
Um olhar especial para a criação racializada.
A Revista ParentaVerso é um espaço seguro e acolhedor dedicado a abordar a Parentalidade Preta em comunidade. Com artigos, entrevistas e relatos pessoais, a revista celebra as experiências dos pais e mães Pretos, oferecendo uma plataforma inclusiva que promove compreensão, apoio mútuo e transformação social. É um refúgio essencial para vozes frequentemente marginalizadas, valorizando a Parentalidade Preta.
É necessário reconhecer as experiências únicas e os desafios enfrentados por pais e mães pretos, a fim de promover uma sociedade mais inclusiva e justa. Ao olhar para além das perspectivas dominantes, podemos valorizar e fortalecer as vozes e vivências da Parentalidade preta, construindo um futuro mais equitativo para todas as famílias.
Editorial

Caro leitor da Revista ParentaVerso,
Gostaria de expressar minha sincera gratidão pela confiança que você deposita em nós e pela sua presença contínua neste espaço tão essencial para a Parentalidade Preta. É um privilégio tê-lo comigo, fortalecendo os laços da nossa comunidade e enriquecendo nossos diálogos.
Cada vez que você se engaja com meu conteúdo, está contribuindo para o crescimento desse ambiente de compreensão mútua, transformação social e inspiração. Estou comprometido em oferecer materiais relevantes e impactantes a cada edição, buscando promover a construção de um futuro mais equitativo e afirmativo para a parentalidade preta.
Sua presença e participação são vitais para a realização dessa missão. Agradeço por ser parte ativa desse movimento e por compartilhar comigo essa jornada de aprendizado e crescimento. Juntos, estamos construindo um espaço onde a voz da parentalidade preta é celebrada e amplificada.
Diego Silva – Produtor executivo do Parentalidade Preta
Nesta edição você vai encontrar um conteúdo exclusivo, que foi gerado a durante o último mês a partir de trocas e conversas, bem como ficar por dentro do que vem acontecendo nesse universo. Na seção “Destaque da quinzena”, o texto “Em uma Roda Terapêutica Desafiadora” expande um relato de uma seguidora que compartilhou uma experiência em um grupo terapêutico . Na “Entrevista” você vai conhecer Wesley, um pai dedicado e comprometido a oferecer uma criação inspiradora para seus 3 filhos. “Para Praticar” Eduque-se sobre Diversidade e História. No nosso programa Afrocentricidade em 12 passos, vamos nos debruçar sobre o reino Axum, o povo Fon, falar sobre Marimba Ani e Beatriz Nascimento. Em Outra História, vamos falar do Dia Internacional da Memória do Trafico Negreiro . Por fim, Voltando no tempo, vou te dar umas boas razões para ouvir um episódio antigo do Podcast Parentalidade Preta.
Destaque da quinzena
“Em uma Roda Terapêutica Desafiadora .”
Esse mês, vamos falar um pouco do que foi desenvolvido nas trocas do mês passado (julho).

O vídeo do relato de Terry Crews retornou à tona no Parentalidade Preta falando de quando ele sofreu abuso sexual. Se você não sabe qual é, fica aqui abaixo o post:
Fiz uma roda de masculinidades no consultório, foi uma experiência incrível porém desafiadora do início ao fim, homens sentados em todas dentre eles alguns homens pretos, a violência começou quando comentei que faria num grupo Terapêutico, todas mulheres negras, todas se sentiram a vontade de esculachar os homens e dizer que estava errada em lidar com eles, que eles são perigosos, que teria problemas, que jamais fariam, homens pretos principalmente descritos por mulheres pretas como monstros. Durante a roda, ouvi, e cada relato que ouvia de casa homem preto ali presente partiu meu coração, violência sexual desde a infância, violência sexual na vida adulta, tem que ser potente, viril, dar conta, aceitar fazer tudo mesmo que não queiram, tem quê. Tinham alguns homens brancos nessa roda, era imensa a diferença de vivências entre eles, foi chocante, dolorido, triste. Eu filha, irmã, mãe e casada com homens pretos, temo todos os dias por eles, medo que não sinto, sei que posso entrar e sair de muitos lugares que eles precisam ter muito cuidado ao entrar, sei que posso me defender com muito mais segurança que qualquer um deles e isso é assustador. O mais assustador é ver o quanto mulheres pretas adoecidas pelo feminismo branco violentam seus pais, irmãos, filhos e possíveis parceiros. É assustador.
Rê Fesan
Eu pedi pro ChatGPT para ampliar um pouco o tema e é sobre essa ampliação que a Inteligência Artificial fez que eu queria conversar um pouco, mas fica com a leitura por enquanto.
