
Um olhar especial para a criação racializada.
A Revista ParentaVerso é um espaço seguro e acolhedor dedicado a abordar a Parentalidade Preta em comunidade. Com artigos, entrevistas e relatos pessoais, a revista celebra as experiências dos pais e mães Pretos, oferecendo uma plataforma inclusiva que promove compreensão, apoio mútuo e transformação social. É um refúgio essencial para vozes frequentemente marginalizadas, valorizando a Parentalidade Preta.
É necessário reconhecer as experiências únicas e os desafios enfrentados por pais e mães pretos, a fim de promover uma sociedade mais inclusiva e justa. Ao olhar para além das perspectivas dominantes, podemos valorizar e fortalecer as vozes e vivências da Parentalidade preta, construindo um futuro mais equitativo para todas as famílias.
Editorial

Caro leitor da Revista ParentaVerso,
Gostaria de expressar minha profunda gratidão pela confiança que você deposita em nós e pela sua constante presença neste espaço tão fundamental para a nossa comunidade fraterna. É uma honra tê-lo conosco, fortalecendo os laços que nos unem e enriquecendo nossos diálogos.
A cada vez que você se envolve com meu conteúdo, está contribuindo para o desenvolvimento deste ambiente de solidariedade mútua, transformação social e inspiração. Estou comprometido em disponibilizar materiais significativos e impactantes em cada oportunidade, visando promover a construção de um futuro mais igualitário e afirmativo para nossa comunidade.
Sua presença e participação desempenham um papel essencial na realização dessa missão. Agradeço por ser um membro ativo desse movimento e por compartilhar comigo esta jornada de aprendizado e crescimento fraterno. Juntos, estamos construindo um espaço onde a voz da nossa comunidade é celebrada e amplificada.
Diego Silva – Produtor executivo do Parentalidade Preta
Nesta edição você vai encontrar um conteúdo exclusivo, que foi gerado a durante o último mês a partir de trocas e conversas, bem como ficar por dentro do que vem acontecendo nesse universo. Na seção “Destaque da quinzena”, o texto “Uma crítica à representatividade” provoca a ideia de ocupação de lugares por pessoas Negras e Pretas . Na “Entrevista” você vai conhecer Adriana, uma mãe potente que realiza diversas movimentações no campo da Maternidade Preta. “Para Praticar” Eduque-se sobre Diversidade e História. No nosso programa Afrocentricidade em 12 passos, vamos nos debruçar sobre o Reino de Zimbabwe, o povo Ewe, falar sobre Molefi Kete Asante e Kabengele Munanga. Em Outra História, vamos falar das leis do Ventre Livre e do Sexagenário. Por fim, Voltando no tempo, vou te dar umas boas razões para ouvir um episódio antigo do Podcast Parentalidade Preta.
Destaque da quinzena
Ocupando Lugares?
Uma das trocas mais potentes do PP dos últimos dias.

