Material expandido do Podcast [parenta].
Sobre o convidado:
Kleber Geraldo Lelis Simões, conhecido como KL Jay, é um influente DJ e produtor de hip-hop brasileiro. Sua carreira começou em 1984, animando festas com Edi Rock do Racionais MC’s em São Paulo. Impressionado por DJs como Cash Money e Easy Lee, KL Jay se destacou como um dos principais DJs do país. Fundou o Racionais MC’s nos anos 80 e co-criou a gravadora 4P. Participou do campeonato “HIP HOP DJ”, lançou álbum solo em 2002 e é sócio da gravadora Cosa Nostra. Apresentou o programa “Yo! MTV” e tocou em locais icônicos. Atualmente, continua se apresentando, promovendo festas e projetos solo, além de ser pai de DJ Kalfani do grupo Pollo.
[parenta]#23
Saudações!
A paternidade é um mosaico de responsabilidades, emoções e compromissos. Envolve muito mais do que meramente compartilhar um laço sanguíneo. É o ato de construir uma ponte de amor e compreensão entre gerações, moldando o futuro com cada decisão e gesto. Minha jornada como pai é um constante aprendizado, uma aventura na qual ofereço apoio incondicional, orientação compassiva e um exemplo de integridade. Ser pai é cultivar um jardim de confiança, onde minhas palavras e ações são as sementes que florescem nos corações dos meus filhos.
Cada filho é um universo distinto, um livro com suas próprias páginas a serem desvendadas. A essência do meu papel como pai permanece consistente: ser um farol de amor e sabedoria, guiando-os através dos desafios da vida. No entanto, ajusto meu timão de acordo com as necessidades individuais deles, apreciando as nuances que fazem deles quem são. Ser pai é como conduzir uma orquestra, harmonizando as diferentes melodias de suas personalidades únicas.
Imagino-me conversando com um irmão que está prestes a abraçar a paternidade. Eu o encorajaria a abraçar essa jornada com humildade e entusiasmo, a compreender que cada momento, por mais simples que pareça, tem o poder de moldar o futuro de seu filho. Ser pai é uma oportunidade de moldar o mundo através do amor e da orientação, construindo um legado que transcende o tempo.
Dentro da comunidade preta, a conversa sobre paternidade deve ser sincera e empoderadora. Devemos compartilhar nossas experiências, nossas alegrias e nossos desafios, enquanto promovemos um ambiente de respeito mútuo e crescimento. No entanto, também é vital questionar se estamos oferecendo o apoio necessário para que os pais possam ser verdadeiros agentes de mudança na vida de seus filhos, enfrentando os desafios estruturais que muitas vezes são inerentes a essas comunidades.
O papel do pai na segurança do futuro de seus filhos é como um arquiteto que projeta as fundações sólidas de seus sonhos. Devo ser o porto seguro onde meus filhos podem ancorar seus anseios e aspirações. Com amor e orientação, desejo capacitá-los a fazer escolhas informadas, encorajá-los a buscar seus desejos mais profundos e proporcionar um ambiente onde a autoexpressão e a autodeterminação floresçam.
No grande palco da paternidade, uma sombra escura se estende. O colonialismo, com suas garras insidiosas, deixou cicatrizes profundas nas narrativas familiares e nas dinâmicas parentais. Ao explorar as complexidades das “paternidades”, é imperativo reconhecer como as sombras do passado podem moldar nossa abordagem atual, ao mesmo tempo em que trilhamos um caminho de cura e reafirmação.
A expressão “filho é pro mundo” captura uma verdade profunda. Como pais, somos artesãos do futuro, preparando nossos filhos para enfrentar o mundo com coragem, compaixão e determinação. Cada lição que transmitimos, cada valor que cultivamos e cada momento que compartilhamos é uma contribuição valiosa para a teia da humanidade. Enquanto os preparo para voar por conta própria, deixo-lhes as asas da sabedoria e os alicerces do amor para explorar os vastos horizontes que aguardam além.
.
Trocas no episódio
1- Nas suas palavras, o que é a paternidade?
2 – Como você define a SUA paternidade?
3 – Kleber, você acha que é um pai diferente para cada filho que tem?
4 – O que você diria para um irmão que acabou de descobrir que vai ser pai?
5 – Na sua opinião como o povo Preto deveria falar sobre a paternidade? Você acha que isso está sendo bem feito?
6- Qual você acredita o papel do pai na segurança dos filhos para a escolha do futuro?
7 – Podemos dizer que o colonialismo é o principal mal que atravessou as “paternidades”?
8 – Kleber, filho é pro mundo? Por que?

