
Um olhar especial para a criação racializada.
A Revista ParentaVerso é um espaço seguro e acolhedor dedicado a explorar a Parentalidade Preta em comunidade. Por meio de artigos, entrevistas e relatos pessoais, nossa revista celebra as experiências únicas de pais e mães Pretos. Oferecemos uma plataforma inclusiva que promove compreensão mútua, apoio e transformação social, tornando-se um refúgio essencial para vozes frequentemente marginalizadas. Valorizamos profundamente a Parentalidade Preta e reconhecemos a importância de entender as experiências e desafios enfrentados por pais e mães Pretos, a fim de promover uma sociedade mais inclusiva e justa. Ao ampliar nossas perspectivas e valorizar as vozes e vivências da Parentalidade Preta, estamos construindo um futuro mais equitativo para todas as famílias.
Editorial

Novembro de 2023
Caro leitor(a) da Revista ParentaVerso,
Gostaria de expressar minha imensa gratidão pela confiança que você demonstra em nós e pelo fato de você estar sempre presente neste espaço tão significativo para a nossa comunidade unida. É verdadeiramente uma grande honra tê-lo conosco, fortalecendo os vínculos que nos ligam e enriquecendo as nossas interações.
Cada vez que você se envolve com o meu conteúdo, está contribuindo para o crescimento deste ambiente de solidariedade mútua, transformação social e inspiração. Estou dedicado a fornecer materiais que tenham um significativo efeito, com o objetivo de construir um futuro mais igualitário e positivo para a nossa comunidade.
Sua presença e participação desempenham um papel essencial na realização desta missão. Agradeço por ser um membro ativo deste movimento e por compartilhar comigo esta jornada de aprendizado e crescimento fraterno. Juntos, estamos construindo um espaço onde a voz da nossa comunidade é celebrada e amplificada.
Diego Silva – Produtor executivo do Parentalidade Preta
Nesta edição você vai encontrar um conteúdo exclusivo, que foi gerado a durante o último mês a partir de trocas e conversas, bem como ficar por dentro do que vem acontecendo nesse universo. Na seção “Para Praticar” falamos sobre o conceito de raça para crianças. No nosso programa Afrocentricidade em 12 passos, vamos nos debruçar sobre o Império do Mali, sobre os Iorubá, falar sobre Yosef Ben-Jochannan e Muniz Sodré. A entrevista desse mês está regada de AFETO com Bruna Crioula e sua história. Em Outra História, a criação do Ilê Aiyê. Por fim, Voltando no tempo, vou te dar umas boas razões para ouvir um episódio antigo do Podcast Parentalidade Preta. Então aperte os cintos e vamos nessa!
Para praticar
Aqui vamos abordar aspectos práticos para uma criação racializada.

A introdução do conceito de raça para crianças é uma tarefa complexa e delicada. É essencial abordar esse assunto de maneira sensível e educativa, proporcionando às crianças uma compreensão saudável e inclusiva da diversidade racial desde cedo. Nesta abordagem, destacaremos alguns aspectos importantes a serem considerados ao discutir raça com as crianças. Nas próximas edições vamos abordar e adentrar um pouco mais em cada tópico.
Abordagem sobre o racismo e como ele pode ferir as pessoas
A introdução do conceito de raça para crianças é uma tarefa complexa e delicada, pois envolve abordar questões sensíveis, como o racismo, de maneira educativa. É fundamental que as crianças desenvolvam uma compreensão saudável e inclusiva da diversidade racial desde cedo, e isso inclui uma discussão sobre como o racismo pode ferir as pessoas.
O racismo é quando alguém julga ou trata uma pessoa de maneira injusta com base em sua raça, cor de pele ou origem étnica. Isso pode acontecer de várias maneiras, desde piadas racistas até a exclusão de pessoas de grupos por causa de sua raça. É importante explicar às crianças que o racismo é errado e que todos merecem ser tratados com respeito, independentemente de sua raça.
Uma maneira eficaz de abordar o racismo com as crianças é através de histórias e exemplos do cotidiano. Contar histórias de pessoas que enfrentaram o racismo e o superaram pode inspirar as crianças a serem mais tolerantes e solidárias. Além disso, é essencial enfatizar a importância da empatia, que significa se colocar no lugar do outro, e mostrar como a empatia pode ajudar a combater o racismo.
É crucial criar um ambiente seguro onde elas se sintam à vontade para fazer perguntas e expressar suas preocupações. Os adultos devem estar preparados para responder a essas perguntas com honestidade e cuidado, adaptando as respostas à idade e ao nível de compreensão das crianças. Por meio dessa abordagem sensível, podemos ajudar as crianças a desenvolver uma visão positiva da diversidade racial e a combater o racismo desde cedo.
Sejamos agentes de mudança na vida de nossos pequenos!

