Maria Beatriz Nascimento, uma figura marcante no cenário dos direitos humanos no Brasil, nasceu em Aracaju, Sergipe, em 12 de julho de 1942. Desde cedo, sua vida foi marcada por mudanças significativas, incluindo a migração para o Rio de Janeiro aos sete anos. Esta mudança não só alterou o rumo de sua vida pessoal, mas também moldou sua futura carreira como historiadora, professora, roteirista, poeta e ativista. Formada em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especializada na Universidade Federal Fluminense (UFF), Maria Beatriz se destacou por seu profundo compromisso com a luta contra o racismo e o sexismo.
Após concluir seus estudos, Maria Beatriz começou a lecionar na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Sua atuação como professora foi apenas o começo de sua trajetória no movimento negro. Em 1974, ajudou a fundar o Grupo de Trabalho André Rebouças na UFF e, no ano seguinte, o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras. Esses esforços demonstram seu empenho em criar espaços acadêmicos que reconhecessem e valorizassem a contribuição dos negros na sociedade brasileira. Suas palestras e conferências trouxeram à tona questões cruciais sobre a representação dos negros na história e a necessidade de uma narrativa mais inclusiva e justa.
A produção intelectual de Maria Beatriz é vasta e influente. Entre suas obras mais importantes está o documentário “Ori” (1989), que traça a trajetória dos movimentos negros no Brasil e aborda temas como a corporeidade do negro e a condição social das mulheres negras. Além disso, ela publicou diversos artigos em revistas e periódicos, discutindo o conceito de quilombo, racismo e sexismo. Sua pesquisa sobre sistemas alternativos organizados por negros, desde quilombos até favelas modernas, é uma contribuição significativa para os estudos das relações raciais no Brasil.
Infelizmente, a vida de Maria Beatriz foi tragicamente interrompida em 1995. Enquanto cursava mestrado em Comunicação Social na UFRJ, ela foi assassinada pelo companheiro de uma amiga que havia aconselhado a sair de um relacionamento abusivo. Sua morte foi um golpe para o movimento negro e para todos que se inspiravam em seu trabalho e ativismo. O impacto de sua perda foi sentido amplamente, mas seu legado continua a inspirar novas gerações de ativistas e pesquisadores.
Mesmo após sua morte, a influência de Maria Beatriz permanece viva. Seu trabalho e suas ideias continuam a ser estudados e celebrados, e sua contribuição para a história e a cultura negra no Brasil é inegável. Publicações póstumas, como “O negro visto por ele mesmo – Ensaios, entrevistas e prosa”, reúnem seu material anteriormente publicado e textos inéditos, garantindo que suas reflexões e pesquisas continuem a ser uma fonte de conhecimento e inspiração.
A trajetória de Maria Beatriz Nascimento é um testemunho de coragem, dedicação e resistência. Sua vida e obra nos lembram da importância de lutar contra a opressão e de valorizar as vozes e histórias daqueles que muitas vezes são marginalizados. Seu exemplo é uma inspiração para todos que buscam justiça social e igualdade, e seu legado perdurará como um farol de esperança e resistência na luta pelos direitos humanos.
Roteiro em tópicos para a atividade:
Introdução e Contextualização:
- Apresentação breve sobre Maria Beatriz Nascimento: quem foi, onde nasceu, sua migração para o Rio de Janeiro, e sua atuação como historiadora, professora e ativista.
- Discussão sobre a importância de figuras históricas no movimento negro e pelos direitos humanos.
Atividades de Contação de Histórias:
- Leitura de trechos selecionados da biografia de Maria Beatriz, adaptados para a faixa etária das crianças.
- Contação de histórias sobre quilombos e a resistência negra, destacando a pesquisa de Maria Beatriz.
- Criação de um mural ilustrado sobre a vida e as conquistas de Maria Beatriz.
Oficinas de Arte e Expressão:
- Desenho e pintura de cenas que retratem momentos importantes da vida de Maria Beatriz, como sua infância, sua atuação no movimento negro, e suas viagens à África.
- Confecção de cartazes com frases e citações inspiradoras de Maria Beatriz Nascimento.
- Oficina de escrita criativa onde as crianças podem escrever poemas ou pequenos textos inspirados na luta pelos direitos humanos.
Atividades Interativas e Dinâmicas:
- Jogos de perguntas e respostas sobre a história de Maria Beatriz e seu impacto no movimento negro.
- Dinâmicas de grupo que simulem a organização de um movimento social, incentivando as crianças a pensar em causas importantes e como lutar por elas.
- Criação de uma linha do tempo ilustrada da vida de Maria Beatriz, com participação ativa das crianças em cada etapa.
Oficinas de Documentário e Cinema:
- Exibição de trechos do documentário “Ori” (1989), seguido de uma discussão sobre os temas abordados.
- Atividade prática onde as crianças podem criar seus próprios pequenos documentários ou vídeos sobre temas relacionados à igualdade racial e a importância da memória histórica.
- Discussão sobre o papel dos documentários e filmes na educação e na luta por direitos.
Atividades de Reflexão e Debate:
- Roda de conversa sobre o que as crianças aprenderam sobre Maria Beatriz Nascimento e o que mais as impressionou.