No ambiente acolhedor do consultório, o círculo de cadeiras se formou, dando início a uma roda de masculinidades. Uma experiência promissora, mas desde o princípio, mostrou-se desafiadora e profundamente reveladora. Homens de diversas origens e histórias se sentaram, e entre eles, alguns homens pretos que carregavam consigo um fardo invisível e silencioso.
A narrativa começou a tomar forma, e com ela, emergiu uma violência latente. Ao mencionar que a roda terapêutica aconteceria em um grupo onde predominavam mulheres negras, as vozes se ergueram, impregnadas de amargura e desconfiança. As mulheres compartilharam suas angústias, manifestando que lidar com homens era um erro, que eles eram perigosos e que isso resultaria em problemas inevitáveis. Uma avaliação sombria, reforçada por uma visão que enxergava os homens, especialmente os homens pretos, como monstros.
Dentro da roda terapêutica, os testemunhos foram ecoando, desvendando narrativas dolorosas que ecoavam através dos relatos de cada homem preto presente. A sombra da violência sexual pairava, assombrando infâncias e seguindo para a vida adulta. As expectativas impostas pela sociedade, a pressão para ser potente e viril, a obrigação de satisfazer todas as demandas mesmo que fossem contrárias ao desejo pessoal – essas experiências eram compartilhadas em um coro de vozes ressonantes.
No tecido da roda, a diversidade era evidente. Alguns homens brancos compartilhavam suas histórias, mas as contrastavam com os relatos dos homens pretos de maneira chocante. A assimetria de vivências era dolorosamente palpável, como uma ferida aberta na tapeçaria da masculinidade.
A narradora da história, uma mulher profundamente conectada com homens pretos através de relações familiares e conjugais, revelou uma verdade assustadora. A cada dia, ela carrega o fardo do medo, um medo que não a afeta diretamente, mas que envolve os homens que ela ama. A consciência de que sua própria segurança é muito mais garantida em comparação à dos homens pretos é uma verdade aterradora. Ela pode se mover em espaços com mais liberdade e segurança, enquanto eles precisam ser cautelosos em cada passo que dão.
No entanto, uma sombra mais sombria ainda emergiu. A percepção de que o feminismo branco, que deveria ser uma força libertadora, muitas vezes se torna uma ferramenta de violência entre as mulheres negras. As feridas internas causadas pelo feminismo branco podem ser projetadas sobre os homens pretos, transformando-os em alvos involuntários de angústias não resolvidas.
A roda de masculinidades, que começou como um espaço para explorar a complexidade dos homens e suas experiências, tornou-se um espelho revelador das injustiças e desafios que muitos homens pretos enfrentam. Foi um momento de confronto com uma realidade dolorosa, mas também um lembrete de que as histórias compartilhadas são passos em direção à compreensão, empatia e, em última análise, à mudança.
Tanto o vídeo de Terry, como essa reflexão, ainda que expandida revelam o latente cuidado que precisamos imprimir aos nossos irmãos de qualquer idade. O acolhimento e a ideia de sabermos como nos comportar em situações nas quais rapidamente podemos passar de vítima a opressor. É necessário cuidado.
Para praticar
Aqui vamos abordar aspectos práticos para uma criação racializada.

A introdução do conceito de raça para crianças é uma tarefa complexa e delicada. É essencial abordar esse assunto de maneira sensível e educativa, proporcionando às crianças uma compreensão saudável e inclusiva da diversidade racial desde cedo. Nesta abordagem, destacaremos alguns aspectos importantes a serem considerados ao discutir raça com as crianças. Nas próximas edições vamos abordar e adentrar um pouco mais em cada tópico.
Eduque-se sobre Diversidade e História
No mundo em constante evolução em que vivemos, a busca pelo entendimento e valorização da diversidade nunca foi tão crucial. Educar-se sobre a diversidade e a história dos diferentes grupos raciais é um passo fundamental para construir uma sociedade mais inclusiva e justa. Ao dedicarmos tempo para estudar a história, cultura e experiências dessas comunidades, estamos abrindo portas para um conhecimento enriquecedor e uma maior empatia em relação às realidades que muitas vezes não estão presentes em nosso dia a dia.
Através da leitura de livros, mergulhamos em narrativas que nos transportam para contextos e vivências distintas das nossas. Documentários, por sua vez, proporcionam um olhar visualmente impactante e muitas vezes emocional sobre as lutas e triunfos das pessoas que enfrentaram desafios únicos. A pesquisa online amplia ainda mais nosso acesso a uma infinidade de informações e perspectivas, permitindo-nos explorar fontes variadas e opiniões diversas.
Entender as perspectivas de diferentes grupos raciais é fundamental para romper barreiras de ignorância e preconceito. Através do conhecimento, somos capazes de desafiar estereótipos arraigados e reconhecer a riqueza intrínseca em cada cultura. Além disso, ao aprender sobre a história de opressão e resistência enfrentada por muitas comunidades, somos levados a refletir sobre a importância de construir um mundo onde a igualdade e a justiça prevaleçam.