Afrocentricidade em 12 passos
Este programa de 12 etapas tem como objetivo introduzir crianças ao conceito de afrocentricidade, promovendo uma compreensão positiva e empoderadora da cultura Afrodiaspórica. O objetivo desse programa é apresentar a Pais, Professores e cuidadores, o conceito e o desenvolvimento da afrocentricidade nas abordagens da criação. Através da exploração da história, literatura, arte e música, levantaremos questionamentos no sentido de valorizar a identidade racial e étnica. Quero, com esse programa, oferecer ferramentas para o investimento em uma criação racializada. Levantaremos em 12 ações discussões e trocas a respeito desse tema tão importante para o desenvolvimento de crianças Pretas.
Nesse Programa, abordaremos sempre ações práticas de atividades, uma civilização africana potente, um grupo étnico africano que veio para o Brasil através da diáspora, um pensador estrangeiro e um brasileiro, bem como um pouco dos seus trabalhos. Em seguida, um cronograma de atividades para serem realizadas com crianças durante o mês.
Etapa 6: Estereótipos e representação
- Discuta como os estereótipos podem afetar a forma como as pessoas são vistas e tratadas.
- Analise exemplos de estereótipos raciais presentes na mídia e discuta seu impacto.
Os estereótipos são representações simplificadas e generalizadas de determinados grupos de pessoas, baseadas em características superficiais. Essas ideias pré-concebidas podem afetar significativamente a forma como as pessoas são vistas e tratadas, especialmente quando se trata de estereótipos raciais. É fundamental discutir o impacto desses estereótipos e analisar exemplos presentes na mídia para promover uma compreensão mais ampla e uma representação mais justa e precisa.

Um exemplo histórico importante para compreender o impacto dos estereótipos raciais é o Império do Mali, localizado na África Ocidental entre os séculos XIII e XV. Esse império foi um dos mais ricos e poderosos da época, conhecido por sua prosperidade econômica e avanço cultural. No entanto, os estereótipos eurocêntricos da época retratavam a África como um continente “primitivo” e “atrasado”, ignorando as realizações do Império do Mali e de outras civilizações africanas. Esses estereótipos perpetuaram visões negativas e distorcidas do continente africano por séculos.
Outro exemplo relevante são os iorubás , que possuem características culturais distintas. Os iorubás são conhecidos por sua rica tradição artística, religiosa e linguística. No Brasil, a cultura dos iorubá teve uma contribuição significativa na formação da cultura afro-brasileira. Elementos como a religião afro-brasileira conhecida como Candomblé, a música e a dança do samba de roda e o uso de expressões linguísticas de origem iorubá são exemplos dessa influência cultural. No entanto, é importante destacar que, muitas vezes, os iorubás são estereotipados e vistos apenas através de lentes limitadas, sem o devido reconhecimento de sua riqueza e diversidade cultural.

A mídia desempenha um papel importante na perpetuação de estereótipos raciais. Muitas vezes, a representação de personagens e grupos étnicos é estereotipada, reduzindo-os a papéis secundários, caricatos ou estigmatizados. Por exemplo, pessoas negras são frequentemente retratadas como criminosas, empregadas domésticas ou como figuras de entretenimento, reforçando assim estereótipos negativos e limitantes. Essa representação inadequada contribui para a marginalização e a perpetuação de desigualdades raciais.

Para combater esses estereótipos e promover uma representação mais justa, é fundamental valorizar e divulgar vozes e perspectivas diversas. Yosef Ben-Jochannan, por exemplo, foi um renomado historiador afrodescendente que se dedicou a desmistificar e reinterpretar a história africana. Seu trabalho contribuiu para elevar a autoestima das pessoas de ascendência africana, resgatando uma história muitas vezes apagada ou distorcida.
Outro importante nome é Muniz Sodré, um renomado intelectual brasileiro que analisa as relações entre mídia, cultura e sociedade. Seus estudos ajudam a compreender os impactos dos estereótipos raciais na mídia e a propor alternativas para uma representação mais equitativa.

Discutir os estereótipos raciais e a representação na sociedade, é essencial promover a conscientização sobre os efeitos negativos dessas visões simplistas e generalizadas. Através da educação, do conhecimento histórico e da análise crítica da mídia, as crianças podem desenvolver uma visão mais ampla e inclusiva, reconhecendo a diversidade e combatendo o preconceito racial. Dessa forma, estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e respeitosa com todas as pessoas, independentemente de sua cor de pele.