á muito cansativo, olha a humilhação dos nossos , cada dia uma humilhação nova, aff
Evacarmo
Uma crítica à representatividade
A questão da igualdade racial é um tema de grande importância e urgência nos dias de hoje. Apesar dos avanços conquistados ao longo dos anos, a desigualdade racial ainda persiste em muitas sociedades ao redor do mundo. Este tema é abordado com sinceridade e paixão por indivíduos e grupos comprometidos com a justiça social, demonstrando a preocupação com a persistência da desigualdade racial e a necessidade de um diálogo mais saudável e eficaz sobre essas questões.
A frustração diante da situação contínua de humilhação e injustiça enfrentada pela comunidade negra é um ponto central na crítica social. É evidente que, apesar dos esforços e da luta incansável por direitos iguais, as disparidades persistem. A sensação de que as pessoas negras estão constantemente em desvantagem e que as promessas de igualdade são frequentemente vazias é um tema recorrente.
Alguns questionam a eficácia da política como solução para as questões raciais, destacando a necessidade de uma mudança sistêmica mais profunda. Eles apontam para a realidade de que o sistema muitas vezes perpetua o status quo, dificultando a conquista de direitos iguais.
Há um reconhecimento de que a luta pela igualdade racial não é apenas uma questão de políticas públicas, mas também uma questão de mentalidade e percepção. O ceticismo em relação ao privilégio branco e a resistência em abrir mão desse privilégio são temas presentes, refletindo a necessidade de uma reflexão crítica mais ampla sobre o racismo.
Além disso, a referência a eventos históricos, como a luta das mulheres pelo direito de voto, serve como um lembrete de que a mudança muitas vezes requer sacrifício e resistência ao status quo. Isso destaca a importância de continuar a luta por direitos iguais, mesmo quando o caminho parece difícil.
Em última análise, este debate reflete um desejo de justiça e igualdade, mas também uma profunda conscientização das barreiras que ainda existem no caminho para alcançar esses objetivos. Ele aponta para a necessidade contínua de discussões construtivas e ações concretas para combater a desigualdade racial e promover uma sociedade verdadeiramente inclusiva e justa.
A frase “vamos ocupar espaços” vai além da busca por cargos específicos de liderança. Ela ressalta a luta contra a desigualdade sistêmica, onde as pessoas negras são frequentemente forçadas a pedir por direitos que deveriam ser concedidos automaticamente. Essa necessidade de suplicar por igualdade é profundamente injusta, pois indica que, mesmo em um contexto onde a diversidade e a inclusão deveriam ser valores fundamentais, as barreiras persistentes obrigam as pessoas negras a lutar por reconhecimento e equidade. Isso não apenas cria uma carga emocional e psicológica adicional para aqueles que já enfrentam discriminação racial, mas também destaca a urgência de uma mudança profunda na mentalidade e nas estruturas sociais, visando uma sociedade onde a inclusão seja a norma e a igualdade seja concedida sem a necessidade de suplicar por ela.
Para praticar
Aqui vamos abordar aspectos práticos para uma criação racializada.

A introdução do conceito de raça para crianças é uma tarefa complexa e delicada. É essencial abordar esse assunto de maneira sensível e educativa, proporcionando às crianças uma compreensão saudável e inclusiva da diversidade racial desde cedo. Nesta abordagem, destacaremos alguns aspectos importantes a serem considerados ao discutir raça com as crianças. Nas próximas edições vamos abordar e adentrar um pouco mais em cada tópico.
Família e Conversas Sobre Raça: Construindo Compreensão e Inclusão
Conversar sobre raça com a família é um passo fundamental na construção de um ambiente inclusivo e na promoção da igualdade racial. É essencial criar um espaço aberto e seguro para abordar questões raciais com os membros da família, independentemente de sua origem étnica. Iniciar conversas honestas sobre preconceito, estereótipos e injustiça racial é uma maneira poderosa de fomentar a compreensão mútua e desafiar visões limitadas.
Nessas conversas, é importante abordar a importância da empatia e da escuta ativa. Encoraje os membros da família a compartilhar suas próprias experiências e perspectivas em relação à raça, promovendo um espaço onde todos se sintam ouvidos e respeitados. Isso não apenas ajuda a desenvolver uma compreensão mais profunda das experiências uns dos outros, mas também fortalece os laços familiares ao demonstrar apoio e solidariedade.
Além disso, é relevante educar-se sobre a história racial e as lutas enfrentadas por diferentes grupos étnicos, para fornecer um contexto mais completo nas discussões. Isso pode incluir aprender sobre o legado da escravidão, os movimentos pelos direitos civis e as questões contemporâneas que afetam as comunidades racialmente marginalizadas. Ao compreender melhor o contexto histórico e atual, a família estará mais bem equipada para abordar questões raciais de maneira informada e compassiva.
Por fim, lembre-se de que a mudança não acontece da noite para o dia. Essas conversas sobre raça com a família são um primeiro passo importante na construção de uma sociedade mais igualitária. À medida que os membros da família se tornam mais conscientes e comprometidos em combater o racismo, eles podem se tornar agentes de mudança não apenas em casa, mas também em suas comunidades, contribuindo para um futuro mais inclusivo e justo para todos.
Sejamos agentes de mudança na vida de nossos pequenos!