Ao educar-nos sobre a diversidade e história dos diferentes grupos raciais, estamos não apenas enriquecendo nossa própria compreensão, mas também contribuindo para a construção de um ambiente mais inclusivo e respeitoso para todos. Esse conhecimento não deve ser mantido apenas para nós mesmos, mas compartilhado com nossa família, amigos e comunidade em geral. Ao fazermos isso, estamos plantando as sementes para um futuro mais harmonioso, onde o respeito e a valorização das diferenças são fundamentais. Portanto, que possamos abraçar a educação como uma ferramenta poderosa para promover a diversidade e a igualdade em nosso mundo.
Sejamos agentes de mudança na vida de nossos pequenos!

Afrocentricidade em 12 passos
Este programa de 12 etapas tem como objetivo introduzir crianças ao conceito de afrocentricidade, promovendo uma compreensão positiva e empoderadora da cultura Afrodiaspórica. O objetivo desse programa é apresentar a Pais, Professores e cuidadores, o conceito e o desenvolvimento da afrocentricidade nas abordagens da criação. Através da exploração da história, literatura, arte e música, levantaremos questionamentos no sentido de valorizar a identidade racial e étnica. Quero, com esse programa, oferecer ferramentas para o investimento em uma criação racializada. Levantaremos em 12 ações discussões e trocas a respeito desse tema tão importante para o desenvolvimento de crianças Pretas.
Nesse Programa, abordaremos sempre ações práticas de atividades, uma civilização africana potente, um grupo étnico africano que veio para o Brasil através da diáspora, um pensador estrangeiro e um brasileiro, bem como um pouco dos seus trabalhos. Em seguida, um cronograma de atividades para serem realizadas com crianças durante o mês.
Etapa 3: Valorização da história afrodiaspórica
- Apresente a história dos povos afrodescendentes de forma positiva e inspiradora.
- Destaque figuras históricas importantes, como líderes, cientistas, artistas e ativistas.
Resgatando a Grandeza: Valorização da História Afrodiaspórica e seus Protagonistas Inspiradores
A história dos povos afrodescendentes é repleta de realizações e contribuições significativas que merecem ser valorizadas e celebradas. Ao longo dos séculos, líderes, cientistas, artistas e ativistas emergiram para deixar um impacto duradouro na sociedade. Essas figuras inspiradoras desafiaram adversidades, lutaram contra a opressão e contribuíram para o desenvolvimento das artes, da ciência, da política e de muitos outros campos. Suas conquistas destacam a resiliência, a criatividade e a força das comunidades afrodiaspóricas em todo o mundo. Ao reconhecer e valorizar essa história, somos motivados a promover a justiça social, a igualdade e a construção de um futuro mais inclusivo.

O Reino de Axum foi uma antiga civilização localizada no nordeste da África, correspondente à atual Etiópia e Eritreia. Entre os séculos 1 a.C. e 7 d.C., floresceu como um importante centro comercial e político na região. Axum é conhecido por sua rica história e cultura, incluindo a construção de monumentais obeliscos e a adoção do cristianismo como religião oficial. Além disso, a civilização axumita teve uma influência significativa na disseminação do alfabeto ge’ez e do sistema de numeração, além de estabelecer relações comerciais com outras regiões, como a Índia e o Mediterrâneo. Valorizar o Reino de Axum nos ajuda a reconhecer a riqueza e a importância histórica das antigas civilizações africanas.
Os Fon são um grupo étnico originário do antigo Reino do Daomé, atualmente conhecido como Benin, na África Ocidental. Os Fon possuem uma rica tradição cultural, com destaque para a música, dança e religião. Durante o período da escravidão, eles tiveram uma forte presença no Brasil, trazendo consigo suas crenças, língua, rituais e festividades. A contribuição dos Fon para a cultura brasileira pode ser vista, por exemplo, na religião afro-brasileira do Candomblé, onde diversos ritos e divindades têm origem fon. Além disso, suas práticas musicais influenciaram o desenvolvimento da música popular brasileira, como o samba de roda e o maracatu.


Marimba Ani é uma renomada educadora, filósofa e escritora afro-americana. Ela é autora da obra “Yurugu: An African-Centered Critique of European Cultural Thought and Behavior” (Yurugu: Uma Crítica Afrocentrada do Pensamento e Comportamento Cultural Europeu), onde analisa as influências do pensamento europeu na construção do mundo contemporâneo e destaca a importância de uma perspectiva africana centrada para valorizar a história e a cultura afrodiaspórica. Marimba Ani enfatiza a importância do autoconhecimento, da valorização da identidade e da compreensão das dinâmicas de poder para a transformação social e a emancipação dos povos afrodescendentes.