Atividades:
Semana 1: Atividade: Explorando o Império do Mali
- Realizar uma apresentação sobre o Império do Mali, destacando sua riqueza cultural, avanços econômicos e realizações históricas.
- Promover uma discussão sobre os estereótipos eurocêntricos da época e como eles afetaram a percepção da África como um continente “primitivo”.
- Propor uma atividade de pesquisa, na qual as crianças possam descobrir mais sobre as realizações do Império do Mali e compartilhar suas descobertas.
Semana 2: Atividade: Conhecendo os iorubás
- Apresentar a cultura dos Iorubas , enfatizando sua rica tradição artística, religiosa e linguística.
- Explorar a contribuição dos Iorubas na formação da cultura afro-brasileira, como o Candomblé, o samba de roda e as expressões linguísticas de origem Iorubas.
- Estimular as crianças a criar uma pequena apresentação artística, como uma dança, uma música ou uma pintura, inspirada na cultura dos Iorubas.
Semana 3: Atividade: Analisando estereótipos na mídia
- Mostrar exemplos de estereótipos raciais presentes na mídia, como personagens estereotipados ou papéis limitados atribuídos a determinados grupos étnicos.
- Promover uma discussão sobre o impacto dessas representações na percepção das pessoas e como elas contribuem para a perpetuação de desigualdades raciais.
- Propor uma atividade de análise crítica, na qual as crianças possam identificar e questionar estereótipos presentes em filmes, programas de TV, livros ou propagandas.
Semana 4: Atividade: Valorizando vozes e perspectivas diversas
- Apresentar o trabalho de Yosef Ben-Jochannan, destacando sua contribuição para a desmistificação e reinterpretacão da história africana.
- Explorar as ideias de Muniz Sodré sobre as relações entre mídia, cultura e sociedade, enfatizando a importância de uma representação mais equitativa.
- Estimular as crianças a criar uma obra de arte, como um desenho, um poema ou uma música, que represente a valorização da diversidade e o combate aos estereótipos raciais.
Durante cada semana, é fundamental proporcionar espaços de diálogo, reflexão e expressão para as crianças. Incentive-as a compartilhar suas opiniões, ideias e descobertas, criando um ambiente seguro e inclusivo. O objetivo é promover uma compreensão mais crítica dos estereótipos raciais e incentivar a valorização da diversidade cultural, combatendo o preconceito e promovendo uma representação mais justa e inclusiva na sociedade.
Entrevista desta edição

