Afrocentricidade em 12 Passos Mar/24 – Semana 2 – Os Malês

Os Malês

Os Malês, termo derivado do hauçá “málami” e do iorubá “imale”, eram negros muçulmanos no Brasil do século XIX. Apesar de serem escravizados, muitas vezes eram mais instruídos que seus senhores e não se submetiam facilmente, destacando-se pela altivez. A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia, marcou a História do Brasil, embora comunidades malês também existissem em Pernambuco, Alagoas e Rio de Janeiro.

Esses malês, provenientes da região sudanesa da África, chegaram ao Brasil como escravizados no final do século XVIII, pertencendo a diversos grupos étnicos. Mesmo convertidos ao catolicismo, preservaram sua fé islâmica discretamente, promovendo atividades secretas de alfabetização e estudo do Alcorão. Eram bilíngues e alfabetizados em árabe, possuindo um nível cultural superior ao dos brasileiros da época.

Durante os levantes, os malês demonstraram sua resistência e organização. Eram altos, robustos e trabalhadores, mantendo uma vida austera e não se misturando facilmente com outros escravizados. A identidade étnica e religiosa desses indivíduos convergiram na mobilização dos escravizados, culminando na Revolta dos Malês durante o Ramadã em Salvador, em 1835.

Após a derrota dos rebeldes, muitos foram condenados à morte e outros deportados para diminuir sua influência sobre os demais escravizados. Alguns permaneceram clandestinos no Brasil, enquanto outros migraram para o Rio de Janeiro. A repressão severa à religião islâmica após 1835 dificultou sua disseminação, levando ao declínio dos cultos malês e à perda gradual de identidade desses indivíduos.

Roteiro em tópicos para a atividade:

  • Introdução à cultura e história dos Malês:
    • Apresentar brevemente quem eram os Malês e sua importância na história do Brasil.
    • Explicar a origem do termo e destacar sua religião e resistência cultural.
  • Atividade de pesquisa e apresentação:
    • Dividir as crianças em grupos e fornecer recursos para pesquisa sobre os Malês.
    • Cada grupo pode explorar aspectos como sua religião, cultura, revolta e legado.
    • Ao final, cada grupo apresenta suas descobertas para os demais colegas.
  • Leitura e discussão de textos:
    • Selecionar textos adequados à idade das crianças que abordem a história dos Malês.
    • Após a leitura, promover uma discussão em grupo sobre os temas tratados nos textos.
    • Estimular perguntas e reflexões sobre a resistência cultural e religiosa dos Malês.
  • Atividade artística:
    • Propor uma atividade de expressão artística inspirada na cultura Malê.
    • As crianças podem criar desenhos, pinturas, esculturas ou até mesmo performances baseadas nos aspectos culturais dos Malês.
    • Incentivar a criatividade e a expressão individual, respeitando as características da cultura Malê.
  • Jogo educativo:
    • Desenvolver um jogo educativo que aborde de forma lúdica a história e cultura dos Malês.
    • Pode ser um jogo de tabuleiro, um quebra-cabeça ou até mesmo um jogo de cartas com perguntas e respostas sobre o tema.
    • Divertir-se enquanto aprendem sobre os Malês e sua contribuição para a história do Brasil.
  • Visita virtual ou presencial:
    • Organizar uma visita virtual ou presencial a um museu ou local histórico relacionado aos Malês, se disponível.
    • Caso não seja possível, utilizar recursos audiovisuais para proporcionar uma experiência imersiva às crianças.
    • Permitir que as crianças observem artefatos, documentos e exposições relacionadas aos Malês, enriquecendo seu aprendizado.

10 Fatos sobre os Malês

  1. Origens Africanas: Os Malês eram negros muçulmanos originários da região sudanesa da África, trazidos como escravos para o Brasil no final do século XVIII.
  2. Resistência Cultural: Mesmo convertidos ao catolicismo, os Malês preservavam secretamente sua fé islâmica, promovendo atividades de estudo do Alcorão e alfabetização em árabe.
  3. Alto Nível de Instrução: Muitos Malês eram mais instruídos que seus senhores, sendo bilíngues e alfabetizados em árabe, demonstrando um nível cultural superior para a época.
  4. Revolta dos Malês: A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia, marcou a História do Brasil, evidenciando a resistência e organização desses indivíduos.
  5. Altivez e Resistência: Os Malês não eram submissos, demonstrando uma postura altiva e resistente frente à condição de escravos, o que os tornava notáveis entre outros grupos.
  6. Identidade Étnica Distinta: Descrições históricas destacam que os Malês se diferenciavam fisicamente e culturalmente dos demais escravos, mantendo uma vida austera e não se misturando facilmente.
  7. Repressão e Exílio: Após a Revolta dos Malês, muitos foram condenados à morte e outros foram deportados para diminuir sua influência sobre os demais escravos.
  8. Declínio da Identidade Malê: A repressão severa à religião islâmica após 1835 contribuiu para o declínio dos cultos malês e a perda gradual de sua identidade cultural.
  9. Legado na Bahia: Mesmo após a derrota, alguns Malês permaneceram na clandestinidade na Bahia, enquanto outros migraram para o Rio de Janeiro, deixando um legado de resistência e cultura.
  10. Diversidade de Atividades: Além de escravos, os Malês exerciam diversas atividades, como marceneiros, pedreiros e até mesmo ocupavam cargos políticos e intelectuais, como o médico Salustiano Ferreira Souto.

Fontes sobre os Malês

  1. VÉUS SOBRE A RUA HALFELD: UM ESTUDO SOBRE AS MULHERES MUÇULMANAS DA MESQUITA DE JUIZ DE FORA E O USO DO VÉU”. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal de Juiz de Fora. Agosto de 2006. pp. 39–40. Consultado em 16 de outubro de 2011. Arquivado do original (PDF) em 6 de janeiro de 2011.
  2. História Viva, nº 20, pp. 80-85. Editora Duetto. São Paulo (2005).
  3. Povo africano de origem subsaariana e berbere.
  4. LOPES, Nei. Mandingas da mulata velha na Cidade Nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.
  5. História da Medicina, artigo 37. Memória Histórica do Colégio Médico-Cirúrgico da Cidade da Bahia – 1819.
  6. “… em virtude da transferência do titular da cadeira, Dr. Salustiano Ferreira Souto, para a de Medicina Legal.”
  7. LOPES, Nei Dicionário escolar afro-brasileiro.

Espero que esse conteúdo te ajude! Até a próxima!

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