Beatriz Nascimento foi uma importante intelectual, ativista e cineasta brasileira. Ela dedicou sua vida à valorização da história e cultura afro-brasileira, bem como à luta contra o racismo e a discriminação. Beatriz foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) no Brasil e desempenhou um papel fundamental na promoção do reconhecimento da identidade negra e na denúncia das desigualdades sociais. Além disso, ela também produziu o documentário “Janelas da Alma” (1996), que retrata a história e as vivências de pessoas negras no Brasil. Beatriz Nascimento é uma figura inspiradora que nos lembra da importância de valorizar a história e as contribuições dos povos afrodescendentes.

A valorização da história afrodiaspórica é fundamental para reconhecer as contribuições e realizações dos povos afrodescendentes ao longo dos tempos. Ao apresentar essa história de forma positiva e inspiradora, destacando figuras importantes como o Reino de Axum, os Fon, Marimba Ani e Beatriz Nascimento, somos capazes de despertar um senso de orgulho, identidade e pertencimento nas comunidades afrodiaspóricas. Além disso, ao compartilhar essas narrativas, podemos romper estereótipos negativos e combater o racismo estrutural, promovendo a igualdade, o respeito e a diversidade. Ela não apenas enriquece nossa compreensão do passado, mas também nos inspira a construir um futuro mais inclusivo, justo e equitativo para todos.
Atividades:
Semana 1: Atividade: Pesquisa sobre o Reino de Axum
- Dedique essa semana para realizar uma pesquisa aprofundada sobre o Reino de Axum, sua história, cultura e contribuições. Explore fontes confiáveis, como livros, artigos acadêmicos e sites especializados. Anote informações importantes e destaque os aspectos que você considera mais relevantes e interessantes.
Semana 2: Atividade: Explorando a cultura dos Fon
- Nesta semana, mergulhe na cultura dos Fon. Pesquise sobre suas tradições musicais, danças e rituais. Aprenda sobre suas divindades e crenças religiosas. Tente encontrar vídeos ou gravações de música e danças tradicionais dos Fon. Se possível, entre em contato com especialistas ou membros da comunidade Fon para obter mais insights e informações autênticas.
Semana 3: Atividade: Leitura e discussão do trabalho de Marimba Ani
- Reserve esta semana para ler o livro “Yurugu: An African-Centered Critique of European Cultural Thought and Behavior” de Marimba Ani. Ao longo da leitura, faça anotações e destaque trechos importantes. Após concluir a leitura, organize um grupo de discussão ou debate virtual para trocar ideias e refletir sobre as perspectivas apresentadas por Marimba Ani.
Semana 4: Atividade: Estudando a vida e legado de Beatriz Nascimento
- Dedique esta semana para estudar a vida e o legado de Beatriz Nascimento. Leia biografias, entrevistas ou artigos que abordem seu ativismo, contribuições intelectuais e seu envolvimento na luta contra o racismo. Assista ao documentário “Janelas da Alma” para conhecer suas realizações no campo cinematográfico. Compartilhe o conhecimento adquirido sobre Beatriz Nascimento com outras pessoas, promovendo a conscientização sobre sua importância e impacto na história afro-brasileira.
Lembre-se de adaptar o cronograma de acordo com sua disponibilidade e interesses pessoais. Essas atividades são apenas sugestões e o objetivo é promover um mergulho mais profundo nas histórias e culturas abordadas no texto, visando valorizar e celebrar as contribuições dos povos afrodescendentes.
Entrevista desta edição

Descubra a inspiradora jornada de Wesley Ferreira, da periferia desafiadora de São Paulo à carreira em Governança de TI. Nesta emocionante entrevista, Wesley compartilha suas experiências de infância, a busca pela paternidade significativa e as reflexões sobre equilíbrio entre carreira e família. Conheça suas lutas, sonhos e como ele se tornou um porto seguro para seus filhos, em meio a desafios e escolhas que moldaram sua vida. Uma narrativa autêntica sobre superação e amor familiar aguarda você.
Identificação
PP: Conte um pouco da sua história como criança, local onde cresceu, coisas que gostava e não gostava. Destaque uma lembrança que gosta de recordar.
Wesley: Sou o Wesley Ferreira, tenho 36 anos, filho único de pais divorciados desde os 2 anos. Sou de São Paulo. Pai do Enzo (7), Bia (3) e Alicia (6 meses). Trabalho com Governança de TI.