Identificação
Deixe as pessoas saberem um pouco mais sobre você.
PP: Fale um pouco de você: Nome, idade, nome das crias, se é cuidador(a/e) solo, informações profissionais e localização. Inclua outras informações que gostaria que as pessoas soubessem.
Bruna: Eu sou uma multidão de sonhos, desejos, afetos e sorrisos. Sou filha da Zena e do Carlos, eles me deram o nome de Bruna Pedroso Thomaz de Oliveira. Carrego o sobrenome Thomaz da minha avó paterna, meu pai não queria que a linhagem dela sumisse então quis colocá-lo também e me fez ter um sobrenome quase real kkkk Nas redes sociais eu sou conhecida como Bruna Crioula, pseudônimo que surge quando vivo meu primeiro parto, a minha empresa Crioula | Curadoria Alimentar.
Sou matrigestora da Crioula que existe há oito anos, tutora de dois gatos pretos há dois anos e alguns meses e mãe do Inácio, meu filhote humano de um ano. Sou companheira do André com quem compartilho essa família que tanto me alegra poder cocriar. Tenho 32 anos, sou natural de Porto Alegre/RS. Sou uma aquariana sonhadora, filha de minha Mãe Oxum que me nutri, me guia, me faz ser curiosa, amar o conhecimento e me emocionar com a vida. Sou mestra em ciências sociais e nutricionista formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.
Sou estudante de relações públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sou pesquisadora alimentar, atuando como pesquisadora voluntária no Djanira – Instituto de Pesquisa e Ensino e no Núcleo de Estudos Africanos, Afro-brasileiros e Indígenas – Neabi da Universidade Federal de Ciências da Saúde Porto Alegre (UFCSPA). Sou analista de conservação na WWF Brasil, ativando o Círculo de Produção e Consumo.
PP:Conte um pouco da sua história como criança, local onde cresceu, coisas que gostava e não gostava. Destaque uma lembrança que gosta de recordar.
Bruna: Nasci em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Morei até meus cinco anos de idade numa cidade da região metropolitana chamada Alvorada. Boa parte da minha família materna e paterna mora nesse município, e muitos tios e tias moravam inclusive na mesma região. Quando meus pais estavam trabalhando meu irmão e eu ficávamos com tias ou primas. Quando estava para iniciar minha vida escolar no ensino fundamental, minha mãe já estava organizada para mudarmos de cidade, considerando que a mobilidade urbana onde morávamos era muito difícil. Então, a partir dos meus seis anos, morei numa periferia de Porto Alegre onde ficava melhor para minha mãe ir para o trabalho e estávamos mais próximos de escolas boas.
Segundo minha mãe “nunca dei trabalho” porque era obediente, gostava de estudar e respeitava as regras que ela estabelecia para vivermos a rotina da família. Sempre fui muito comunicativa, sorridente e sensível. Minha mãe me vestia como uma princesinha, o que dificultava um pouco algumas brincadeiras mais agitadas. Mesmo eu não gostando das blusas com ombreiras e meia calça, nunca fiz birra para manter a estética que minha mãe idealizava para mim. Meus pais são pessoas que prezam muito pela família, então eu convivi muito com minhas avós, tios, tias, primos e primas. Aniversários, datas comemorativas eram sempre celebradas com muitas pessoas, risadas altas, churrascada e correria das crianças.
É difícil lembrar uma única lembrança que gosto de recordar porque a verdade é que eu amo recordar toda a minha infância. Vou destacar as lembranças dos meus finais de semana. Isso porque durante a semana a dinâmica era casa, escola, cursos e igreja. Mas de sexta a tarde até domingo à tarde a gente podia “fazer o que quiser” que fosse autorizado pelos meus pais ou sob supervisão. Mesmo com uma rotina muito regrada, eu fui uma criança muito feliz. Mesmo.
Tive pai e mãe presentes em todas as minhas etapas de desenvolvimento, cada um a seu modo, dando o seu melhor para que eu fosse a mulher que sou hoje. Meu pai me ensinou a sonhar e minha mãe me ensinou a realizar esses sonhos. Meu pai é um homem carinhoso, criativo que estava sempre brincando conosco, trazendo o lúdico para as tarefas cotidianas e estimulando nossos talentos por meio de atividades conforme nossa faixa etária e momentos. Aos finais de semana ensolarados, saímos para jogar vôlei, basquete, futsal (tínhamos todas essas bolas), andar de patinete ou bicicleta e conforme a estação do ano, coletamos pitangas e amoras. Nos dias chuvosos era quebra-cabeça, xadrez, dama, moinho, desenho com giz de cera, aquarela, lápis de cor. Também tinha horário para jogar jogos educativos no computador e pesquisar o que quiséssemos na internet que naquela época era discada kkkk Meu pai é uma pessoa de muitos amigos, então a gente também viajava para sítios para pescar, nadar em açudes e comer delícias de fogão à lenha.
Eu adorava viver meus finais de semana, assim como todos os dias. Mesmo quando meus pais se separaram, mantiveram um vínculo saudável de convivência para estarmos juntos e bem. Pode ser que minha história seja a exceção à regra de crianças e famílias negras e que bom, né? Quem dera todos os nossos pequenos tivessem a infância que eu tive.
PP:Você mora no local onde cresceu? Se sim, o que mais te chama atenção nas mudança? Se não, do que mais sente falta?
Bruna:Morei por vinte e poucos anos no mesmo bairro. Era um bairro violento no sentido do tráfico de drogas. Houve um período em que tínhamos toque de recolher instaurado. Isso foi mudando com o tempo felizmente. Lá no Parque dos Maias havia muitas praças e eu adorava passar por todas, pelas amoreiras e pitangueiras que encontrávamos nelas. Também tínhamos nêsperas (ameixinhas amarelas) que coletamos para fazer suco, geleia, sorvete ou simplesmente comê-las recém tiradas do pé. Posso dizer que sou coletora urbana desde criança, sei reconhecer árvores frutíferas há muitos anos.
Depois que conheci as Plantas Alimentícias Não Colonizadas (PANC) eu só ampliei meu leque de plantas comestíveis que identifico. Opa… desviei do assunto. Só um pouquinho na verdade porque onde eu moro atualmente não tem tantas praças ou árvores frutíferas. Eu sinto muita falta de pegar minha sacola, tesoura de poda e cestinho e sair coletando pelo bairro. Sinto falta do silêncio do bairro porque era uma área residencial com pouca circulação de veículos. Hoje moro em frente a uma avenida extremamente movimentada e minha casa é ambientada pelo barulho de motos, ônibus e buzinas.
Parentalidade