Afrocentricidade em 12 passos
Este programa de 12 etapas tem como objetivo introduzir crianças ao conceito de afrocentricidade, promovendo uma compreensão positiva e empoderadora da cultura Afrodiaspórica. O objetivo desse programa é apresentar a Pais, Professores e cuidadores, o conceito e o desenvolvimento da afrocentricidade nas abordagens da criação. Através da exploração da história, literatura, arte e música, levantaremos questionamentos no sentido de valorizar a identidade racial e étnica. Quero, com esse programa, oferecer ferramentas para o investimento em uma criação racializada. Levantaremos em 12 ações discussões e trocas a respeito desse tema tão importante para o desenvolvimento de crianças Pretas.
Nesse Programa, abordaremos sempre ações práticas de atividades, uma civilização africana potente, um grupo étnico africano que veio para o Brasil através da diáspora, um pensador estrangeiro e um brasileiro, bem como um pouco dos seus trabalhos. Em seguida, um cronograma de atividades para serem realizadas com crianças durante o mês.
Etapa 4: Cultura africana e diáspora
- Introduza as crianças à riqueza da cultura africana e sua influência na diáspora.
- Explore a música, dança, culinária, arte e tradições de diferentes regiões africanas.
Resgatando a Grandeza: Valorização da História Afrodiaspórica e seus Protagonistas Inspiradores
A cultura africana é extremamente rica e diversa, com uma influência significativa na diáspora. Ao introduzir as crianças a essa cultura, é possível despertar nelas um entendimento mais profundo sobre a herança africana presente em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Nesse contexto, é importante abordar diferentes aspectos culturais, como música, dança, culinária, arte e tradições de várias regiões africanas.
Um dos aspectos interessantes a serem explorados é o Reino de Zimbabwe, uma antiga civilização que se desenvolveu na região sul da África. Este reino é conhecido por sua arquitetura impressionante, especialmente as ruínas de pedra que ainda podem ser vistas hoje. Ao aprender sobre o Reino de Zimbabwe, as crianças podem apreciar a habilidade e o conhecimento arquitetônico avançado daquela época, além de entender a importância histórica e cultural dessa civilização africana.


Outro grupo étnico fascinante a ser abordado são os Ewe, cuja origem remonta à região do antigo Reino do Daomé, localizado na atual República do Benin. Os Ewe têm uma rica tradição cultural que abrange música, dança e rituais religiosos. Ao explorar a cultura dos Ewe, as crianças podem aprender sobre os instrumentos musicais tradicionais, como tambores e flautas, e descobrir como a música e a dança são parte integrante de suas tradições culturais. Além disso, os Ewe também têm uma forte presença na diáspora africana, inclusive no Brasil, onde sua influência pode ser observada em manifestações culturais, como o maracatu e o jongo.
No contexto da diáspora africana, é importante destacar a contribuição de personalidades como Molefi Kete Asante. Asante é um renomado estudioso africano que se destacou em campos como a filosofia e a história. Seu trabalho tem sido fundamental para revalorizar a cultura africana e trazer à tona o conhecimento ancestral que foi frequentemente marginalizado ou apagado ao longo dos séculos. Ao apresentar às crianças o trabalho de Molefi Kete Asante, é possível incentivá-las a buscar uma compreensão mais abrangente da história africana e de sua relevância para a sociedade atual.


