SOBRE RESPONSABILIZAR OS RESPONSÁVEIS

Importante começar esse ensaio falando que não se negociam valores e responsabilidades aqui nessa comunidade e analisando algumas interações, acho que cabe tentar aparar umas arestas aqui.

Eu seria repetitivo se dissesse que o continente europeu, que passou séculos “colonizando” o mundo e levando seus costumes a todas as partes do globo, se desenvolveu a partir da escassez e da miséria inferida a outros ( e estaria falando da Teoria dos Dois Berços de Cheikh Anta Diop).

Mas ao invés disso, vou usar o conceito que vi muito bem ser cunhado por #bellhooks, o da #MASCULINIDADEPATRIARCAL. Que seguindo a lógica da máquina colonial, põe o europeu mais uma vez no centro da criação de muitas das mazelas da sociedade. Pausa para um trecho de @kendricklamar :

“Uma conversa que não está sendo abordada nas famílias negras/A devastação assombrando gerações e a humanidade/Eles 3stupr4r4m nossas mães, depois 3stupr4r4m nossas irmãs/Então nos fizeram assistir, depois nos fizeram 3stupr4r uns aos outros…”

hooks ainda lembra que um dos marcadores de liberdade que foram reinvidicados pelos homens Pretos “libertos” foi do direito de b4ter em suas companheiras (que antes eram propriedade da casa senhorial) assim como cresceram vendo acontecer por quem tinha o poder (falo).

Há de se entender que a raiz do problema é a mesma: o patriarcado e seu modus operandi: a imposição da v10lência.

Voltando para o mundo real… Temos homens de todas as cores perpetuando o modelo colonial patriarcal pois foi assim que aprenderam e fazem questão de manter (muitos por escolha, outros por falta de referências sólidas). Mas todos com seus níveis de consciência.

Seria contraproducente negar como a masculinidade patriarcal prejudica toda a comunidade. Eu acho que são dois trabalhos: remover essa influência da nossa criação enquanto povo e criar modelos sustentáveis de masculinidade.

Há uma geração chegando que anda passando as noites online tentando fazer parte de alguma coisa. Precisamos pensar enquanto comunidade em como vamos chegar nela enquanto “competimos” para ver quem parece mais (ou menos) com nossos algozes.

Há muito trabalho a ser feito nos alicerces, mas ele é delicado e meticuloso. Já lidando com homens que cresceram sob essa influência e estão criando meninos dessa forma. Negar essas referências passa por não aceitá-las para si e para os seus. Isso não significa que ela não exista. Significa que talvez historicamente ela não devesse nos caber. Pensar isso é pensar a infância para além de modelos que já têm sido vistos como não sustentáveis. Modelo esses que m4ta os nossos e a nós mesmos.

Mas precisamos de referências. Se raça vem primeiro, é preciso um debate histórica e socialmente centrado. Entendendo quem são os responsáveis por criar, perpetuar, manter e negar esse tipo de narrativas. Nós somos o povo do avanço e da abundância. Neguemos similaridades com quem vilipendiar os nossos.

Cabe a nós, com raça primeiro, acessar os nossos e trabalharmos na criação de novas referências. Nós somos os responsáveis.

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