Eu fui uma criança criada na Cidade Tiradentes, periferia do extremo leste de São Paulo e muito mais perigosa do que nos dias de hoje. Sempre gostei de quebra cabeças, video games, esportes e músicas. Gosto da recordação de como eram meus aniversários. A movimentação da minha mãe e minha tia (que na verdade é amiga da minha mãe, foi nossa vizinha no apartamento em frente e praticamente ajudou a me criar cuidando de mim enquanto minha mãe trabalhava).
Meu bolo preferido até hoje é de prestígio e era esse o sabor de todos meus bolos de aniversário. Decorações de personagens infantis da época (Jaspion, Changemans e outros). Não gostava da tensão que era conviver com crianças valentonas por serem filhos ou parentes de traficantes ou famílias que pregavam a violência como meio de resolver as coisas, pois eu não fui educado da mesma forma e não sabia como lidar com isso, pois mesmo que fosse valente e batesse na criança sabia que confusão poderia sempre ficar pior do que fingir que aquilo não me aborrecia e me afastasse apenas.
PP: Você mora no local onde cresceu? Se sim, o que mais te chama atenção nas mudança? Se não, do que mais sente falta?
Wesley: Não. Morei lá até me casar pela primeira vez em 2012 e desde então só venho me afastando. Vou lá, pois meus pais mesmo divorciados seguiram morando no mesmo bairro desde então. Eu acho que sinto falta das amizades que com o tempo fomos nos afastando e tal, mas de modo geral não sinto falta do bairro, pois ele sempre me remete a coisas negativas que a sociedade coloca onde não quer ver e esquece por lá. Um descaso, abandono e o quanto funciona a falta de cultura para a autodestruição de pessoas.

Parentalidade
PP: Olhando do agora, como você vê a relação das pessoas que te criaram? Você sente que foi um lar acolhedor? Gostaria de falar um pouco sobre o ambiente?
Wesley: Bom… Eu me lembro da minha mãe sempre saindo cedo e voltando tarde. Minha missão era não incomodar os vizinhos, não dar trabalho pra minha tia que cuidava de mim e aos finais de semana ver meu pai às vezes. Vejo que eles de modo geral fizeram o melhor com o melhor que foi apresentado à eles. Essa questão de acolher é algo novo para a geração dos meus pais e embora se preocupasse com os meus sentimentos, sempre o fizeram com a lente da dureza e da falta de tempo para chorar. Inclusive desenvolvi um comportamento avesso ao choro por isso. Ainda hoje depois de conhecer e reconhecer o quanto isso é tóxico, mantenho esse comportamento e filosofia: “Chorar ajuda a organizar por dentro, mas são atitudes que resolvem por fora!”
PP: Como você acha que poderia ter sido diferente? Cite coisas melhores ou piores.
Wesley: O diferente que eu gostaria vai muito além dos meus pais, pois a raiz dos frutos que eu também colhi passam pela escravização do nosso povo e depois pela estrutura montada para deixá-lo à margem da sociedade em diversas esferas. Porém dentro do intervalo da minha infância, acho que se não morássemos tão longe de tudo e se minha mãe tivesse um bom emprego, talvez estivesse mais perto. Mesmo não assumindo a responsabilidade de cuidar de outras crianças, tive que me cuidar muito cedo. Passei a ficar sozinho desde os 8 ou 9 anos, não me lembro ao certo. Antes desse período fiquei um período com a minha avó materna em Diadema (outra periferia de São Paulo) e com a minha avó paterna ainda na Cidade Tiradentes.
PP: Se você tiver filho(a/e)s, compartilhe um pouco de como foi o processo de descoberta e gravidez. Fale sobre as expectativas e frustrações.
Wesley: Meu sonho sempre foi ser pai e meu pesadelo sempre foi viver como meu pai, separado do filho. Na gestação do Enzo, em 2014, eu estava saindo da cegueira religiosa que regia a minha vida desde 2007, eu acho, e vimos a tentativa como uma possível “salvação” do casamento já fadado ao fim que veio acontecer em 2017. Eu me lembro de ter sentido o peso da responsabilidade e de tentar me convencer que a mãe dele era a mulher da minha vida a fim de fazer dar certo aquela relação para não viver o mesmo que meu pai, mas o fim foi o mesmo.
Se faz alguma diferença comentar, a mãe do Enzo é uma mulher negra fora de série profissionalmente falando. Sempre foi e graças a ela, ao apoio em vários aspectos, vivo hoje dentro da área de TI também. Na gestação da Bia, eu era apaixonado pela mãe dela e mesmo já percebendo que não era uma relação recíproca desde o namoro durante o ano de 2018, fui morar com ela no fim deste mesmo ano e resolvemos ter a Bia que nasceria em agosto de 2019.