- Discussão sobre a importância de conhecer e valorizar a história e a cultura negra no Brasil.
- Reflexão sobre como cada um pode contribuir para a igualdade racial e o respeito pelos direitos humanos na sua comunidade e escola.
Encerramento e Conclusões:
- Resumo das atividades realizadas e dos aprendizados adquiridos.
- Apresentação das produções das crianças (desenhos, textos, vídeos) para toda a turma.
- Reflexão final sobre o legado de Maria Beatriz Nascimento e como ele continua a inspirar novas gerações.
Material de Apoio:
Equipamentos para exibição de vídeos e realização de documentários (câmeras, celulares, computadores).bém promoverão habilidades importantes como leitura, escrita, criatividade, empatia e trabalho em equipe.
Biografia resumida de Maria Beatriz Nascimento.
Trechos selecionados de suas obras e publicações.
Recursos audiovisuais como trechos do documentário “Ori”.
Materiais de arte e escrita (papel, canetas, tintas, etc.).
10 Curiosidades sobre Maria Beatriz Nascimento e seu Legado
1. Infância e Migração
- Maria Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, Sergipe, e migrou para o Rio de Janeiro com apenas sete anos, uma mudança que moldou profundamente sua trajetória pessoal e profissional.
2. Formação Acadêmica
- Ela se formou em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se especializou na Universidade Federal Fluminense (UFF), destacando-se como uma das principais historiadoras do movimento negro.
3. Documentário “Ori”
- Em 1989, Maria Beatriz escreveu e narrou o documentário “Ori”, que aborda a trajetória dos movimentos negros no Brasil, com ênfase no conceito de quilombo e na condição das mulheres negras.
4. Movimento Negro
- Participou ativamente da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças e do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras, ambos focados na valorização da cultura e história dos negros no Brasil.
5. Pesquisadora de Quilombos
- Sua pesquisa sobre quilombos destacou a importância desses espaços de resistência e organização social, conectando a história dos quilombos do Brasil com os antigos quilombos angolanos.
6. Militância e Conferências
- Maria Beatriz foi uma conferencista ativa, participando de diversos encontros e simpósios para discutir questões raciais e a representação dos negros na história brasileira.
7. Impacto na Educação
- Ela lecionou na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, influenciando gerações de estudantes com seu conhecimento e ativismo.
8. Publicações
- Publicou inúmeros artigos em revistas e periódicos, abordando temas como racismo, sexismo e a importância da memória comunitária negra.
9. Trágica Morte
- Sua vida foi tragicamente interrompida em 1995, quando foi assassinada após aconselhar uma amiga a deixar um relacionamento abusivo.
10. Legado Duradouro
- Apesar de sua morte precoce, o legado de Maria Beatriz Nascimento continua vivo, inspirando novos estudos e movimentos em prol da igualdade racial e dos direitos humanos.
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Referências:
- Referências sobre Maria Beatriz Nascimento e seu Legado
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (ed.). «Eu Sou Atlântica» (PDF). Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Consultado em 22 de julho de 2017.
Junior, Humberto (31 de março de 2017). Humberto Júnior, ed. «MARIA BEATRIZ NASCIMENTO». Blog Habeas Mentem. Habeas Mentem. Consultado em 23 de março de 2024.
Folha de S.Paulo (ed.). «Acusado de matar professora é preso no Rio». Folha de S.Paulo. Consultado em 22 de julho de 2017.
Black Women of Brazil (ed.). «Maria Beatriz Nascimento (1942-1995): Intellectual militant of the Movimento Negro, poet and historian of quilombos, Brazil’s runaway slave societies». Black Women of Brazil. Consultado em 22 de julho de 2017. Arquivado do original em 26 de setembro de 2017.
Ratts, Alex. «A trajetória intelectual ativista de Beatriz Nascimento». Instituto Geledés. Consultado em 22 de julho de 2017.
Mulher 500 Anos (ed.). «Maria Beatriz Nascimento (1942-1995)». Mulher 500 Anos. Consultado em 22 de julho de 2017. Arquivado do original em 16 de janeiro de 2014.
Acorda Cultura (ed.). «MARIA BEATRIZ DO NASCIMENTO (1942 – 1995)». Acorda Cultura. Consultado em 22 de julho de 2017.
Ribeiro, Stephanie (ed.). «15 ARTISTAS NEGRAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER». Confeitaria. Consultado em 22 de julho de 2017.
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Hernandez, Hortensia (ed.). «Maria Beatriz do Nascimento activista por los derechos humanos». Heroinas.net. Consultado em 22 de julho de 2017.
Folha de S.Paulo (ed.). «Assassino de historiadora pega 17 anos». Folha de S.Paulo. Consultado em 22 de julho de 2017.
Ubu Editora. «O negro visto por ele mesmo – Ensaios, entrevistas e prosa». www.ubueditora.com.br. Consultado em 17 de outubro de 2023.
Bibliografia:
- RATTS, Alex. Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006. ISBN 8570603592.
- RATTS, Alex. Uma História Feita por Mãos Negras: Beatriz Nascimento. São Paulo: Zahar, 2021. ISBN 9786559790067.

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