Afrocentricidade em 12 Passos Abril/24 – Semana 2 – Os Jeje

Os Jeje

  • No alvorecer do século XVIII, nas terras ensolaradas da Bahia, Brasil, um termo começou a ganhar proeminência: Jejes. Originário do antigo reino do Daomé e das terras da Costa da Mina, hoje Benim e Togo, este etnônimo não apenas designava os africanos escravizados, mas também servia aos traficantes portugueses para classificar uma gama diversificada de povos. Entre estes estavam os adjas, aizos, fons, dagomes, mahis, savalus, hulas, huedas (couras), guns, gens e popos, todos falantes das línguas gbe.
  • Enquanto esses povos eram forçados ao comércio de escravos, eles gradualmente adotaram o termo “Jejes” para se autoidentificar. Essa mudança não era apenas uma questão de etiqueta, mas uma forma de solidariedade em meio à diáspora africana. No Brasil colonial, especialmente em lugares como Minas Gerais, eles eram frequentemente agrupados sob o termo mais amplo “minas”. Sua cultura, enraizada na adoração das divindades vodum, teve um impacto fundamental no desenvolvimento de tradições religiosas como o candomblé na Bahia e o tambor de mina no Maranhão.
  • Os terreiros de nação jeje, como jeje-mahi e jeje-savalu, são marcados por um panteão diversificado de divindades, incluindo Legba e Azonsu, e por rituais litúrgicos distintos, que incluem saudações, cantigas e danças rituais. Lugares sagrados como a Casa das Minas em São Luís do Maranhão e o Bogum em Salvador são considerados as raízes de muitos outros terreiros espalhados pelo Brasil.
  • O estudo etimológico revela que o termo “Jeje” deriva do ioruba “ajeji”, significando “estrangeiro”, refletindo a experiência de deslocamento e exílio desses povos africanos. Já as variantes “evés” e suas variações em português são uma adaptação do termo inglês “ewes”, evidenciando a complexidade e o intercâmbio cultural que caracterizavam o tráfico de escravos.
  • O auge do comércio de escravos ocorreu durante o século XVIII, conhecido como o “Ciclo da Costa da Mina” ou “Ciclo de Benim e Daomé”. Este período deixou um legado profundo, não apenas na história do Brasil, mas também na cultura e identidade dos Jejes e seus descendentes, espalhados por toda a diáspora africana nas Américas.
  • À medida que exploramos o passado dos Jejes, mergulhamos em uma narrativa de resiliência, resistência e reinvenção. Seus costumes, tradições e crenças continuam a ecoar nos rituais coloridos, nas melodias dos tambores e na dança sagrada dos terreiros de candomblé por todo o Brasil, lembrando-nos da força e da riqueza da herança africana em nossas terras.

Roteiro em tópicos para a atividade:

  • ntrodução à Cultura Jeje:
    • Apresentação do termo “Jejes” e sua origem no antigo reino do Daomé e na Costa da Mina.
    • Explicação sobre como os Jejes eram classificados pelos traficantes portugueses, incluindo uma variedade de povos falantes das línguas gbe.
    • Discussão sobre a importância da autoidentificação e pertencimento coletivo dos Jejes.
  • Explorando as Divindades Vodum:
    • Introdução às divindades vodum, como Legba e Azonsu, e sua importância na cultura Jeje.
    • Atividade de arte: Desenho ou pintura das divindades vodum, incentivando a criatividade das crianças.
  • Ritmos e Danças Jejes:
    • Apresentação dos ritmos e danças tradicionais dos Jejes, como os utilizados nos terreiros de candomblé.
    • Oficina de dança: Aprendizado de passos básicos de danças Jejes, com música ao vivo ou gravações.
  • Construção de Instrumentos Musicais:
    • Construção de tambores simples usando materiais recicláveis, inspirados nos rituais Jejes.
    • Demonstração de como tocar os tambores e experimentação pelos participantes.
  • Teatro e Dramatização:
    • Encenação de pequenas peças teatrais baseadas na história e na cultura dos Jejes.
    • Cada grupo de crianças pode criar sua própria história ou adaptar contos tradicionais Jejes.
  • Pesquisa e Apresentação:
    • Divisão das crianças em grupos para pesquisar sobre diferentes aspectos da cultura Jeje.
    • Preparação de apresentações curtas para compartilhar o que aprenderam com o restante do grupo.
  • Culinária Cultural:
    • Preparação de pratos típicos inspirados na culinária Jeje, como o uso de ingredientes tradicionais da região do Benim e Togo.
    • Degustação dos pratos preparados, incentivando as crianças a experimentar novos sabores e texturas.
  • Atividade de Reflexão:
    • Discussão sobre a importância de preservar e valorizar as tradições culturais, como as dos Jejes, e como isso contribui para a diversidade e inclusão.
    • Conclusão com a criação de cartazes ou murais destacando o que as crianças mais gostaram e aprenderam sobre os Jejes.
  • Essas atividades oferecem uma oportunidade emocionante para as crianças explorarem e apreciarem a rica herança cultural dos Jejes, promovendo ao mesmo tempo o aprendizado interativo e a valorização da diversidade.

Descubra 10 Curiosidades Fascinantes sobre os Jejes!

  1. Origem Enigmática: Os Jejes têm suas raízes no antigo reino do Daomé e nas terras da Costa da Mina, atual Benim e Togo, mas sua história e etimologia ainda têm mistérios a desvendar.
  2. Diversidade Linguística: Os Jejes são representados por uma variedade de povos falantes das línguas gbe, incluindo adjas, aizos, fons, dagomes, mahis, savalus, hulas, huedas, guns, gens e popos.
  3. Identidade Coletiva: O termo “Jejes” foi inicialmente utilizado pelos traficantes portugueses, mas os próprios africanos escravizados começaram a adotá-lo como uma forma de autoidentificação e pertencimento.
  4. Culto aos Voduns: Os Jejes cultuavam as divindades vodum em suas terras de origem, uma tradição que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do candomblé na Bahia e do tambor de mina no Maranhão, no Brasil.
  5. Terreiros Sagrados: Os terreiros de nação jeje, como jeje-mahi e jeje-savalu, são locais sagrados caracterizados por um rico panteão de divindades e rituais litúrgicos distintos.
  6. Riqueza Musical: A cultura Jeje é marcada por ritmos e danças tradicionais vibrantes, que continuam a ecoar nos terreiros de candomblé por todo o Brasil.
  7. Resistência Cultural: Apesar das adversidades do comércio de escravos, os Jejes mantiveram sua identidade cultural e contribuíram para enriquecer a diversidade cultural do Brasil.
  8. Intercâmbio Cultural: O termo “Jejes” tem origens no ioruba “ajeji”, refletindo a experiência de deslocamento e exílio desses povos africanos, enquanto variantes como “evés” têm influência do inglês “ewes”.
  9. Legado Profundo: O comércio de escravos atingiu seu ápice durante o século XVIII, deixando um legado profundo na cultura e identidade dos Jejes e seus descendentes espalhados por toda a diáspora africana nas Américas.
  10. Exploração e Valorização: Aprender sobre os Jejes é uma oportunidade emocionante de explorar e valorizar uma parte importante da história e da cultura africana, promovendo ao mesmo tempo o respeito pela diversidade cultural e étnica.

Referências:

[1] CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares africanos na Bahia. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Topbooks, 2001, p. 259.

[2] PARÉS, Luís Nicolau. A formação do candomblé: história e tradição da nação jeje na Bahia. Campinas: Ed. Unicamp, 2006, p. 214.

Site Ancestralidades: https://www.ancestralidades.org.br/termos-e-conceitos/jeje

Espero que esse conteúdo te ajude! Até a próxima!

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