Acho que por ser uma menina, isso me despertou para várias questões feministas e combate ao patriarcado e machismo. Estranho pensar que mesmo a rotina sendo bem parecida com a que tenho hoje, vejo a de hoje com muito mais peso. Já a gestação da Alicia foi muito tensa, pois não estava namorando a mãe dela e nem tínhamos uma relação intitulada embora tivéssemos muito carinho um pelo outro e fossemos parceiro de confidências e tudo mais. A notícia inesperada da gravidez me fez ficar fora de órbita por um tempo, me sentia sem chão, pois não era o que eu estava planejando pra minha vida.
Demorei muito tempo pra ter certeza que conseguiria amar minha filha. Eu amei a mãe dela antes dela. mesmo essa sendo a ordem esperada, isso aconteceu depois da notícia da vinda da Alicia, o que gerou mais confusão na época.
PP: Como você define a sua relação com a(s) cria(s) hoje? O que você gostaria que as pessoas soubessem a respeito do sei jeito de paternar?
Wesley: Sou um pai no mesmo estilo da minha mãe. Que cria pro mundo, cria com mais afeto pela proximidade facilitada que tenho por questões financeiras e outras diferenças comparada a vida dos meus pais. Tento criar sem medo e com independência conforme o momento de cada filho. Sinto muito não ser mais próximo justamente do mais carente, que é o Enzo. Não tenho a menor troca com a mãe dele, onde nasce esse afastamento, e ele mora em outra cidade, o que impede de nos vermos mais vezes como faço com a Bia que mora no bairro vizinho e vem toda semana passar dias aqui em casa.
PP: Filho é pro mundo? O(s) seu é(são)?
Wesley: Filho é pro MUNDÃO. Os meus serão.Hahaha… Não tinha visto essa pergunta! São pro mundo, são pra vida deles, são pra o que eles quiserem e sentirem de ser.
PP: Cite um fato que te fez se sentir menos perto da parentalidade.
Wesley: Acho que minhas escolhas e a falta delas, às vezes, me fez ter uma vida mais agitada e com condições financeiras a quem dá necessária para sustentar o estilo de vida que eu quero ter pra mim, para os meus filhos e minha família, o que gera mais estresse e falta de paciência. Esse é o ponto de ajuste hoje. Onde minha ferida dói.

Futuro
PP: Como você vê o seu futuro com a(s) crias? O que você gostaria de ver concretizado?
Wesley: Gostaria de ser o porto seguro deles. Um lugar bom de voltar sempre que preciso. Nesse caminho gostaria de proporcionar mais tempo de qualidade a todos eles. Fico preocupado como o final de semana é sempre corrido e passa muito rápido e quando eu vejo eles já cresceram mais e aprenderam algo longe de mim..
PP: Se você partisse desse mundo amanhã, o que você gostaria que seus descendentes soubessem a seu respeito?
Wesley: Gostaria que soubessem que fui um homem ético desde que descobri a ética mesmo sem religião e alguém que sempre valorizou mais o ser do que o ter, embora ter nos proporciona ser as vezes. Me descobri negro tarde, pois a pobreza e outras questões alcançavam antes as pessoas da minha geração, mas desde a descoberta venho tentando encontrar meios de fazer justiça, mesmo que essa justiça seja conscientizar o máximo de pessoas que eu puder.
PP: Que conselho você daria para famílias que estão começando agora na jornada de auxiliar na condução do crescimento de alguém?
Wesley: Melhor que uma rede de apoio é uma rede de valores. Pessoas que compartilham dos mesmos valores que vocês e vão te apoiar e te impulsionar sempre. Também construam o máximo que puderem antes dos filhos, pois depois essa construção fica mais difícil por várias questões.
PP: Você tem algo mais que gostaria de registrar aqui?
Wesley: Não.

Wesley Ferreira, proveniente da desafiadora Cidade Tiradentes em São Paulo, traz à tona sua infância moldada por quebra-cabeças, videogames e música, contrastando com as complexidades das relações em um ambiente perigoso. Com uma carreira em Governança de TI, ele compartilha sua paixão pela paternidade e a busca por criar um ambiente acolhedor e independente para seus filhos. Enquanto reflete sobre escolhas e agitação, Wesley anseia ser o porto seguro de sua família, desejando mais momentos de qualidade e temendo a rapidez com que o tempo passa, destacando a importância de enfrentar desafios e nutrir relacionamentos familiares na construção de uma vida significativa.
Outa História

Florestan Fernandes, renomado sociólogo brasileiro, fez importantes contribuições para o entendimento das questões raciais e sociais no Brasil, incluindo o estudo do tráfico negreiro. Sua abordagem crítica e perspicaz lançou luz sobre a forma como o tráfico de escravos afetou profundamente a estrutura social e as relações raciais no país.
Florestan Fernandes analisou o tráfico negreiro não apenas como um fenômeno econômico, mas também como um processo que moldou as bases de uma desigualdade estrutural duradoura. Ele argumentou que a escravidão e o tráfico de escravos não foram apenas uma exploração econômica, mas também uma tentativa de criar uma hierarquia racial legitimada socialmente.