PP:Olhando do agora, como você vê a relação das pessoas que te criaram? Você sente que foi um lar acolhedor? Gostaria de falar um pouco sobre o ambiente?
Bruna: Meus pais eram pessoas muito presentes na minha vida. Eles demoraram para decidir que a relação deles não dava mais certo, que o amor entre eles havia acabado e isso foi um processo ruim que os filhos tiveram que acompanhar. Mas nada que tenha gerado traumas incuráveis na vida do meu irmão e minha. Eu não consigo explicar em poucas palavras a dinâmica da minha casa, vou tentar.
Minha mãe era a “chefe” da nossa família, como servidora pública, tinha estabilidade financeira, além de ser uma pessoa bastante regrada (capricorniana para quem acolhe esse rolê da astrologia kkkkk). Trabalho, trabalho e mais trabalho, responsabilidade e poucas palavras é um pouco do que resumia minha mãe. Eu tinha um misto de respeito e temor em relação a ela. Ela era uma mãe durona e que exigia sempre o nosso melhor, o ponto de corte dela era muito alto. Em contrapartida meu pai era (e ainda é) meu melhor amigo, o racismo opera na vida das pessoas de diferentes formas e meu pai regia aos intentos dessa maafa. Por isso, foi demitido dos trabalhos na área de desenho mecânico. Com o tempo, faltavam recursos para se atualizar e aí ele acabou fazendo uma “transição de trabalho” para bicos de diferentes ordens: conserto de máquinas de costura, serviços como eletricista, “marido de aluguel”, pintava quadros e vendia, meu pai fazia de um tudo mesmo. Depois que minha avó paterna faleceu, ele também teve a responsabilidade de cuidar da minha irmã mais velha que está dentro do espectro autista.
Bom, eu considero que meu lar era acolhedor. Haviam brigas, mas estávamos sempre juntos. Íamos muito à igreja que também era uma comunidade bastante acolhedora. Eu tinha boas amigas na igreja, na escola. Podia contar com meu pai e minha mãe, cada um do seu jeito nas diferentes demandas da vida de uma criança, adolescente, adulta jovem. Eu tinha questões com minha mãe, brigávamos bastante. Já tive ressentimentos que passaram com o tempo e terapia. Já os conflitos com meu irmão mais novo nunca cessaram e hoje não convivemos. Eu nem sei dizer ao certo quais questões foram mais intensas e marcantes para essa separação, mas nos tornamos adultos muito diferentes e incompatíveis.
PP: Como você acha que poderia ter sido diferente? Cite coisas melhores ou piores.
Bruna: Eu penso que tive uma boa criação e meus pais deram o melhor deles para manter nossa família unida, mesmo quando se separaram. Eu não sei o que poderia ser diferentes para que meu irmão e eu pudéssemos construir uma relação saudável mesmo em meio as diferenças. Pra mim essa é a pior situação familiar que persiste na nossa história.
Eu gostaria que minha mãe fosse mais afetuosa na minha infância e adolescência. Eu sentia falta de vê-la como minha amiga como percebia a relação das minhas amigas com suas mães. Mas isso tem relação com a criação dela e como ela aprendeu a expressar seus afetos, então o que poderia ser diferente vai muito além dos meus pais e de nós enquanto filhos, sabe?
Eu fico pensando como seríamos sem o atravessamento do racismo em nossas vidas. Se a dinâmica da vida pudesse ser a partir dos valores ancestrais africanos, dos diálogos em comunidade e resolução de conflitos de maneira coletiva a partir dos conselhos dos mais velhos.
Em suma, eu acho que fomos o melhor que poderíamos ser. Um possível que não foi pequeno no presente que não é escasso ou mal compreendido.
PP: Se você tiver filho(a/e)s, compartilhe um pouco de como foi o processo de descoberta e gravidez. Fale sobre as expectativas e frustrações.
Bruna: Eu sempre quis ser mãe. A maternidade faz parte dos sonhos incentivados na comunidade evangélica do qual eu fazia parte. No nosso caso, não houve preparo anterior a notícia que o Inácio estava a caminho. André e eu conversávamos sobre os sentidos de família e não havia uma predisposição dele em ser pai, ainda que houvesse o reconhecimento de que seríamos bons pais caso essa fosse uma realidade. Mas é aquilo, entre o discurso e a prática existe uma distância e a gente não tinha qualquer método contraceptivo. Inácio poderia ter aparecido com duas semanas de relacionamento, mas resolveu esperar dois anos (aushuahus risos).
Houve um esforço da nossa parte em organizar nossa vida o máximo possível para receber esse novo ser. Eu tenho poucas frustrações nesse processo de gestar. Queria ter curtido melhor com fotos e momentos de descanso, mas eu precisei trabalhar e adiantar muita coisa da pós graduação porque sabia que depois seria mais difícil. Minha principal frustração foi ter parido via cesária. Ainda não me sinto preparada para compartilhar a experiência do meu parto, ela não foi boa pra mim.
As 41 semanas de gestação foram incríveis. Eu gostei muito de viver essa experiência. E sei que pude desfrutar de momentos e experiências que outras mulheres negras não conseguem.
PP: Como você define a sua relação com a(s) cria(s) hoje? O que você gostaria que as pessoas soubessem a respeito do sei jeito de paternar/maternar?
Bruna: Tenho uma ótima relação com meu filho. Ele é muito amoroso, afetivo e alegre. É uma maravilha poder acompanhar o desenvolvimento de um ser humano. Eu penso que você acompanha a materialização de um milagre cotidiano da natureza. Eu contemplo meu filho todos os dias. A quantidade de fios de cabelo, as feições, os dedinhos do pé, as formas de comunicação que vão se complexificando. Eu amo muito meu filho.
Penso que o que eu gostaria de compartilhar com mães pretas é o seguinte: não idealize seu parto, ele pode não corresponder às suas expectativas e isso vai doer bastante. Não somente isso, mas as dificuldades de atravessar o puerpério também são angustiantes. Pouco se fala sobre isso, você se sente sozinha, insegura, incapaz em muitos momentos. Tenha amigas que não vão te julgar por dizer “tô arrependida”, “se pudesse voltava no tempo”, isso não te faz menos mãe ou uma mãe ruim, até porque, é mentira que nasce um filho e uma mãe junto. tornar-se mãe é um processo doloroso, mesmo quando a gestação é bem quista e desejada.
Também não pense a cada etapa que ela vai passar. Não fique alheia às suas emoções, desejos, sentimentos. Também não queira que passe momentos que são importantes para você construir vínculo com seu bebê com a nova dinâmica familiar e todas as transformações desse período. Novamente, tenha amigas para te acolheram nesse momento. Mãe e sogra vão querer ficar dando pitaco e romantizando situações pela memória delas da maternagem que elas tiveram. Seu companheiro pode ser muito presente, mas ele jamais vai acessar aquele vazio que você sente dentro de você nas primeiras semanas. Ele jamais vai acessar a frustração das primeiras mamadas. E tudo bem.
Tenha amigas que vão ficar com seu bebê para você dormir, vão fazer alguma comidinha gostosa e te ver chorar de pijama largo. Eu falo amigas no plural porque uma pessoa só não dará conta desse acolhimento integral, por isso a noção de aldeia. Cada uma num turno todos os dias cobrem suas necessidades emocionais e domésticas que são necessárias porque se o pai é presente, ele também estará cansado. Podem ser amigos também, enfim… amizades.
PP: Filho é pro mundo? O(s) seu é(são)?
Bruna: Com toda certeza, mas não para o mundo colonizado, eurocentrado e racista. Meu filho é para um mundo que eu estou construindo junto a irmandade que estabeleço com pessoas como você, Diego. E mesmo que esse mundo que eu estou construindo seja ainda seminal, vou criar meu filho para que ele seja agente ativo da materialização desse mundo preto, quilombola, contracolonialista.
Futuro

