TRÊS SÉCULOS DE INJUSTIÇA

Atenção – ALERTA DE TEXTÃO

Partamos do seguinte pressuposto que com certeza serviu de base para diversas construções que nos trouxeram até aqui:

“No centro do emaranhado de patologia na comunidade negra, está a fraqueza da estrutura familiar. Como causa de fundo, de segunda ou terceira instância, ela se revelará como a principal fonte para a maior parte do comportamento aberrante, inadequado ou antissocial, que não estabeleceu, mas que serve para perpetuar o ciclo de pobreza privação”.Moynihan (1965)

Ou ainda essa, do mesmo autor* : “Foi através da destruição da família negra sob a 3scr4vidão que a América branca quebrou a força de vontade do povo negro”.

Guardadas essas afirmações oriunda de um estudo do referenciado autor, quero te convidar mais uma vez para continuar um raciocínio do texto anterior o “14 gerações”, que você encontra no feed, com uma pergunta: Quanto deve ser quebrado de uma célula familiar africana em diáspora para que as referências e aspirações sejam removidas do campo das possibilidade? Quantos homens e mulheres devem ser quebrados para que não haja sonhos?

E se a família é um sonho, de onde vem a nossa(e digo nossa porque somos um Povo) falta de perspectiva? Bem, os responsáveis por isso, aqui desse lado do atlântico, nós já sabemos, os mantenedores dessa condição também. Ou vamos continuar negando a cor de quem mais m0rre e é m0rto(a) por aqui?

Você pode não aceitar, mas o plano de desfragmentação da família Preta não é novo, não é inédito, tampouco tido como absurdo. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública DESSE ANO, em relação à l3talidade polici4l, 82,7% eram NEGRAS, 71,7% tinham de 12 A 29 ANOS e 99,3% eram do S3XO MASCULINO. Te pergunto: Esse não eram pais em potencial? Mas vamos falar de abandono paterno por outro viés. Quantos filhos sem pai esses dados geraram? Quem vai ocupar esse lugar?

Sem ser exagerado, pensando em 1924, uma pequena propriedade rural ou casa simples na cidade geraria hoje,s e passado de geração para geração por aquela família que citei acima, um patrimônio aproximado equivalente (baseado na inflação e no tempo) a R$ 10.000.000 ( dez milhões de reais) estamos falando de 100 anos. Tá! Mas o que isso tem a ver? Pega esse trecho de Robert W. Slenes: “Para Fernandes(Florestan), as duras condições da 3scr4vidã0 e, mais especificamente, o esforço dos senhores de “[t0lher e s0lap4r] todas as formas de união ou de solidariedade dos 3scr4v0s” não apenas tornaram os grupos de parentesco extremamente instáveis, mas também d3struíram as normas familiares dos c4tiv0s” – d3stru1r laços familiares. Já ouviu essa história?

De um lado temos:
-> uma família que prosperou por ter propriedade e não ter tido três séculos de injustiça social e parental, alienação e separação nas costas.
->uma família que não teve seu núcleo removido pela v10l3ncia ou pela tal letalidade (que se perpetuam por gerações) e não cresceu sem referências masculinas potentes e presentes.
E do outro temos uma família negra.
Se te disserem que é somente uma questão de querer, você nem precisa voltar muito tempo. Ponha a linha de largada em 1924. Muita coisa vai fazer sentido.
Mas essa semana,a preocupação é com o dia dos pais e o presente que você vai comprar.

#paipreto

Acompanhe as discussões no post do Instagram

Apoie o Parentalidade Preta
Ajude o Parentalidade Preta a criar locais seguros para conversas difíceis.

Deixe um comentário