Muito tem sido dito a respeito da valorização da gestação, do parto, do puerpério, da primeira à terceira infância em relação à uma construção universal de saúde e bem-estar, mas fica a primeira pergunta: Quem está falando sobre isso tem colocado raça na frente?
O projeto deste mês fala da infância. Não aquela de pequenos príncipes que já são vistos como anjinhos, que tem seus direitos assegurados pela pele alva, que tem toda uma comunidade social, financeira, psicológica e afetivamente preparada para recebê-la.
Vamos falar dos nossos meninos. Os que ficam por últimos em políticas públicas de planejamento familiar, nas considerações sobre o tamanho do p3nis na ultrassom, na quantidade menor de cuidado da mãe durante o pré-natal, na primeira vi0lênci1a sofrida (a obstétrica), fila para serem trocados, lavados e penteados na creche, naqueles que são co4gid0s a não chorar porque “são n3gões”, os que são s3xualizados desde muito novos para performar uma identidade social bestializada.
Vamos dividir a nossa jornada em 4 partes: pré-natal, primeira infância (0-3) , segunda infância (3-6) e terceira infância (6-11) anos. Nesse período vou levantar e propor discussões pra gente, como sempre, construir aqui um pensamento coletivo que tem como objetivo pensar mudanças para a abordagem com meninos Pretos.
Desavisada(o)s vão chegar aqui falando em M150G1N14. Mas certamente, nenhuma dessas pessoas vai precisar explicar pro filho que não pode pegar algo do coleguinha e correr, não devem estar arranjando métodos para não deixar seus filhos parecerem “suspeitos”, muito menos exigindo que eles saiam com documentos desde sempre (e eu nem vou falar do cabelo nessa história).
O que vem aqui no projeto “Nossos Pretinhos” vai além de desconstruir o m4ch1sm0 que nos foi ensinado pelos nossos R4ptores. Vamos construir juntos um projeto de potencialização dos nossos.
Não adianta pensar de maneira genérica em uma subjetividade tão particular que é a infância preta. Então se você tem um Pretinho em casa, fique atento(a). Vamos botar a mão na massa e fazer isso juntos com propósito. Pois todo menino Preto é um Universo.
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Diego Silva
Homem Preto não retinto;
Esposo de Tatiane e
Pai de Benjamin e Aurora.
Ouça podcast [parenta].

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