Vamos falar um pouco do que você gostaria de ver acontecer?
PP: Como você vê o seu futuro com a(s) crias? O que você gostaria de ver concretizado?
Bruna: Eu tenho poucas expectativas em relação ao futuro, estou mais preocupada em sobreviver ao presente #rindodenervosa kkkkk Eu desejo ter uma relação bonita com meu filho. Que ele confie em mim para participar da sua vida como um apoio e suporte para ele poder ser sua máxima potência. Eu digo que tenho poucas expectativas porque eu tive uma criação muito bonita, então eu sei uma receita de bolo que deu muito certo comigo. Tem coisas que meus pais fizeram que não me servem e não lançarei mão disso na criação do Inácio e quem mais chegar para eu viver essa maternidade. Mas eu tenho certeza que a adulta incrível que eu sou foi porque minha infância foi respeitada, conduzida e acolhida.
Eu quero que meus filhos sejam pessoas otimistas com o seu próprio futuro, politicamente lúcidas, atentas e ativas em defesa da natureza e honrem o legado que nossa ancestralidade africana sedimenta no mundo.
PP: Se você partisse desse mundo amanhã, o que você gostaria que seus descendentes soubessem a seu respeito?
Bruna: Que eu era uma pessoa sonhadora e comprometida com o fortalecimento do povo negro pelas lentes da colaboração, amorosidade e ecologia. Que eu era incansável em fazer bem as pessoas e ao planeta e que minha espiritualidade se manifesta em cozinhar comidas gostosas e escrever reflexões para um mundo mais interdependente. Que eles soubessem que minha vida não era centrada em mim mesma e que isso me fazia uma mulher feliz e contente.
PP: Que conselho você daria para famílias que estão começando agora na jornada de auxiliar na condução do crescimento de alguém?
Bruna: Crie sua aldeia com pessoas que você ama, confia e admira. Inácio tem 14 pessoas que o apadrinham/madrinham, fora um grupo com cerca de 40 pessoas que mandamos atualizações e também pedimos ajuda quando necessário. Não se furte disso. O mundo não vai nos dar essa aldeia, é preciso uma dedicação cotidiana para manutenção desses vínculos e você não vai se arrepender de fortalecer essa coletividade em torno das suas crias. Eu nunca mais me senti só quando entendi que todo mundo está aprendendo a ser comunidade. Uma aldeia simbólica, uma aldeia não territorializada, mas ainda assim uma aldeia.