Outro nome importante a ser mencionado é Kabengele Munanga, um antropólogo congolês que tem desempenhado um papel fundamental no estudo das questões raciais no Brasil. Munanga tem trabalhado para desmistificar estereótipos e preconceitos, e suas pesquisas são fundamentais para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária. Ao aprender sobre Kabengele Munanga, as crianças podem ser inspiradas a questionar e combater o racismo, além de desenvolver um senso de respeito e valorização da diversidade cultural presente no Brasil e na diáspora africana como um todo.
Ao explorar a cultura africana e sua influência na diáspora, é possível abrir as mentes das crianças para um mundo de conhecimento e apreciação pela diversidade. Ao conhecer o Reino de Zimbabwe, os Ewe, Molefi Kete Asante e Kabengele Munanga, as crianças podem compreender melhor a importância da cultura africana e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira e de outras partes do mundo. Essa compreensão promove a valorização das raízes africanas e ajuda a construir uma sociedade mais inclusiva e respeitosa.
Atividades:
Semana 1: Atividade: Exposição sobre o Reino de Zimbabwe Descrição:
- Organize uma exposição na sala de aula com fotos, mapas e informações sobre o Reino de Zimbabwe. Explique aos alunos a localização geográfica, a arquitetura impressionante e a importância histórica desse antigo reino africano. Incentive os alunos a fazerem pesquisas adicionais e a compartilharem suas descobertas com a turma.
Semana 2: Atividade: Oficina de música e dança Ewe Descrição:
- Convide um especialista ou um professor de música/dança para realizar uma oficina com os alunos, introduzindo-os à música e dança tradicionais do povo Ewe. Ensine os alunos a tocar alguns instrumentos musicais tradicionais, como tambores, e a aprender movimentos de dança característicos desse grupo étnico. Ao final da atividade, organize uma pequena apresentação para os alunos demonstrarem o que aprenderam.
Semana 3: Atividade: Palestra ou apresentação sobre Molefi Kete Asante Descrição:
- Convide um estudioso, professor ou pesquisador para realizar uma palestra ou apresentação sobre Molefi Kete Asante e seu trabalho. Explique aos alunos a importância do trabalho de Asante para a valorização da cultura africana e sua contribuição para os estudos afrocentrados. Estimule os alunos a fazerem perguntas e a refletirem sobre como o conhecimento ancestral africano pode enriquecer nossa compreensão da história e da sociedade.
Semana 4: Atividade: Roda de conversa com Kabengele Munanga Descrição:
- Se possível, convide Kabengele Munanga para uma roda de conversa com os alunos. Caso não seja viável, exiba vídeos ou entrevistas em que Munanga aborda questões raciais e culturais. Promova um diálogo aberto com os alunos, permitindo que eles façam perguntas e expressem suas opiniões sobre racismo, diversidade e inclusão. Estimule a reflexão sobre como cada um pode contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária.
Essas atividades ao longo de quatro semanas proporcionarão uma compreensão mais aprofundada sobre a cultura africana, sua influência na diáspora e a importância de valorizar e respeitar as contribuições culturais de diferentes grupos étnicos.
Entrevista desta edição