Um dos principais pontos de Fernandes é que a escravidão no Brasil não se limitou a uma exploração de força de trabalho barata; foi uma instituição profundamente enraizada na sociedade, moldando não apenas as condições materiais dos escravizados, mas também sua posição social, identidade e cultura. Ele enfatizou como o sistema escravista influenciou a estrutura de classes brasileira, perpetuando desigualdades raciais e econômicas.
Florestan também analisou a estratégia de “branqueamento” como parte do projeto de dominação racial. Ele descreveu como as elites brasileiras promoveram políticas de miscigenação controlada e incentivaram o embranquecimento da população como uma forma de diluir a presença negra e consolidar uma hegemonia branca nas esferas política, social e econômica. Isso resultou em uma hierarquia racial complexa em que a população negra foi sistematicamente marginalizada e privada de oportunidades.
Além disso, Florestan Fernandes destacou como o racismo estrutural se desenvolveu a partir da escravidão, infiltrando-se em todas as instituições e dimensões da sociedade brasileira. Ele argumentou que as atitudes racistas foram internalizadas e perpetuadas ao longo das gerações, tornando-se uma parte intrínseca da cultura e das interações sociais.
Em suma, a abordagem de Florestan Fernandes sobre o tráfico negreiro não apenas enfoca seus aspectos econômicos, mas também ressalta suas implicações profundas na formação da sociedade brasileira. Sua análise crítica destaca como a escravidão e suas consequências moldaram as relações raciais, a estrutura de classes e a cultura no Brasil, estabelecendo um legado que ainda é sentido nos dias de hoje.
Datas importantes desse mês:
Dia 03– Dia da Capoeira e do Capoeirista
Dia 12– Registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos/Nigéria (1444).
– Acontece a Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Revolta dos Búzios. Manifesto dos conjurados baianos protesta contra os impostos e a escravidão e exige independência e liberdade. Bahia/BA (1798).
Dia 13 a 17 – Ocorre a Festa da Boa Morte, uma tradicional comemoração religiosa afro-brasileira, que ocorre anualmente e é organizada pela Irmandade da Boa Morte. Cachoeira/BA
Dia 22 – Criação da Fundação Cultural Palmares, instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem como principal atribuição promover a valorização da cultura negra (Lei nº 7.668/1988).
Dia 23 – Dia Internacional da Memória do Trafico Negreiro.
– Nasce José Correia Leite, ativista da imprensa negra e fundador do jornal O Clarim da Alvorada. São Paulo/SP (1900).
Dia 24 – Acontece o Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas. Colômbia (1977).
– Morre o abolicionista Luís Gama. São Paulo/SP (1882).
Dia 28– Acontece a Primeira Marcha de Negros sobre Washington, em favor dos direitos civis. Estados Unidos da América (1963).
Dia 29 – Promulgação da Lei de Cotas (Lei n° 12.711/2012).
– Nasce Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, escultor, entalhador e arquiteto. Ouro Preto/MG (1738).
Dia 31 – Realizada a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância. Durban/África do Sul (2001).
É de extrema importância lembrar e celebrar as datas significativas do calendário negro, considerando o contexto histórico em que cada uma delas ocorreu. Essas datas são marcos que nos conectam à luta, resistência e contribuições da comunidade negra ao longo dos anos, enquanto enfrentava desafios imensos em busca da igualdade racial.
O mês de agosto é marcado por uma série de eventos históricos e datas significativas que destacam a luta, a cultura e a contribuição dos afrodescendentes no Brasil e no mundo. Ao longo destes dias, lembramos a importância de reconhecer e celebrar a diversidade étnica e cultural, bem como de refletir sobre os desafios enfrentados pelas comunidades negras ao longo da história.
No dia 3, é celebrado o Dia da Capoeira e do Capoeirista, uma expressão cultural afro-brasileira que combina elementos de dança, música e luta. A capoeira é uma manifestação que carrega consigo a resistência e a história do povo negro no Brasil, sendo reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
No dia 12, lembramos um marco triste na história, quando foi registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos, Nigéria, em 1444. Essa data nos recorda das profundas injustiças e sofrimentos que a escravidão impôs às populações africanas.
Já no dia 22, a criação da Fundação Cultural Palmares representa um passo importante na valorização da cultura negra no Brasil. Essa instituição desempenha um papel fundamental na promoção da diversidade étnica e na preservação das tradições afro-brasileiras.
A memória do tráfico negreiro é honrada no dia 23, lembrando as vidas perdidas e os horrores enfrentados pelos africanos que foram traficados como escravos. É um momento de reflexão sobre a importância de reconhecer essa história dolorosa para evitar que se repitam tais atrocidades.
