O Ocidente venceu?

Vamos começar admitindo que se não fossem as matriarcas, as Tias, as Mães de Santo, as Amas de Leite, as Mães que amamentaram a comunidade, a gente nem estaria aqui.
Vamos admitir também que se pais de família não tivessem se entregue para poupar a casa, se anciãos não tivessem guardado as histórias, se “os capoeiras” não tivessem lutado, se os malês não tivessem se insurgido, se não houvesse homens para serem pais, a gente também não estaria aqui.

Não há #PovoPreto sem homens nem mulheres. Não há lógica de continuidade sem pensar na célula mais básica de resistência nessa Maafa* na qual estamos inseridos. Onde estavam os sutiãs a serem queimados na hora de cobrir os seios das nossas ancestrais que amamentavam os filhos e filhas dos seus “donos”? Onde estava o direito de oprimir mulheres enquanto se era ch1coteado no p3lourinho simplesmente por existir?

Tudo que se fez com o nosso povo aqui foi dividir e acabar com todas as possibilidades de diálogo. Viemos de várias partes de um continente que sempre teve a oralidade e a comunicação como fator de continuidade. Vamos atender ao apelo de quem nos raptou? Vamos mesmo nos separar por filosofias que foram criadas pelos nossos algozes? Depois de tanto tempo, é isso?

Quando foi que paramos de discordar e manter o respeito? Atendemos à polarização dos últimos anos? Estamos discutindo entre nós por migalhas que foram dadas por quem deveria garantir direitos? Estamos discutindo a necessidade de lugares na mesa dos donos da fazenda enquanto implodimos o nosso quilombo. É isso?

Paramos em Masculinismo, Feminismo, R3dpill e Polarizações para definir um monte de subjetividades de um povo que veio pra esse lugar (Brasil) como mercadoria e continua como massa de manobra de esquerdas e direitas. Estamos esquecendo da mãe que se jogou no mar para salvar o filho e do pai que se entregou para salvar a mãe?

Precisamos, enquanto povo, parar de nos pautarmos pela escassez e começarmos a reaver a potência que nos foi negada. Tudo que nos separa vem com “ismos”, pois essas foram as agendas criadas para separar pessoas. Nenhuma matriarca fechou a porta para homens, nenhum orixá faz distinção de gênero. Agora a gente faz?

Eu, particularmente, estou vendo a “internet Preta” se rachando ao meio por conta de gênero. Enquanto vemos os nossos como maioria nos h0micidios e as nossas como maioria nos f4minic1dios, nos vemos como os mais pobres e com menos acessos a direitos básicos. Aprendemos o mais básico que os nossos raptores nos ensinaram: a nos 0d14r.
O plano da #branquitude deu certo: não precisamos mais deles para nos mantermos separados. As ideias do ocidente estão tomando a cabeça dos africanos em diáspora enquanto todo o nosso povo sofre quando uma mãe perde um filho ou quando uma filha cresce sem pai. Continuamos com “ISMOS” para pautar o progresso enquanto continuamos competindo para ver quem se f*de mais. É isso?
O plano de quem nos s3questrou está a todo vapor nos manter juntos e separados ao mesmo tempo. Enquanto isso, esquecemos do óbvio: Todos os navios n3greiros eram unissex e neles, #raça vinham primeiro.
Não deixe que nos separem. A responsabilidade também é sua.


*”O uso do termo maafa (a “grande destruição/desintegração”) ao invés de “h0locaust0 africano” implica antes de tudo que o termo transmite não só melhor os eventos como enfatiza que a negação da humanidade africana é um fenômeno secular sem paralelo.”(SIC)

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