Conheça Adriana Centeno, mãe de 36 anos de Porto Alegre, compartilha sua história de infância, perda e maternidade. Ela destaca sua ligação especial com seu pai e suas experiências de gestação, incluindo uma dolorosa interrupção. Adriana enfatiza a importância da autenticidade na maternidade e seu compromisso com a criação de um mundo mais justo e menos racista para suas filhas, oferecendo conselhos baseados no fortalecimento das relações próximas para promover a mudança positiva na sociedade.
Identificação
PP: Conte um pouco da sua história como criança, local onde cresceu, coisas que gostava e não gostava. Destaque uma lembrança que gosta de recordar.
Adriana: Meu nome é Adriana Centeno, tenho 36 anos, mãe da Lêmba Nyanga e da Ba Kimoyo, casada, servidora pública e advogada e moro em Porto Alegre.
Vivi toda minha infância em Porto Alegre, meu tio tinha um sítio, onde cultivo as melhores lembranças da minha infância. Brincar na lama, caminhar no mato, banho de cachoeira e açude, brincar com animais. Sempre gostei desse contato com a natureza e tinha no meu primo Luiz Augusto o melhor parceiro. Minha família sempre foi meu ambiente seguro, não gostava da escola.
PP: Você mora no local onde cresceu? Se sim, o que mais te chama atenção nas mudança? Se não, do que mais sente falta?
Adriana: Sim, sigo na mesma cidade. Me chama a atenção as posssibilidades de entretenimento com crianças.
Parentalidade
PP: Olhando do agora, como você vê a relação das pessoas que te criaram? Você sente que foi um lar acolhedor? Gostaria de falar um pouco sobre o ambiente?
Adriana: Meu pai faleceu quando eu tinha 12 anos e foi uma grande perda para nossa família. Eu era muito ligada a ele. Sei que foi uma fase difícil para todos, mas após a morte dele senti que perdi o elo de acolhimento que tinha dentro de casa.
PP: Como você acha que poderia ter sido diferente? Cite coisas melhores ou piores.
Adriana: Não há alternativa para a morte. Quando li a pergunta, era ela que eu gostaria que tivesse sido diferente, gostaria de ter meu pai envelhecendo comigo, brincando com os netos, debatendo sobre música, política e futebol.
PP: Se você tiver filho(a/e)s, compartilhe um pouco de como foi o processo de descoberta e gravidez. Fale sobre as expectativas e frustrações.
Adriana: Tive 3 gestações. A primeira foi descoberta no início do meu relacionamento, foi planejada, mas sem planejamento (financeiro, estrutural, etc.) e foi interrompida na 18ª semana. Com a perda dessa bebê, conhecemos a casa de candomblé que estamos até hoje. Lá a segunda gestação foi anunciada através do jogo e muito celebrada por toda família. A terceira gestação foi na pandemia, a descoberta foi natural e celebrada. Na gestação da Ba consegui me curar do medo da morte, consegui curtir e aproveitar, mesmo sendo uma gestação de risco.
PP: Como você define a sua relação com a(s) cria(s) hoje? O que você gostaria que as pessoas soubessem a respeito do sei jeito de paternar?
Adriana: Tenho com as gurias uma relação muito franca. Se tenho vontade de chorar, choro na frente delas e me mostro vulnerável, forte ou amorosa. Não mascaro minhas falhas diante delas e faço um exercício de me desculpar quando identifico erros. Sou uma mãe diferente para cada uma delas, para a Nyanga que é uma criança mais passiva, sou uma mãe mais paciente, com a Ba que é mais desafiadora, sou uma mãe mais cansada.
PP: Filho é pro mundo? O(s) seu é(são)?
Adriana: Depende do mundo. Se for um mundo racista, opressor e violento, não é um mundo que eu gostaria de dar às minhas filhas. Muito embora saiba que elas vão acabar saindo pra ele.
PP: Cite um fato que te fez se sentir menos perto da parentalidade.
Adriana: Sempre que me descontrolo, grito ou até bato nas meninas eu me sinto menos perto da parentalidade. A violência é algo que eu evito muito manifestar com as minhas filhas, embora tenha minhas falhas.

Futuro
PP: Como você vê o seu futuro com a(s) crias? O que você gostaria de ver concretizado?
Adriana: No futuro nos vejo unidas. Me vejo participando da vida delas, me vejo orgulhosa das decisões que elas irão tomar e das pessoas que se tornaram.
PP: Se você partisse desse mundo amanhã, o que você gostaria que seus descendentes soubessem a seu respeito?
Adriana: Gostaria que soubessem que fui uma mulher negra consciente e que lutei para levar adiante o legado de uma família racialmente letrada e afroreferenciada.
PP: Que conselho você daria para famílias que estão começando agora na jornada de auxiliar na condução do crescimento de alguém?
Adriana: O meu conselho é o conselho do meu avô: Auxiliem e fortaleçam quem está em seu entorno. A mudança inicia com quem está próximo de você, sua família.
PP: Você tem algo mais que gostaria de registrar aqui?
Adriana: Adorei a entrevista

