Os Malês
Os Malês, termo derivado do hauçá “málami” e do iorubá “imale”, eram negros muçulmanos no Brasil do século XIX. Apesar de serem escravizados, muitas vezes eram mais instruídos que seus senhores e não se submetiam facilmente, destacando-se pela altivez. A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia, marcou a História do Brasil, embora comunidades malês também existissem em Pernambuco, Alagoas e Rio de Janeiro.
Esses malês, provenientes da região sudanesa da África, chegaram ao Brasil como escravizados no final do século XVIII, pertencendo a diversos grupos étnicos. Mesmo convertidos ao catolicismo, preservaram sua fé islâmica discretamente, promovendo atividades secretas de alfabetização e estudo do Alcorão. Eram bilíngues e alfabetizados em árabe, possuindo um nível cultural superior ao dos brasileiros da época.
Durante os levantes, os malês demonstraram sua resistência e organização. Eram altos, robustos e trabalhadores, mantendo uma vida austera e não se misturando facilmente com outros escravizados. A identidade étnica e religiosa desses indivíduos convergiram na mobilização dos escravizados, culminando na Revolta dos Malês durante o Ramadã em Salvador, em 1835.
Após a derrota dos rebeldes, muitos foram condenados à morte e outros deportados para diminuir sua influência sobre os demais escravizados. Alguns permaneceram clandestinos no Brasil, enquanto outros migraram para o Rio de Janeiro. A repressão severa à religião islâmica após 1835 dificultou sua disseminação, levando ao declínio dos cultos malês e à perda gradual de identidade desses indivíduos.
Roteiro em tópicos para a atividade:
- Introdução à cultura e história dos Malês:
- Apresentar brevemente quem eram os Malês e sua importância na história do Brasil.
- Explicar a origem do termo e destacar sua religião e resistência cultural.
- Atividade de pesquisa e apresentação:
- Dividir as crianças em grupos e fornecer recursos para pesquisa sobre os Malês.
- Cada grupo pode explorar aspectos como sua religião, cultura, revolta e legado.
- Ao final, cada grupo apresenta suas descobertas para os demais colegas.
- Leitura e discussão de textos:
- Selecionar textos adequados à idade das crianças que abordem a história dos Malês.
- Após a leitura, promover uma discussão em grupo sobre os temas tratados nos textos.
- Estimular perguntas e reflexões sobre a resistência cultural e religiosa dos Malês.
- Atividade artística:
- Propor uma atividade de expressão artística inspirada na cultura Malê.
- As crianças podem criar desenhos, pinturas, esculturas ou até mesmo performances baseadas nos aspectos culturais dos Malês.
- Incentivar a criatividade e a expressão individual, respeitando as características da cultura Malê.
- Jogo educativo:
- Desenvolver um jogo educativo que aborde de forma lúdica a história e cultura dos Malês.
- Pode ser um jogo de tabuleiro, um quebra-cabeça ou até mesmo um jogo de cartas com perguntas e respostas sobre o tema.
- Divertir-se enquanto aprendem sobre os Malês e sua contribuição para a história do Brasil.
- Visita virtual ou presencial:
- Organizar uma visita virtual ou presencial a um museu ou local histórico relacionado aos Malês, se disponível.
- Caso não seja possível, utilizar recursos audiovisuais para proporcionar uma experiência imersiva às crianças.
- Permitir que as crianças observem artefatos, documentos e exposições relacionadas aos Malês, enriquecendo seu aprendizado.
10 Fatos sobre os Malês
- Origens Africanas: Os Malês eram negros muçulmanos originários da região sudanesa da África, trazidos como escravos para o Brasil no final do século XVIII.
- Resistência Cultural: Mesmo convertidos ao catolicismo, os Malês preservavam secretamente sua fé islâmica, promovendo atividades de estudo do Alcorão e alfabetização em árabe.
- Alto Nível de Instrução: Muitos Malês eram mais instruídos que seus senhores, sendo bilíngues e alfabetizados em árabe, demonstrando um nível cultural superior para a época.
- Revolta dos Malês: A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia, marcou a História do Brasil, evidenciando a resistência e organização desses indivíduos.
- Altivez e Resistência: Os Malês não eram submissos, demonstrando uma postura altiva e resistente frente à condição de escravos, o que os tornava notáveis entre outros grupos.
- Identidade Étnica Distinta: Descrições históricas destacam que os Malês se diferenciavam fisicamente e culturalmente dos demais escravos, mantendo uma vida austera e não se misturando facilmente.
- Repressão e Exílio: Após a Revolta dos Malês, muitos foram condenados à morte e outros foram deportados para diminuir sua influência sobre os demais escravos.
- Declínio da Identidade Malê: A repressão severa à religião islâmica após 1835 contribuiu para o declínio dos cultos malês e a perda gradual de sua identidade cultural.
- Legado na Bahia: Mesmo após a derrota, alguns Malês permaneceram na clandestinidade na Bahia, enquanto outros migraram para o Rio de Janeiro, deixando um legado de resistência e cultura.
- Diversidade de Atividades: Além de escravos, os Malês exerciam diversas atividades, como marceneiros, pedreiros e até mesmo ocupavam cargos políticos e intelectuais, como o médico Salustiano Ferreira Souto.
Fontes sobre os Malês
- VÉUS SOBRE A RUA HALFELD: UM ESTUDO SOBRE AS MULHERES MUÇULMANAS DA MESQUITA DE JUIZ DE FORA E O USO DO VÉU”. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal de Juiz de Fora. Agosto de 2006. pp. 39–40. Consultado em 16 de outubro de 2011. Arquivado do original (PDF) em 6 de janeiro de 2011.
- História Viva, nº 20, pp. 80-85. Editora Duetto. São Paulo (2005).
- Povo africano de origem subsaariana e berbere.
- LOPES, Nei. Mandingas da mulata velha na Cidade Nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.
- História da Medicina, artigo 37. Memória Histórica do Colégio Médico-Cirúrgico da Cidade da Bahia – 1819.
- “… em virtude da transferência do titular da cadeira, Dr. Salustiano Ferreira Souto, para a de Medicina Legal.”
- LOPES, Nei Dicionário escolar afro-brasileiro.
Espero que esse conteúdo te ajude! Até a próxima!
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