[parenta] #15 – Descobrimento Pt.1 – Okinga

Material expandido do Podcast [parenta].

Sobre o convidado:

Okinga – @okingaoficial

Anicet Okinga é um profissional multidisciplinar com vasta experiência em diversas áreas. Com um PhD em sua área de pesquisa, ele é atualmente um pesquisador principal em uma instituição federal no Brasil. Além disso, ele possui formação em Odontologia e Farmácia, bem como um diploma em Direito pela UCAM. Okinga é um colunista regular no jornal DR1 e é um ativista político do Movimento Negro do PDT. Ele também colabora com organizações importantes como CEDINE e OAB-Barra.

Sua ampla gama de habilidades e conhecimentos o tornam um indivíduo valioso em qualquer setor.

[parenta]#15

Saudações!

Continuamos com as nossas trocas potentes da segunda temporada do Parentalidade Preta e falaremos especiamente sobre o “Descobrimento”.

Em abril, comemoram-se os 523 anos do “descobrimento do Brasil”. No entanto, essa data tem perdido importância na construção histórica do país. O “descobrimento” e a conquista da América representaram o início de um processo de colonização europeu, que subverteu e destruiu as culturas dos povos nativos. Na época, o comércio de especiarias com o Oriente era muito lucrativo para a Europa, e expedições eram constantemente engajadas nesse percurso. Havia também uma onda mística formada em cima das coisas do Oriente, que foram formadas por relatos de viagens que sempre aconteceram no mundo.

Suspeita-se que uma citação dos Livros das Maravilhas do mundo tenha sido removida. A citação trazia uma lista resumida de produtos e iguarias que eram trazidos ao Chipre durante a Idade Média, vindos de várias partes do Oriente. Esses produtos incluíam canela, cravo, pimenta, noz-moscada, gengibre, açafrão, cardamomo, cominho, anis, alcaçuz, sândalo, mirra, incenso, âmbar, seda, marfim, ouro, prata e pedras preciosas. O Chipre era um importante entreposto comercial, além de ser uma base para rotas marítimas, e, por isso, alvo de disputas territoriais.

O comércio com o Oriente trouxe grandes riquezas para a Europa, mas não sem consequências. A colonização europeia da América resultou na subversão e destruição das culturas nativas, e é importante olhar para a história com uma perspectiva crítica. A data do “descobrimento do Brasil” não deve ser vista como um feriado, mas sim como uma oportunidade para refletir sobre o passado e o presente do país, reconhecendo e respeitando a diversidade cultural e étnica que existe no Brasil.

O [parenta]#15 apresenta discute duas forças navais importantes da história africana: a Marinha Kushita e a Marinha do Império Mali. A Marinha Kushita, que fazia parte do Reino de Kush, estabeleceu rotas comerciais e navais ao longo do Nilo e do Mar Vermelho e desempenhou um papel importante na proteção do reino contra invasores estrangeiros. A Marinha Mali, por sua vez, foi responsável pelo comércio e exploração ao longo do rio Níger e do Oceano Atlântico.

A Marinha Kushita utilizava barcos com propulsão híbrida, que não dependiam apenas do vento, mas também de remos. Além disso, os barcos eram compostos de diferentes materiais, incluindo papiro, que garantia a flutuabilidade e a flexibilidade necessárias para resistir à severidade do mar. Essa força foi uma das mais importantes da antiguidade, tendo possibilitado a expansão e o desenvolvimento do Reino de Kush.

Por sua vez, a Marinha do Império Mali se destacou pelas expedições comerciais e de exploração que estabeleceu ao longo do rio Níger e do Oceano Atlântico. O império Mali era conhecido por seu avanço social, tecnológico e riquezas, e sua marinha foi fundamental para sua consolidação como importante potência regional e global na época.

Em resumo, as marinhas africanas da antiguidade, como a Kushita e a do Império Mali, tiveram um papel fundamental na expansão, proteção e desenvolvimento de seus respectivos reinos e impérios. Suas conquistas, táticas e tecnologias foram inspiradoras para outros modelos de barcos ao redor do mundo, demonstrando a importância da história naval africana.

Destaques do Episódio

Abubakari II

Mansa Abu Bakr II foi o nono rei do Império do Mali, que governou de 1311 a 1312. Ele é mais conhecido por sua expedição ao oceano Atlântico, que segundo a lenda, levou ele e sua frota a desaparecerem no mar. Abu Bakr II é creditado como sendo um visionário e explorador, que se aventurou em busca de novas terras além das fronteiras do Império do Mali. Sua expedição é considerada um marco histórico na exploração africana e inspirou muitas outras expedições marítimas subsequentes.