Nesta entrevista, Adriana Centeno, uma mãe de 36 anos de Porto Alegre, compartilha sua jornada pessoal e familiar, destacando memórias preciosas de infância conectadas à natureza e sua ligação especial com seu pai, cuja perda aos 12 anos a deixou sentindo a ausência de um apoio vital. Ela relata suas três gestações, incluindo uma que resultou em uma interrupção na 18ª semana, que a levou a encontrar consolo na casa de candomblé. Adriana enfatiza a importância de ser uma mãe autêntica e vulnerável com suas filhas, apesar de suas falhas, e expressa sua determinação em criar um ambiente mais justo e menos racista para suas filhas no mundo atual. Seu conselho reflete o desejo de fortalecer aqueles próximos a você como ponto de partida para a mudança positiva na sociedade.
Outra História

A escravidão representa uma das páginas mais sombrias e vergonhosas da história da humanidade, caracterizada por uma prática desumana que persistiu durante séculos, trazendo sofrimento indizível a milhões de pessoas. No contexto brasileiro, a Lei do Ventre Livre e a Lei do Sexagenário são dois marcos legais que merecem uma análise crítica profunda, pois exemplificam a ambiguidade e a insuficiência das tentativas de combate à escravidão.

A Lei do Ventre Livre, promulgada em 1871, representou um primeiro passo na direção da abolição gradual da escravidão. Essa legislação estabeleceu que os filhos nascidos de mães escravizadas após sua promulgação seriam considerados livres, mas apenas após atingirem a maioridade, aos 21 anos. No entanto, essa lei apresentava várias falhas cruciais. Em primeiro lugar, não libertava instantaneamente aqueles que já estavam subjugados, apenas estabelecendo a liberdade para as futuras gerações. Além disso, os proprietários de escravos eram compensados financeiramente pelo governo, o que perpetuava a exploração e mantinha a propriedade indireta sobre os trabalhadores.
A Lei do Sexagenário, de 1885, também conhecida como “Lei Saraiva-Cotegipe”, estabeleceu a liberdade para os escravizados com mais de 60 anos de idade. Apesar de ter proporcionado a libertação para alguns escravizados idosos, essa legislação estava longe de ser uma solução completa. Ela ignorava a parcela significativa da força de trabalho composta por escravos mais jovens e mantinha a exploração de uma grande parte da população escravizada.
Ambas as leis evidenciam a relutância do Brasil em abordar diretamente a questão da abolição da escravatura, optando por abordagens gradualistas que, em última análise, protegiam os interesses dos proprietários de escravos em detrimento da liberdade e da dignidade dos escravizados. A escravidão somente foi abolida com a promulgação da Lei Áurea, em 1888, que concedeu a liberdade a todos os escravizados. No entanto, o legado da escravidão ainda se faz presente nos dias de hoje, reforçando a necessidade constante de enfrentar e reparar as injustiças históricas que permeiam nossa sociedade.
Datas importantes desse mês:
| Dia 04– Promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, extinguindo o tráfico de escravos no Brasil (Lei n° 581/1850). |
| Dia 12– Nasce Auta de Souza, poetisa. Macaíba/RN (1876). |
| Dia 14– Fundado o jornal O Homem de Cor, o primeiro periódico dedicado à causa negra da imprensa brasileira (1833). |
| Dia 16– Fundada a Frente Negra Brasileira, primeira agremiação política composta por afro-descendentes. São Paulo/SP (1931). |
| Dia 28– Promulgação da Lei do Ventre Livre, que declarava livre os filhos das escravas que nascessem após essa data (Lei nº 2.040/1871).– Promulgação da Lei do Sexagenário, garantindo a liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade (Lei n° 3.270/1885). |
No calendário histórico do Brasil, essas datas representam momentos significativos na trajetória da luta contra a escravidão e pela igualdade de direitos.
Em 4 de setembro, comemoramos a promulgação da Lei Eusébio de Queiroz em 1850, que marcou um passo importante na direção da abolição da escravidão ao extinguir o tráfico de escravos. Essa legislação representou um reconhecimento da brutalidade do comércio de seres humanos e um esforço para frear uma prática desumana.
No dia 12 de setembro, celebramos o nascimento de Auta de Souza em 1876, uma poetisa que deixou sua marca na literatura brasileira. Ela não apenas contribuiu para o mundo das letras, mas também é lembrada como uma figura inspiradora que desafiou as barreiras impostas às mulheres e às pessoas negras em sua época.
Em 14 de setembro, recordamos a fundação do jornal “O Homem de Cor” em 1833, o primeiro periódico dedicado à causa negra na imprensa brasileira. Esse jornal desempenhou um papel fundamental na divulgação das questões raciais e na luta por direitos iguais para a população negra.
No dia 16 de setembro, marcamos a fundação da Frente Negra Brasileira em 1931, a primeira agremiação política composta por afro-descendentes. Esta organização foi pioneira na busca por representatividade política e na defesa dos direitos civis das pessoas negras no Brasil.
Por fim, em 28 de setembro, lembramos a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871, que declarava livre os filhos das escravas que nascessem após essa data, e a Lei do Sexagenário em 1885, que garantia a liberdade aos escravos com mais de 60 anos. Embora tenham sido passos importantes em direção à abolição da escravatura, essas leis também revelam a complexidade e as contradições do processo de emancipação no Brasil.
Essas datas históricas nos lembram da importância de reconhecer o legado da escravidão e continuar a lutar por justiça social e igualdade racial em nosso país.
Voltando no tempo
Nessa coluna, vou compartilhar insights e abordagens sobre as trocas que já foram ao ar no Podcast Parentalidade Preta.
[parenta] #3 – Patriarcado e Paternidade – Jairo Pereira

