[parenta] #13 – Matriarcado e Matrigestão – Luiza Mandela

Material expandido do Podcast [parenta].

Sobre a convidada:

Luiza Mandela – @luizamandela

Mestra em Relações Étnico Raciais, Professora, Palestrante , Escritora e Coordenadora Editorial.

[parenta]#13

Saudações!

Retornamos com esse episódio especial de estreia sobre o papel do matriarcado na sociedade atual.

O mariarcado é um modelo de gestão baseado na força, na potência e na centralidade da mulher como líder em uma comunidade, em que não há concepção de gênero para o avanço do bem comum. Ele se define como uma sociedade com origem na mulher, tendo essa figura um poder maior que o da dominação. Os convidados exploram a contribuição das mulheres negras na construção da sociedade brasileira e como essa herança ainda é presente nos dias de hoje.

O Parentalidade Preta destaca a importância das raízes africanas na compreensão do matriarcado e como o poder da criação nas sociedades matriarcais é uma alternativa ao modelo patriarcal vigente. Enfatizamos que o matriarcado não é um contraponto ao patriarcado, mas sim uma alternativa baseada no poder da mulher como líder em uma comunidade. O episódio especial é uma oportunidade para entender melhor o papel da mulher na sociedade e como a força feminina pode ser o caminho para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Espero que goste.

Matriarcado e Matrigestão

O matriarcado é um modelo de gestão baseado na força, na potência e na centralidade da mulher, que atua como líder em uma comunidade. Em uma comunidade matriarcal, não há concepção de gênero para o avanço do bem comum, pois o coletivo funciona e progride em torno da presença das duas partes: o homem e a mulher. As sociedades matriarcais são pautadas no poder da criação e têm origem na mulher, tendo essa figura um poder maior que o da dominação. Já a teoria dos dois berços, do Doutor e Professor Cheikh Anta Diop, parte do princípio de que a linhagem materna pode ser rastreada até o Ancestral Comum Mais Recente (MRCA), que seria a mulher mais antiga da qual a linhagem dos humanos viventes descende, e é transmitida apenas pela linhagem feminina. A Eva Mitocondrial, grupo relativamente pequeno de mulheres que viveram na África há cerca de 200 mil anos, é o grupo do qual todos os humanos descendem.
A história da origem da humanidade pode ser rastreada até o deserto de Afar, na Etiópia, onde há cerca de quatro milhões de anos caminhava Lucy, nossa ancestral mais antiga registrada. As falésias do vale do Omo guardam registros da civilização em seu berço inicial, de como, a partir do domínio do fogo e do consumo de carne cozida, a sociedade evoluiu até o que é hoje.

A teoria dos dois berços

De acordo com Diop, seria possível conjecturar em que bases comportamentais estariam suscetíveis os povos provindos de cada berço, tendo como elemento de análise a reconstrução das organizações políticas e sociais, de acordo com acesso aos recursos naturais e o clima de cada região.

Diop afirma que:   

O berço meridional confinado ao continente africano em particular caracteriza-se pela família matriarcal, pela criação do Estado-territorial, por oposição à Cidade-Estado ariana, pela emancipação da mulher na vida doméstica, pela xenofilia, pelo cosmopolitismo, por uma espécie de coletivismo social tendo como corolário a quietude, chegando até à despreocupação em relação ao futuro,  por uma solidariedade material de direito para cada indivíduo, e que faz com que a miséria material ou moral seja desconhecida até aos nossos dias; existem pessoas pobres, mas ninguém se sente só, ninguém está angustiado. No domínio moral, um ideal de paz, justiça, bondade, de um otimismo que elimina qualquer noção de culpa ou de pecado original nas criações religiosas ou metafísicas. 

O berço nórdico confinado à Grécia e a Roma caracteriza-se pela família patriarcal, pela Cidade-Estado (entre duas cidades existia, afirma Fustel de Coulanges, algo de mais intransponível do que uma montanha) percebe-se facilmente que é no contato com o mundo meridional que os nórdicos expandiram a sua concepção estatal para se erguer ao nível da ideia de um Estado territorial e de um império. O caráter particular destas Cidades-Estado, no exterior quais se era um fora da lei, desenvolveu o patriotismo no seu interior, bem como a xenofobia. O individualismo, a solidão moral e material, a repugnância pela existência, toda a matéria da literatura moderna que, mesmo sob os seus aspectos filosóficos, não representa outra coisa senão a expressão da tragédia de uma vida, cujo estilo remonta aos antepassados, constituem o apanágio deste berço.

