalidade de pessoas negras e brancas em diferentes regiões do Brasil.
  • Análise das causas da alta taxa de encarceramento de pessoas negras.
  • Propostas de políticas públicas para combater o racismo e a violência policial.
  • O papel dos movimentos sociais na luta por justiça racial.

O Impacto da Ausência de Figuras Paternas na Saúde Mental de Homens Negros

A ausência de figuras paternas, um legado histórico da escravidão e do racismo no Brasil, tem um impacto profundo e duradouro na saúde mental dos homens negros. Essa ausência, resultado de diversas causas como a desestruturação familiar, a violência sexual e a instabilidade econômica, gera uma série de consequências psicológicas que se manifestam ao longo da vida.

Principais Impactos:

  • Autoestima Dano: A falta de um pai presente e de um modelo masculino positivo pode levar a uma baixa autoestima, fazendo com que os homens negros se sintam menos valiosos e capazes.
  • Depressão e Ansiedade: A ausência de apoio emocional e a dificuldade em lidar com as adversidades da vida podem desencadear quadros de depressão e ansiedade.
  • Comportamentos de Risco: Na busca por reconhecimento e afirmação, muitos homens negros podem se envolver em comportamentos de risco, como o uso de drogas, a violência e a criminalidade.
  • Dificuldade em Estabelecer Relacionamentos: A ausência de um modelo de relacionamento saudável pode dificultar a construção de vínculos afetivos e a formação de famílias.
  • Dificuldades na Expressão de Emoções: A masculinidade tóxica, muitas vezes internalizada pelos homens negros, pode dificultar a expressão de emoções como tristeza, medo e vulnerabilidade.

Fatores que Agravam a Situação:

  • Racismo Institucional: O racismo institucionalizado no Brasil, presente em todas as esferas da sociedade, reforça a ideia de que os homens negros são inferiores e contribui para a perpetuação de um ciclo de violência e exclusão.
  • Masculinidade Tóxica: A masculinidade tóxica, que associa masculinidade à força, à violência e à negação de emoções, pressiona os homens negros a adotarem comportamentos que podem prejudicar sua saúde mental.
  • Discriminação: A discriminação racial e social enfrentada pelos homens negros ao longo de suas vidas pode gerar estresse crônico e aumentar o risco de desenvolver problemas de saúde mental.

Caminhos para a Superação:

  • Terapias: A terapia pode ser uma ferramenta valiosa para ajudar os homens negros a lidar com as consequências da ausência de figuras paternas e a desenvolver habilidades de enfrentamento.
  • Grupos de Apoio: A participação em grupos de apoio pode proporcionar um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio de outros homens negros.
  • Programas Sociais: A criação de programas sociais que promovam a igualdade racial e ofereçam suporte aos homens negros pode contribuir para a melhoria de sua saúde mental.
  • Desconstrução da Masculinidade Tóxica: É fundamental desconstruir a masculinidade tóxica e promover um novo modelo de masculinidade que valorize a empatia, a igualdade e a saúde mental.

É importante ressaltar que a ausência de figuras paternas não determina o futuro de um indivíduo. Com o apoio adequado, os homens negros podem superar as dificuldades e construir uma vida plena e feliz.

Gostaria de discutir algum outro aspecto relacionado a esse tema?

Possíveis tópicos para discussão:

  • A importância da paternidade ativa na vida dos filhos.
  • Os desafios enfrentados pelos homens negros na busca por tratamento para a saúde mental.
  • O papel da comunidade na promoção da saúde mental dos homens negros.

Trocas no episódio

1-  Nas suas palavras, o que é a Paternidade Preta?

2 – Qual a importância de uma Criança Preta na comunidade? 

3 – Henrique, o que você tem a dizer sobre a paternidade na sua vida?

4 – Como você acha que homens pretos devem encarar a paternidade?

5-  Qual você acredita o papel da família na construção da comunidade?

6 – Por que é importante se falar de paternidade hoje em dia?

7 – Podemos dizer que o colonialismo é o principal mal que atravessou o conceito de Paternidade?

8 – Henrique, depois disso tudo que levantamos aqui, por que homens negros devem defender a  Paternidade?

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Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.