“O homem só é humano na medida em que ele quer se impor a um
outro homem, a fim de ser reconhecido. Enquanto ele não é efetivamente
reconhecido pelo outro, é este outro que permanece o tema de sua ação.
É deste outro, do reconhecimento por este outro que dependem seu valor
e sua realidade humana. É neste outro que se condensa o sentido de sua
vida.”
Frantz Fanon – Pele Negra Máscaras Brancas
À essa altura do campeonato, você já deve ter visto o vídeo (desabafo) do menino Preto retinto refletindo sobre o fato de não ter o direito de escolher CASO alguém se interesse por ele ou sobre fato dele ser feio. Tenho certeza absoluta que se você que me lê for um homem Preto, você já foi esse menino várias vezes (talvez ainda seja de vez em quando.
O que a gente aqui tem a ver com isso? “Quase nada”. Afinal de contas, vivemos em uma sociedade que criou padrões de beleza a partir de ideais europeus, supremacistas e helênicos (no que se refere à visão grega – vide o termo “deus grego” para se falar de beleza).
Onde a gente se reconheceria nesse grande panteão de divindades encarnadas nesse mundo que insiste em nos marginalizar? Em lugar nenhum. É óbvio. A grade questão para mim é: quem tem o poder de nos validar? A quem estamos dando esse poder? A quem nos tornou cativos e animais? Deveríamos querer que essas pessoas nos validassem?
A resposta é: talvez se não estivéssemos falando em remover referências brankas das nossas subjetividades (a beleza é uma delas). Como vamos esperar validação de quem roubou a essência dos nossos ancestrais fazendo com que eles SE reduziasem a nada?
E sim. Essa construção de beleza é sim sobre racismo e colonialismo. Não se reconhecer belo também depende do Outro e nossas existências chegaram aqui desse lado como mercadoria. A beleza ocidental é ocidental enquanto a nossa é acidental.
Não há empoderamento estético que resista à essa estrutura montada para fazer com que nossos meninos não se sintam dignos de afeto desde cedo. Não há soluções brankas para os problemas que criaram para nós. Apenas o [re]conhecimento dos nossos.
No panteão de deuses gregos, estejamos de fora.
Sejamos Exú.


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