Bruna Pedroso Thomaz de Oliveira, conhecida como Bruna Crioula, é uma mulher multifacetada e inspiradora. Nesta entrevista, Bruna compartilha sua jornada de vida desde sua infância na periferia de Porto Alegre até sua experiência como mãe, nutricionista, pesquisadora e ativista. Ela destaca a importância da comunidade, ressaltando a necessidade de construir uma “aldeia” de apoio ao redor de sua família. Bruna também oferece valiosas reflexões sobre a maternidade e o papel das amizades nesse processo desafiador. Sua história é um tributo à resiliência, ao amor à família e ao compromisso com a construção de um mundo melhor.

Datas importantes desse mês:
| NOVEMBRO |
|---|
| Dia 01– Criado o bloco afro Ilê Aiyê, uma das primeiras agremiações carnavalescas a agregar negros no Brasil. Salvador/BA (1974);– Lançado o jornal O Abolicionista, no Rio de Janeiro/RJ (1880). |
| Dia 19– Nasce Paulo Lauro, que viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo/SP (1907).– Lançado o primeiro volume de Cadernos Negros. São Paulo/SP (1978). |
| Dia 20– Dia Nacional da Consciência Negra.– Morre Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão e líder do Quilombo dos Palmares. Alagoas/AL (1695). |
| Dia 22– Revolta da Chibata. Rebelião liderada por João Candido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos sofridos na Marinha Mercante. Rio de Janeiro/RJ (1910). |
| Dia 24– Samba do Recôncavo Baiano reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco). (2005). |
| Dia 25– Dia Nacional das Baianas. |
| Dia 29– Nasce Maria da Conceição Evaristo de Brito, linguista e escritora. Belo Horizonte/MG (1946). |
O mês de novembro é marcado por uma série de datas de extrema importância que celebram e ressaltam a cultura, a história e a luta da comunidade negra no Brasil. Entre essas datas, destacam-se:
Dia 01 – Em 1974, na cidade de Salvador, Bahia, foi criado o bloco afro Ilê Aiyê. Esta agremiação carnavalesca teve um papel fundamental ao agregar negros e promover a valorização da cultura afro-brasileira no contexto do Carnaval. O Ilê Aiyê se tornou um ícone de resistência e celebração da identidade negra, deixando um legado significativo na história do carnaval baiano.
Dia 19 – Neste dia, em 1907, nascia Paulo Lauro, que futuramente viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo, São Paulo. Sua trajetória política e representatividade marcaram um importante avanço na inclusão e visibilidade de líderes negros em posições de destaque no cenário político brasileiro.
Dia 20 – O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data que rememora a morte de Zumbi dos Palmares em 1695. Zumbi foi o principal líder do Quilombo dos Palmares, representando a resistência negra à escravidão no Brasil. A data é um momento de reflexão, conscientização e luta contra o racismo e em defesa da igualdade racial.
Dia 22 – Em 1910, no Rio de Janeiro, ocorreu a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, o “Almirante Negro”. O movimento foi uma rebelião contra os maus-tratos sofridos por marinheiros negros na Marinha Mercante. A revolta teve um impacto significativo na luta por direitos e melhores condições de trabalho para a população negra.
Dia 24 – Em 2005, o Samba do Recôncavo Baiano foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, destacando a importância dessa expressão cultural que tem raízes profundas na cultura afro-brasileira. O samba é uma manifestação artística que representa a riqueza da herança negra na música e na dança.
Dia 25 – O Dia Nacional das Baianas celebra as mulheres que desempenham um papel fundamental na preservação das tradições culturais afro-brasileiras, em especial na culinária e religião. As baianas são ícones da cultura e da identidade negra na Bahia e em todo o Brasil.
Dia 29 – Neste dia, em 1946, nasceu Maria da Conceição Evaristo de Brito, linguista e escritora. Ela se tornou uma das vozes mais importantes da literatura afro-brasileira, abordando questões de raça, gênero e identidade em suas obras. Seu trabalho contribuiu significativamente para a representatividade negra na literatura brasileira.
Essas datas representam marcos importantes na história e na cultura afro-brasileira, destacando a importância da conscientização, do reconhecimento e da celebração da herança negra no Brasil. Elas também ressaltam a contínua luta por igualdade, justiça e respeito para a comunidade negra no país.
Outra História