Na intro:
A introdução aborda os conceitos fundamentais de Justiça e Direito, explorando suas origens e conexões. O direito, derivado do latim “directum,” é definido como um conjunto de regras obrigatórias que regulam a convivência social, estabelecendo normas para a conduta humana na sociedade. A Justiça, por outro lado, é descrita como um sistema aberto de valores em constante evolução, intrinsecamente ligada à ética e ao caráter de um indivíduo.
O surgimento do Direito é associado à necessidade de regular relações humanas para manter a ordem social e evitar conflitos, particularmente nas antigas civilizações gregas, onde as primeiras leis escritas começaram a surgir no século VII a.C. Posteriormente, a legislação evoluiu para refletir um pensamento mais condizente com a cultura grega.
O estudo também destaca a simbologia da balança no Direito, representando o equilíbrio entre o certo e o errado, a justiça e a culpa. A mitologia grega apresenta a figura de Dice, personificação da justiça, enquanto no Egito antigo, Maat desempenhava um papel semelhante ao pesar as almas dos mortos com uma pena da verdade.
Além disso, o estudo aborda a evolução do Direito Moderno durante a Modernidade, enfatizando características como positividade, generalidade, abstração e coercitividade. O texto também destaca a figura de Luiz Gama, um abolicionista notável que usou seu conhecimento autodidata do Direito para libertar centenas de escravizados, desafiando as normas da sociedade escravocrata e contribuindo significativamente para a causa abolicionista no Brasil.
No geral, esse estudo oferece insights importantes sobre a interseção entre Justiça, Direito e ética ao longo da história e destaca figuras influentes que moldaram a luta pela liberdade e pela igualdade.
Ouça o episódio na íntegra:
Até breve!
Diego Silva


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