Não perca nenhum episódio do Parentalidade Preta
Acesso o podcast no seu agregador favorito
Destaques do episódio

A história de Rá
Adentre as margens sagradas do Rio Nilo e testemunhe o despertar divino: ‘A Ascensão de Rá e a Sabedoria de Osíris’. Uma jornada épica pelas eras do Egito Antigo, onde o sol nascente dá origem a deuses e reis, entrelaçando o destino da humanidade com os mistérios da criação e da paternidade divina. Dos primeiros raios de luz que emergem das águas primordiais à sabedoria milenar de um rei que governa com amor e fertilidade, esta é a história de como o sol e a lua guiaram não apenas os céus, mas também os corações daqueles que olharam para o alto e encontraram o poder transcendente de Rá e a sagrada sabedoria de Osíris.
Livros afetos:
A Gente é da Hora: Homens Negros e Masculinidade

Em um mundo repleto de desafios e lutas, a escritora renomada bell hooks nos liberta com sua obra inspiradora “A gente é da hora”. Neste livro, hooks mergulha profundamente na complexidade da masculinidade negra e do amor verdadeiro, abrindo caminho para uma reflexão crítica sobre nossa cultura e sociedade.
Lázaro Ramos, que gentilmente apresenta a edição brasileira, destaca a mensagem urgente de hooks. Ela nos incita a reconhecer que o amor é uma batalha necessária e, simultaneamente, nos chama a amar com responsabilidade, compreensão e coragem. No entanto, esta reflexão não é apenas sobre amor; é sobre enfrentar um passado marcado por traumas, rejeição e injustiça. hooks nos motiva a questionar nossos próprios preconceitos e ações, a repensar o significado de cuidado e a criar conexões profundas.
O livro lança um olhar penetrante sobre a dolorosa realidade de que, em nossa cultura, os homens negros muitas vezes não são amados, mas temidos. As palavras poderosas de hooks revelam a tristeza de uma sociedade onde homens negros não podem se amar e ser amados como merecem. A confusão entre medo e amor é um produto de culturas de dominação que obscurecem os laços genuínos com aparências enganosas de cuidado.
“A gente é da hora” é um chamado à ação, um apelo para quebrar as correntes da opressão e do medo, e para transformar nossa compreensão da masculinidade negra. Bell hooks, com sua habilidade inigualável de mesclar sua experiência pessoal com análise crítica, nos desafia a enfrentar as limitações impostas pelo patriarcado supremacista branco capitalista imperialista. A autora acredita que a conversa sobre libertação masculina negra não pode ser deixada apenas para os homens, mas sim para uma solidariedade onde todos nós podemos contribuir.
Neste livro, bell hooks oferece um espaço para reflexão, debate e crescimento. “A gente é da hora” é uma jornada de autoconhecimento e uma chamada à ação, que nos encoraja a redefinir nossos relacionamentos, nossas percepções e, acima de tudo, nossas próprias almas.
Para ampliar esse episódio:
Nessa coluna, vou compartilhar insights e abordagens sobre as trocas que já foram ao ar no Podcast Parentalidade Preta.
[parenta] #3 – Patriarcado e Paternidade – Jairo Pereira

A intrdução aborda o tema do patriarcado e suas origens, destacando como este sistema de relações sociais é marcado pela dominação masculina e contribui para a desigualdade de gênero. O patriarcado é discutido em relação ao contexto histórico, especialmente sua ligação com a transição da subsistência para a agricultura e a formação de sociedades patriarcais. O episódio também ressalta que a ordem patriarcal é uma construção relativamente recente na história da humanidade, contrastando com sociedades matrilineares do passado.
O mito de Édipo é explorado como uma metáfora do patriarcado, relacionando o complexo de Édipo com as dinâmicas de poder e desejo presentes no sistema patriarcal. A análise se expande para incluir a visão iorubá sobre o patriarcado, destacando a divindade Obatalá e suas atribuições na criação da humanidade e sua relação com a pureza. A abordagem psicanalítica também é introduzida, enfatizando a função paterna na mediação entre mãe e criança.
Ela (a introdução) conclui apontando para a necessidade de repensar o papel do patriarcado na sociedade contemporânea, destacando que um modelo matriarcal e matrigestor poderia questionar o patriarcado, bem como suas ramificações, como o machismo e a desigualdade social. O episódio enfatiza a importância de discutir e compreender a complexidade dessas questões históricas e culturais para promover mudanças significativas em direção a uma sociedade mais igualitária.
Nos vemos no [parenta]24! Se cuide!
Gostaria de financiar essa produção?

Bora trocar uma ideia?
Deixei esse fórum aqui pra gente poder trocar mais a respeito do episódio, caso queria registrar algo aqui, fique à vontade.
Sua mensagem foi enviada
Espero, de coração, que esse conteúdo tenha somado à experiência. Obrigado!
Ouça Podcast Parentalidade Preta
Você encontra o Podcast Parentalidade Preta no Spotify, no deezer, no Amazon Music e no Google Podcasts .
Quando a Casa Respira: Encerramento 2025 – Parentalidade Preta

Diego Silva
Homem Preto não retinto;
Esposo de Tatiane e
Pai de Benjamin e Aurora.