Mansa Musa, também conhecido como Kankan Musa, foi o 10º Mansa (rei) do Império do Mali, governando de 1312 a 1337. Ele é lembrado por sua grande peregrinação à Meca em 1324, onde impressionou os povos do Oriente Médio com sua riqueza e generosidade. Mansa Musa era um líder religioso e político, promovendo a educação, a cultura e a construção de mesquitas e escolas em todo o Mali. Ele também expandiu os territórios do império, tornando-o um dos mais poderosos da época. Mansa Musa é considerado uma figura importante na história africana e islâmica.

Quer saber mais? Dá play no episódio lá no topo da página. Ele é exclusivo pra você que chegou aqui, é diferente dos que estão nas plataformas de áudio.

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Ouça o trailer

Links interessantes:

https://www.hypeness.com.br/2021/04/mansa-abubakari-ii-o-rei-africano-que-chegou-a-america-antes-de-colombo/

Pra ver no YouTube

Livro(s)que eu indico para o assunto:

They Came Before Columbus: The African Presence in Ancient America

Ivan Van Sertima

“They Came Before Columbus” é um livro escrito pelo historiador Ivan Van Sertima, publicado originalmente em 1976. O livro apresenta uma visão alternativa sobre a história da América pré-colombiana, argumentando que a presença africana no continente foi muito anterior à chegada de Colombo.

Van Sertima argumenta que há evidências arqueológicas, etnográficas e históricas que apontam para a presença de africanos no continente americano antes de Colombo. Ele discute a possibilidade de que as civilizações americanas antigas, como os olmecas e maias, foram influenciadas por africanos que viajaram para as Américas a partir do oeste da África, possivelmente através do Oceano Atlântico.

O autor também faz referência a possíveis conexões culturais entre a África e as Américas. Por exemplo, ele argumenta que a tradição egípcia antiga influenciou a arte e a arquitetura dos povos pré-colombianos, e que as similaridades entre os sistemas numéricos africanos e americanos podem indicar contato prévio entre os continentes.

“They Came Before Columbus” é uma obra influente no estudo da história da América pré-colombiana e da diáspora africana.

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Quando a Casa Respira: Encerramento 2025 Parentalidade Preta

Este episódio especial encerra o ciclo 2025 do Parentalidade Preta com uma aula magna sobre tudo que compõe este território: história, cura, ancestralidade, masculinidades negras, paternidade e construção comunitária. Um convite para quem chega agora entender o universo completo da iniciativa e começar a escuta pelo episódio 1.Aqui você encontra um panorama profundo das principais iniciativas:[parenta] — Entrevistas, narrativas e conversas documentais sobre temas de grande impacto social.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0eIohbdm7bFplgcWOp6hxs?si=FIbRKan7Q96z0PryKBWGSw&nd=1&dlsi=7fea58be88b2431b(RESENHA) — Trocas francas e bem-humoradas entre pais pretos sobre desafios, afetos e cotidiano.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/7b8J4Keoet4IlFARYkFcxO?si=UF1XEBj4Rw-Y6s3ld9ISbA&nd=1&dlsi=bec5390599194b4c{mergulho} — Encontros íntimos sobre masculinidades pretas e cura emocional.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0QGKb9H0QoqxpFCdVK5yYJ?si=81a8f86890814b2c&nd=1&dlsi=f856631bce7c42ccRodas de Conversa Virtuais — Espaço de troca e comunidade entre pais de diferentes regiões.Séries Documentais em Áudio, que unem história, afeto e memória:• Diop: Estrelas Negras no Céu do Egito: https://parentalidadepreta.com/2023/12/29/diop-estrelas-negras-no-ceu-do-egito/• Frantz Fanon: Irredutivelmente Negro• Travessia: A Escola de Escuta Afrocentrada do Parentalidade Pretahttps://parentalidadepreta.com/2025/10/30/travessia-escola-de-escuta-afrocentrada-do-parentalidade-preta/Este episódio é também um guia de escuta para novos ouvintes, apresentando o Currículo de Escuta Afrocentrada e explicando como cada série, conversa e especial foi construído para formar consciência, afeto e responsabilidade a partir de uma perspectiva preta, afrocentrada e comunitária.Ao final, compartilho o porquê de um hiato necessário: tempo de memória, estudo, fé e recomposição para preparar a próxima travessia da iniciativa.Se você está chegando agora, este é o seu ponto de partida.Se você já caminha conosco, é a casa acendendo uma última vela antes de descansar.Apoie a iniciativa : 🔗⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://apoia.se/parenta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Não deixe de compartilhar suas impressões aqui nos comentários.Acompanhe a página⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@Parentalidade_Preta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ .Bora pra mais uma?Esse podcast é produzido pela⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠+3dB Áudio!
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Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.