Um ideal de guerra, de violência, de crime, de conquistas, herdado da vida nómada, tendo por corolário um sentimento de culpabilidade ou de pecado original que representa o fundamento dos sistemas religiosos ou metafísicos pessimistas são o apanágio do mesmo.

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Ouça o trailer

Links interessantes:

Artigo Leonardo Boff

Matriarcado Infoescola

A família é o elemento ativo que jamais se estaciona

Pra ver no YouTube

Livro(s)que eu indico para o assunto:

O Legado Roubado

George G. M. James

“O Legado Roubado” de George G. M. James é um livro clássico que expõe as raízes africanas da civilização ocidental e argumenta que a Grécia antiga foi grandemente influenciada pelas civilizações africanas. James examina as evidências históricas para provar que a filosofia grega e outras formas de conhecimento foram tomadas de empréstimo da África, e que muitos dos grandes pensadores gregos, como Sócrates e Platão, foram profundamente influenciados pela sabedoria africana.

O livro defende que o legado da África foi roubado e reivindica a necessidade de reconhecer a contribuição africana para a civilização ocidental.

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Quando a Casa Respira: Encerramento 2025 Parentalidade Preta

Este episódio especial encerra o ciclo 2025 do Parentalidade Preta com uma aula magna sobre tudo que compõe este território: história, cura, ancestralidade, masculinidades negras, paternidade e construção comunitária. Um convite para quem chega agora entender o universo completo da iniciativa e começar a escuta pelo episódio 1.Aqui você encontra um panorama profundo das principais iniciativas:[parenta] — Entrevistas, narrativas e conversas documentais sobre temas de grande impacto social.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0eIohbdm7bFplgcWOp6hxs?si=FIbRKan7Q96z0PryKBWGSw&nd=1&dlsi=7fea58be88b2431b(RESENHA) — Trocas francas e bem-humoradas entre pais pretos sobre desafios, afetos e cotidiano.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/7b8J4Keoet4IlFARYkFcxO?si=UF1XEBj4Rw-Y6s3ld9ISbA&nd=1&dlsi=bec5390599194b4c{mergulho} — Encontros íntimos sobre masculinidades pretas e cura emocional.OUÇA AQUI: https://open.spotify.com/playlist/0QGKb9H0QoqxpFCdVK5yYJ?si=81a8f86890814b2c&nd=1&dlsi=f856631bce7c42ccRodas de Conversa Virtuais — Espaço de troca e comunidade entre pais de diferentes regiões.Séries Documentais em Áudio, que unem história, afeto e memória:• Diop: Estrelas Negras no Céu do Egito: https://parentalidadepreta.com/2023/12/29/diop-estrelas-negras-no-ceu-do-egito/• Frantz Fanon: Irredutivelmente Negro• Travessia: A Escola de Escuta Afrocentrada do Parentalidade Pretahttps://parentalidadepreta.com/2025/10/30/travessia-escola-de-escuta-afrocentrada-do-parentalidade-preta/Este episódio é também um guia de escuta para novos ouvintes, apresentando o Currículo de Escuta Afrocentrada e explicando como cada série, conversa e especial foi construído para formar consciência, afeto e responsabilidade a partir de uma perspectiva preta, afrocentrada e comunitária.Ao final, compartilho o porquê de um hiato necessário: tempo de memória, estudo, fé e recomposição para preparar a próxima travessia da iniciativa.Se você está chegando agora, este é o seu ponto de partida.Se você já caminha conosco, é a casa acendendo uma última vela antes de descansar.Apoie a iniciativa : 🔗⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://apoia.se/parenta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Não deixe de compartilhar suas impressões aqui nos comentários.Acompanhe a página⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@Parentalidade_Preta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ .Bora pra mais uma?Esse podcast é produzido pela⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠+3dB Áudio!
  1. Quando a Casa Respira: Encerramento 2025
  2. TRAVESSIA #5 – ORGULHO PRETO
  3. Jairo Pereira – a travessia dos homens pretos
  4. TRAVESSIA #4 – Afrocentricidade Pt.2
  5. Omoloji Àgbára — quando o sentimento é também resistência

Diego Silva

Homem Preto não retinto;

Esposo de Tatiane e

Pai de Benjamin e Aurora.