No dia 29, a promulgação da Lei de Cotas representa um avanço significativo na busca por igualdade de oportunidades. Essa legislação visa a inclusão de estudantes negros e de baixa renda em instituições de ensino superior, buscando reduzir as desigualdades educacionais.
Ao longo do mês, eventos como a Revolta dos Alfaiates, a Festa da Boa Morte e a I Conferência Mundial contra o Racismo reforçam a importância da resistência, da luta pelos direitos civis e da valorização da cultura e história afrodescendente.
Neste agosto, ao celebrarmos essas datas e eventos, renovamos nosso compromisso em combater o racismo, promover a igualdade e honrar a contribuição inestimável das comunidades negras para a construção de sociedades mais justas e inclusivas.
Voltando no tempo
Nessa coluna, vou compartilhar insights e abordagens sobre as trocas que já foram ao ar no Podcast Parentalidade Preta.
[parenta] #3 – Patriarcado e Paternidade – Jairo Pereira

Na intro:
A intrdução aborda o tema do patriarcado e suas origens, destacando como este sistema de relações sociais é marcado pela dominação masculina e contribui para a desigualdade de gênero. O patriarcado é discutido em relação ao contexto histórico, especialmente sua ligação com a transição da subsistência para a agricultura e a formação de sociedades patriarcais. O autor também ressalta que a ordem patriarcal é uma construção relativamente recente na história da humanidade, contrastando com sociedades matrilineares do passado.
O mito de Édipo é explorado como uma metáfora do patriarcado, relacionando o complexo de Édipo com as dinâmicas de poder e desejo presentes no sistema patriarcal. A análise se expande para incluir a visão iorubá sobre o patriarcado, destacando a divindade Obatalá e suas atribuições na criação da humanidade e sua relação com a pureza. A abordagem psicanalítica também é introduzida, enfatizando a função paterna na mediação entre mãe e criança.
Ela (a introduçã) conclui apontando para a necessidade de repensar o papel do patriarcado na sociedade contemporânea, destacando que um modelo matriarcal e matrigestor poderia questionar o patriarcado, bem como suas ramificações, como o machismo e a desigualdade social. O episódio enfatiza a importância de discutir e compreender a complexidade dessas questões históricas e culturais para promover mudanças significativas em direção a uma sociedade mais igualitária.
Ouça o episódio na íntegra:
Até breve!
Caros leitores,
Nesta edição, convidamos você a mergulhar em um conteúdo exclusivo e enriquecedor, fruto de trocas e conversas que se desdobraram ao longo do último mês. É uma oportunidade única de se atualizar sobre os acontecimentos que permeiam esse universo dinâmico e significativo. A nossa seção de destaque, “Em uma Roda Terapêutica Desafiadora”, apresenta um relato envolvente compartilhado por uma seguidora, que nos leva para dentro de uma experiência reveladora vivenciada em um grupo terapêutico. Essa narrativa profundamente humana nos convida a refletir sobre a importância do autocuidado e da busca pelo entendimento de nós mesmos.
Na seção de “Entrevista”, abrimos as portas para conhecer Wesley, um pai dedicado e comprometido com a construção de uma criação inspiradora para seus três filhos. Através das suas palavras, desvendamos os desafios e as recompensas de ser um pai ativamente envolvido na jornada de crescimento e desenvolvimento dos seus filhos, iluminando a importância da presença e do apoio na parentalidade.
No nosso segmento “Para Praticar”, trazemos um convite instigante: eduque-se sobre Diversidade e História. Nesse contexto, o nosso programa Afrocentricidade em 12 passos emerge como um guia essencial. Nele, exploraremos o fascinante reino Axum e a rica cultura do povo Fon. Também teremos a honra de aprender com as perspectivas de Marimba Ani e Beatriz Nascimento, vozes essenciais que contribuíram de maneira significativa para a compreensão da história e da identidade afrodescendente.
Na seção “Outra História”, lançamos luz sobre o Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro. Um dia de profunda reflexão e recordação, que nos convoca a enfrentar as verdades dolorosas do passado e a reconhecer o impacto duradouro desse capítulo sombrio da história. Por fim, ao “Voltar no tempo”, compartilharemos motivos imperdíveis para revisitar um episódio anterior do Podcast Parentalidade Preta, proporcionando uma oportunidade única de continuar aprofundando nossa compreensão das questões e desafios da parentalidade sob uma perspectiva racializada.
Desejamos a todos uma jornada contínua de aprendizado e transformação, e nos encontraremos em breve em nossa próxima edição, trazendo mais histórias inspiradoras e reflexões significativas para a parentalidade.
Fique e olhos e ouvidos atentos no Parentalidade Preta!
Diego Silva


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