O Bloco Ilê Aiyê, carinhosamente conhecido como “Ilê,” é muito mais do que um simples grupo carnavalesco em Salvador, na Bahia. Fundado em 1974 no bairro do Curuzu, o Ilê Aiyê é uma instituição cultural que se destacou como o primeiro bloco afro do Brasil. Seu nome, que significa “Mundo Negro” ou “Casa da Terra” em iorubá, revela sua profunda ligação com a herança africana e a terra brasileira.
A história do Ilê Aiyê é marcada por uma forte luta contra o racismo e a discriminação racial que prevaleciam em Salvador e em todo o país. Seus fundadores, Antônio Carlos dos Santos e Apolônio de Jesus, criaram o bloco com o objetivo de afirmar a identidade negra e promover a cultura afro-brasileira. O Ilê Aiyê desafiou as normas sociais da época, que estigmatizavam a população negra, e se tornou um farol de resistência.
Além de suas impressionantes apresentações no carnaval, o Ilê Aiyê também se destaca por sua atuação fora da folia. O bloco mantém projetos culturais e sociais, incluindo escolas para crianças carentes em Salvador. Sua música, baseada em tambores e vozes poderosas, homenageia a cultura africana e aborda questões sociais, como o racismo e a desigualdade.
Um dos aspectos mais notáveis do Ilê Aiyê é a sua política de aceitar apenas participantes negros. Isso reflete o compromisso do bloco em manter sua essência como um espaço que celebra a cultura negra e empodera a comunidade negra. O concurso “Noite da Beleza Negra” é um exemplo de como o Ilê Aiyê transformou a tradicional competição de beleza em uma celebração da raça negra e do orgulho étnico.
O Ilê Aiyê é muito mais do que um bloco de carnaval; é um símbolo de resiliência, orgulho e celebração da herança africana. Sua importância na promoção da cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo é inestimável, e sua influência se estende muito além das festividades carnavalescas. O Ilê Aiyê continua sendo um farol de esperança e uma força motriz na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Referência: Wikipédia
Voltando no tempo
Nessa coluna, vou compartilhar insights e abordagens sobre as trocas que já foram ao ar no Podcast Parentalidade Preta.
[parenta] #6 – Mulheres Pretas na Política – Dani Nunes

Nessa troca:
A presença das mulheres na política é um tema em constante destaque na sociedade contemporânea. Apesar dos avanços e do direito ao voto conquistado há noventa anos, persistem questões importantes sobre a representatividade feminina na política. A sub-representação de mulheres em cargos de poder e influência é uma realidade que perdura, demonstrando que desafios ainda precisam ser superados para alcançar uma igualdade de gênero efetiva.
À medida que se aproximam eleições como as de 2022, torna-se relevante analisar a presença das mulheres no cenário político e a possível persistência de disparidades entre candidaturas e resultados eleitorais. Nesse contexto, é fundamental examinar a importância da presença de mulheres pretas na política, destacando a luta contra o racismo sistêmico e a promoção da diversidade no espaço político. Além disso, educar as gerações mais jovens sobre política, incluindo as meninas, é crucial para incentivar seu envolvimento e compreensão do impacto de suas ações na sociedade.
A representatividade feminina na política é um assunto complexo e em constante evolução, intrinsecamente ligado a dinâmicas sociais, culturais e políticas igualmente complexas. Não existem respostas ou soluções simples, mas a importância de reconhecer e enfrentar as barreiras que limitam a participação plena das mulheres no cenário político é fundamental para construir uma sociedade mais justa e equitativa.
Acompanhe esse episódio na íntegra:
O Parentalidade Preta é uma iniciativa independente e abrangente que aborda questões cruciais relacionadas às paternidades e às maternidades na comunidade negra, além de discutir temas relevantes sobre a educação e o desenvolvimento de crianças Pretas. Ele se destaca como um universo multimídia, unindo diversas ações em diferentes áreas. Com isso em mente, estamos consolidando o ParentaVerso, um espaço de crescimento mútuo e comunitário. Atualmente, o Parentalidade Preta realiza diversas ações virtuais e multimídias:
- Ensaios e Textos Reflexivos: Oferece, nas redes sociais e no blog reflexões sobre questões raciais e familiares, abordando a paternidade e maternidade conscientes.
- Aconselhamentos por Mensagens: Fornece suporte e orientação por meio de mensagens, auxiliando pais e cuidadores em suas jornadas.
- Educação Parental Racializada: Disponibiliza informações nas redes sociais e recursos para uma criação consciente e racializada.
- Podcast com Programas Diversos: Apresenta programas variados sobre parentalidade, com convidados especiais e pais compartilhando suas experiências.
- Rodas de Conversa Virtuais: Promove a conexão entre pais pretos de diferentes lugares, permitindo o compartilhamento de vivências.
- Traduções de Vídeos e Textos sobre Afrocentricidade: Oferece curadoria e traduções de conteúdos relevantes sobre Afrocentricidade.
- Curadoria de Leituras: Compartilha insights e indicações de leituras voltadas ao universo da criação racializada.
- Apoio a outros projetos geridos por Pessoas Pretas, o Cozinhe sua História e o Maternagem Preta .
- Grupos de trocas e vivências no whatsapp.
- Grupo Terapeutico sobre Masculinidades Pretas: Realiza encontros mensais conduzidos por um psicólogo com foco nas vivências e desafios específicos das Masculinidades Pretas.
Saiba como apoiar abaixo:

Até breve!
Diego Silva

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